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Questão de Biologia — Função Hormonal — CESPE / CEBRASPE 2025

BiologiaFunção Hormonal
Código
ce406717
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUB
Ano
2025
Cargo
Tec ( )

A respeito dos métodos laboratoriais para a dosagem dos hormônios T3 e T4, julgue o item a seguir.

 

A adição de heparina para se investigar a concentração de T4 livre in vitro melhora a sensibilidade de qualquer teste de análise clínica voltado para a avaliação da função da tireoide.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dosagem de T4 livre e o efeito da heparina in vitro

Gabarito: ERRADO (letra E). A adição de heparina ao sangue para dosagem de T4 livre não melhora a sensibilidade de qualquer teste de função tireoidiana; ao contrário, a heparina interfere na dosagem, pois ativa a lipase lipoproteica, que libera ácidos graxos livres capazes de deslocar o T4 de suas proteínas transportadoras, elevando artificialmente a fração livre medida. Essa interferência é um artefato pré-analítico conhecido em imunoensaios, e não um recurso para melhorar a sensibilidade.

A dosagem de hormônios tireoidianos (T3 e T4) é um pilar da avaliação da função da tireoide. O T4 circula majoritariamente ligado a proteínas — principalmente a globulina ligadora de tiroxina (TBG), mas também a transtirretina e a albumina — e apenas uma fração mínima (cerca de 0,03%) permanece livre (T4L), sendo essa a forma biologicamente ativa. Por isso, a dosagem do T4 livre é clinicamente mais relevante que a do T4 total, pois reflete diretamente a fração disponível para os tecidos, independentemente das variações nas proteínas carreadoras (como ocorre na gestação ou no uso de anticoncepcionais).

Os métodos laboratoriais para T4L baseiam-se em imunoensaios (quimioluminescência, eletroquimioluminescência, ELISA etc.) que utilizam anticorpos específicos. A precisão desses métodos depende criticamente da integridade do equilíbrio entre o hormônio livre e o ligado às proteínas. Qualquer fator que altere esse equilíbrio — como a presença de substâncias que desloquem o T4 das proteínas — compromete o resultado, gerando valores falsamente elevados ou reduzidos.

A heparina é um anticoagulante amplamente usado na coleta de sangue (tubos com heparina sódica ou lítio). No entanto, quando adicionada à amostra para dosagem de T4L, ela desencadeia um problema: ativa a lipase lipoproteica presente no endotélio, que hidrolisa os triglicerídeos e libera ácidos graxos livres (AGL). Os AGL, em concentrações elevadas, competem com o T4 pelos sítios de ligação nas proteínas transportadoras, deslocando o hormônio para a fração livre. O resultado é um aumento artificial do T4L medido, que não corresponde ao estado fisiológico do paciente. Esse fenômeno é um clássico exemplo de interferência pré-analítica e pode levar a diagnósticos equivocados de hipertireoidismo.

Portanto, a conduta correta em laboratório é evitar o uso de heparina para dosagem de T4L, preferindo soro (sem anticoagulante) ou EDTA. A afirmação do enunciado inverte completamente essa lógica, apresentando a interferência como se fosse um benefício — uma armadilha típica de provas que testam o conhecimento de interferentes laboratoriais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre anticoagulante e interferente. O candidato pode pensar: "heparina é um anticoagulante comum, então deve ser útil". Mas, na dosagem de T4L, a heparina é um interferente conhecido, pois eleva artificialmente o resultado pela liberação de ácidos graxos. Lembre-se: nem todo aditivo é compatível com todo exame — cada dosagem tem seu anticoagulante ideal.

  1. 1Heparina ativa lipase lipoproteica
  2. 2Libera ácidos graxos livres
  3. 3Deslocam T4 das proteínas
  4. 4[-] T4L medido fica elevado
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ❌ ERRADO

A afirmação está errada porque a heparina não melhora a sensibilidade de testes de função tireoidiana; ela interfere negativamente na dosagem de T4L. O mecanismo é bem documentado: a heparina ativa a lipase lipoproteica, gerando ácidos graxos livres que deslocam o T4 das proteínas carreadoras, elevando artificialmente a fração livre. Isso compromete a acurácia do exame, podendo simular hipertireoidismo. A conduta correta é usar soro ou EDTA para essa dosagem, evitando a heparina.

Gabarito: ERRADO (letra E).

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