Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Geral
Código
ce406736
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UERR
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
Internet: </brasilescola.uol.com.br>.
A figura precedente representa o modelo chave-fechadura, que procura explicar o mecanismo de ação das enzimas. Com base na figura e nas propriedades das enzimas, assinale a opção que apresenta a explicação correta desse modelo.
AA enzima se encaixa perfeitamente no substrato porque tem uma forma específica para ele, como uma fechadura para uma chave.
BA enzima muda totalmente sua forma para se encaixar em qualquer substância.
CA enzima pode reagir com qualquer substância, mesmo que não se encaixe bem.
DA enzima quebra o substrato em pedaços porque forma uma ligação muito forte e permanente com ele.
EO substrato altera a forma do sítio ativo da enzima, permitindo sua ligação com a enzima.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — A enzima se encaixa perfeitamente no substrato porque tem uma forma específica para ele, como uma fechadura para uma chave.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Modelo chave-fechadura: a especificidade enzimática
Gabarito: letra A. O modelo chave-fechadura explica que a enzima possui um sítio ativo com forma tridimensional complementar à do seu substrato específico, encaixando-se nele como uma chave em sua fechadura — é essa complementaridade geométrica que confere às enzimas sua alta especificidade. As demais alternativas distorcem esse mecanismo ao sugerir que a enzima se adapta a qualquer substância, forma ligações permanentes ou altera sua forma para se ligar ao substrato.
As enzimas são catalisadores biológicos, quase sempre de natureza proteica, que aceleram reações químicas sem serem consumidas no processo. A região da enzima onde o substrato se liga e a reação ocorre é chamada de sítio ativo — uma cavidade ou fenda tridimensional formada pelo dobramento da cadeia polipeptídica. A propriedade central que o modelo chave-fechadura busca explicar é a especificidade enzimática: cada enzima atua sobre um substrato (ou grupo de substratos) com o qual possui complementaridade estrutural, assim como uma fechadura só é aberta pela chave correta. Essa especificidade é consequência direta da conformação tridimensional do sítio ativo, que é determinada pela sequência de aminoácidos da proteína e pelo seu dobramento espacial.
O modelo chave-fechadura, proposto por Emil Fischer em 1894, descreve o sítio ativo como uma estrutura rígida e pré-formada, na qual o substrato se encaixa de maneira exata e complementar — como uma chave que se ajusta perfeitamente à fechadura. Esse modelo explica por que enzimas são altamente específicas: apenas o substrato com a forma correta consegue se encaixar no sítio ativo e ser convertido em produto. Um exemplo clássico é a enzima lactase, que quebra a lactose em glicose e galactose: ela não atua sobre outros dissacarídeos, como a sacarose, justamente porque o sítio ativo da lactase é complementar apenas à lactose. A especificidade é tão refinada que, em muitos casos, a enzima distingue até mesmo isômeros ópticos do mesmo substrato.
É importante distinguir o modelo chave-fechadura do modelo de ajuste induzido, proposto por Daniel Koshland em 1958. No modelo de ajuste induzido, o sítio ativo não é rígido: a ligação do substrato induz uma mudança conformacional na enzima, que se ajusta ao substrato de forma mais dinâmica — como uma luva que se molda à mão. Enquanto o modelo chave-fechadura enfatiza a rigidez e a complementaridade pré-existente, o modelo de ajuste induzido enfatiza a flexibilidade e a adaptação mútua. A alternativa E descreve justamente o modelo de ajuste induzido, não o chave-fechadura — essa é a pegadinha central da questão.
A banca explora exatamente essa confusão entre os dois modelos. O candidato que conhece apenas o conceito geral de especificidade enzimática pode ser atraído pela alternativa E, que descreve o ajuste induzido, ou pela alternativa B, que exagera a flexibilidade da enzima ao ponto de perder a especificidade. A chave para acertar é reconhecer que o modelo chave-fechadura é o modelo clássico e rígido de complementaridade, e que a alternativa A o descreve com precisão ao usar a metáfora da fechadura e da chave. Guarde essa distinção: chave-fechadura = rigidez e complementaridade pré-formada; ajuste induzido = flexibilidade e adaptação após a ligação.
