Questão de Biologia — Genética Forense e Bancos de Perfis Genéticos — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406731
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- PF
- Ano
- 2025
- Cargo
- PCF
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO (letra E). A afirmação está incorreta porque, em genética forense, a exclusão de um alelo compartilhado entre suposto pai e filho não invalida a hipótese de paternidade com 100% de certeza — a exclusão de paternidade é categórica apenas quando há incompatibilidade em múltiplos loci, e mesmo assim a conclusão depende da análise estatística e da possibilidade de mutações. A paternidade é estabelecida por probabilidade (razão de verossimilhança), não por certeza absoluta.
A genética forense utiliza marcadores moleculares, principalmente os STRs (Short Tandem Repeats), para comparar perfis genéticos. Em um teste de paternidade, compara-se o perfil do suposto pai, da mãe e do filho. Para cada loco, o filho herda um alelo de cada genitor. Se o suposto pai não possui o alelo obrigatório (aquele que o filho não recebeu da mãe), isso indica exclusão de paternidade naquele loco. Contudo, a exclusão definitiva exige a análise de múltiplos loci: se houver incompatibilidade em dois ou mais loci, a paternidade é excluída com alta confiança; se houver apenas uma incompatibilidade, pode ser devido a mutação ou erro de genotipagem, exigindo investigação adicional.
A afirmação do item é problemática por dois motivos: primeiro, a exclusão de um único alelo não é suficiente para invalidar a paternidade com 100% de certeza, pois pode haver mutação ou erro técnico; segundo, mesmo quando a exclusão é confirmada em múltiplos loci, a conclusão é expressa em termos de probabilidade (por exemplo, probabilidade de paternidade de 99,99%), não de certeza absoluta. A estatística forense utiliza a razão de verossimilhança (LR) para quantificar a força da evidência, comparando a probabilidade de os perfis serem observados sob a hipótese de paternidade versus a hipótese de não-paternidade.
Na prática, um laudo de paternidade apresenta um índice de paternidade (PI) e a probabilidade de paternidade (W), calculada pela fórmula de Essen-Möller. Valores acima de 99,99% são considerados suporte muito forte, mas nunca 100% — sempre há uma margem, ainda que mínima, de incerteza. Além disso, a possibilidade de mutações germinativas (raras, mas existentes) impede a afirmação de certeza absoluta com base em um único loco.
A pegadinha da banca está em usar a expressão "100% de certeza" e "exclusão de um alelo" como se fossem sinônimos de exclusão definitiva. O candidato pode ser levado a pensar que qualquer incompatibilidade exclui a paternidade, mas a ciência forense exige análise de múltiplos marcadores e interpretação estatística. Portanto, a afirmação é falsa.
A afirmação está incorreta porque a exclusão de paternidade não é determinada por um único alelo, mas pela análise de múltiplos loci. Uma única incompatibilidade pode ser explicada por mutação (taxa de ~0,1% por loco por geração) ou erro de genotipagem, não sendo suficiente para excluir a paternidade com certeza. Além disso, mesmo com exclusão em vários loci, a conclusão é probabilística, não absoluta. A genética forense trabalha com razões de verossimilhança e probabilidades, nunca com 100% de certeza.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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