Questão de Biologia — Princípio de Hardy-Weinberg — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Princípio de Hardy-Weinberg
Código
ce406726
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
PCF
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, publicado na revista Science, analisou o genoma de 2.723 brasileiros de diferentes regiões e mostrou que três genes associados a fertilidade, imunidade e metabolismo energético sobreviveram ao processo de colonização e à intensa miscigenação que aconteceram no território brasileiro. Segundo uma das responsáveis pelo estudo, o sistema imunológico está relacionado a uma ancestralidade africana, o sistema de metabolismo energético teria vindo dos povos indígenas e a fertilidade teria sido herdada dos europeus. “É algo que lá atrás fazia sentido para a sobrevivência desses indivíduos”, complementou.
Flávio Ismerim. Miscigenação intensa provocou seleção natural no Brasil em apenas 500 anos. Internet: <www.cnnbrasil.com.br> (com adaptações).
Tendo o texto precedente como referência inicial, julgue o próximo item, acerca de genética de populações.
No equilíbrio de Hardy-Weinberg ideal, as forças evolutivas de mutação, seleção e deriva genética podem-se opor umas às outras e criar um equilíbrio dinâmico no qual não há modificação real das frequências alélicas.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Princípio de Hardy-Weinberg: o equilíbrio ideal e as forças evolutivas
Gabarito: ERRADO (letra E). A afirmação está incorreta porque o equilíbrio de Hardy-Weinberg descreve uma população ideal em que as frequências alélicas permanecem constantes justamente na ausência de forças evolutivas — mutação, seleção natural, deriva genética, fluxo gênico e acasalamento não aleatório. Não se trata de um equilíbrio dinâmico entre forças que se opõem, mas de um modelo teórico de não evolução, um ponto de referência para detectar quando a evolução está ocorrendo.
O princípio de Hardy-Weinberg, formulado independentemente por Godfrey Hardy e Wilhelm Weinberg em 1908, é o alicerce da genética de populações. Ele estabelece que, em uma população idealizada — infinitamente grande, com acasalamento aleatório, sem mutação, sem seleção natural, sem migração e sem deriva genética —, as frequências alélicas e genotípicas permanecem constantes de geração em geração. A relação fundamental é expressa pela equação , onde e são as frequências dos dois alelos de um gene. Essa equação permite calcular as frequências genotípicas esperadas a partir das frequências alélicas, servindo como um modelo nulo: se as frequências observadas em uma população real se desviam das esperadas, isso indica que alguma força evolutiva está atuando.
A lógica por trás do princípio é elegante: se nenhuma força altera o pool gênico, a transmissão dos alelos de uma geração para a seguinte é um processo de amostragem aleatória que não cria nem destrói variação genética. Em uma população infinitamente grande, o erro de amostragem é zero, e as frequências permanecem estáveis. É por isso que o equilíbrio de Hardy-Weinberg é descrito como um estado de não evolução — a população não está mudando geneticamente. As forças evolutivas (mutação, seleção, deriva, fluxo gênico) são exatamente os fatores que quebram esse equilíbrio, alterando as frequências alélicas ao longo do tempo.
A afirmação do item confunde o modelo ideal com a realidade. No mundo real, as populações estão constantemente sujeitas a essas forças, e o que se observa é um equilíbrio dinâmico entre elas — por exemplo, a seleção natural pode favorecer um alelo enquanto a mutação o reintroduz, ou a deriva genética pode eliminar alelos neutros enquanto a migração os repõe. Mas esse equilíbrio dinâmico não é o equilíbrio de Hardy-Weinberg. O modelo de Hardy-Weinberg é um cenário hipotético de ausência total de forças evolutivas, um ponto de partida teórico para medir a evolução, não um estado real alcançável. A pegadinha da banca está em atribuir ao equilíbrio ideal a capacidade de as forças se oporem e criarem estabilidade — o que é uma descrição do que acontece em populações reais, não do modelo ideal.
Para fixar: o equilíbrio de Hardy-Weinberg é um modelo nulo — ele diz o que esperar se nada estiver acontecendo. Qualquer desvio das frequências esperadas indica que a evolução está ocorrendo. É exatamente esse contraste entre o modelo ideal e a realidade que a questão explora.
Equilíbrio de Hardy-Weinberg
1Modelo nulo (não evolução)
População infinitamente grande
Acasalamento aleatório
Ausência de mutação
Ausência de seleção natural
Ausência de fluxo gênico
Ausência de deriva genética
2Equação
p² + 2pq + q² = 1
3Uso
Detecta evolução por desvio
LEVEL · soulevel.com.br
Item — ❌ ERRADO
A afirmação está incorreta ao afirmar que, no equilíbrio de Hardy-Weinberg ideal, as forças evolutivas de mutação, seleção e deriva genética podem se opor e criar um equilíbrio dinâmico. O modelo ideal pressupõe a ausência dessas forças — não a sua atuação equilibrada. As premissas do equilíbrio incluem: população infinitamente grande (eliminando a deriva genética), ausência de mutação, ausência de seleção natural, acasalamento aleatório e ausência de fluxo gênico. Se essas forças estivessem atuando, mesmo que se opusessem, as frequências alélicas poderiam mudar, e a população não estaria em equilíbrio de Hardy-Weinberg. O que a banca descreve é um equilíbrio dinâmico entre forças evolutivas, que é um conceito da evolução real, não do modelo ideal de Hardy-Weinberg.