Modelo chave-fechadura: Sítio ativo rígido (Forma pré-formada, Complementar ao substrato); Especificidade enzimática (Cada enzima, um substrato, Distingue isômeros); Modelo de ajuste induzido (Sítio ativo flexível, Substrato induz mudança)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o modelo chave-fechadura: a enzima possui uma forma específica e complementar ao seu substrato, encaixando-se nele como uma chave em uma fechadura. Essa complementaridade geométrica entre o sítio ativo da enzima e o substrato é exatamente o que confere às enzimas sua alta especificidade — cada enzima atua sobre um substrato específico, e não sobre qualquer substância. A metáfora da fechadura e da chave é a representação clássica desse modelo, proposto por Emil Fischer, e reflete a rigidez e a pré-formação do sítio ativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a enzima "muda totalmente sua forma para se encaixar em qualquer substância", o que contraria o princípio da especificidade enzimática. No modelo chave-fechadura, a enzima não muda sua forma para se adaptar a qualquer substrato — pelo contrário, o sítio ativo tem uma forma fixa e complementar apenas ao seu substrato específico. Se a enzima pudesse se encaixar em qualquer substância, ela perderia completamente sua especificidade, o que não ocorre na natureza. A alternativa confunde o modelo chave-fechadura com uma versão exagerada do modelo de ajuste induzido, no qual a enzima sofre uma mudança conformacional — mas mesmo nesse modelo a mudança é limitada e específica, não total e indiscriminada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a enzima pode reagir com qualquer substância, mesmo que não se encaixe bem, o que é falso. A especificidade enzimática é uma propriedade fundamental: cada enzima atua apenas sobre substratos com os quais possui complementaridade estrutural no sítio ativo. Se o substrato não se encaixa adequadamente, a reação não ocorre ou ocorre de forma muito lenta. Essa alternativa nega completamente o princípio da especificidade, que é justamente o que o modelo chave-fechadura busca explicar. A enzima não é um catalisador genérico; ela é altamente seletiva quanto ao substrato com o qual interage.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a enzima quebra o substrato porque forma uma ligação "muito forte e permanente" com ele, o que é incorreto. A interação enzima-substrato é temporária e reversível: após a catálise, os produtos são liberados e a enzima fica livre para catalisar novas reações. Se a ligação fosse permanente, a enzima seria consumida no processo, o que contradiz a definição de catalisador — uma substância que acelera a reação sem ser consumida. Além disso, a quebra do substrato ocorre pela ação catalítica da enzima, que reduz a energia de ativação da reação, e não pela formação de uma ligação forte e permanente. A alternativa confunde a interação temporária enzima-substrato com uma ligação química estável e duradoura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa descreve o modelo de ajuste induzido, não o modelo chave-fechadura. No ajuste induzido, proposto por Koshland, a ligação do substrato induz uma mudança conformacional no sítio ativo da enzima, que se ajusta ao substrato de forma dinâmica — como uma luva que se molda à mão. Já no modelo chave-fechadura, o sítio ativo é rígido e pré-formado, e o substrato se encaixa de maneira exata e complementar, sem que a enzima altere sua forma. A alternativa E inverte a lógica do modelo chave-fechadura ao afirmar que é o substrato que altera a forma do sítio ativo, o que é característica do modelo de ajuste induzido. Essa é a pegadinha central da questão: a banca troca os dois modelos para confundir o candidato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o modelo chave-fechadura pelo modelo de ajuste induzido. Na alternativa E, o substrato "altera a forma do sítio ativo" — isso é ajuste induzido, não chave-fechadura. No chave-fechadura, a forma da enzima é rígida e complementar ao substrato; no ajuste induzido, a enzima se adapta após a ligação. Identifique a palavra-chave: se a alternativa diz que a enzima "muda de forma" ou que o substrato "altera o sítio ativo", ela está descrevendo o ajuste induzido. Com treino, você reconhece essa troca de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, compare os dois modelos lado a lado:
Critério
Chave-fechadura
Ajuste induzido
Sítio ativo
Rígido e pré-formado
Flexível e dinâmico
Encaixe
Complementaridade exata
Adaptação após a ligação
Mudança conformacional
Não ocorre
Ocorre induzida pelo substrato
Metáfora
Chave e fechadura
Luva e mão
Na prova, ao ver "chave-fechadura", lembre-se: rigidez e especificidade pré-formada. Ao ver "mudança de forma" ou "ajuste", pense em ajuste induzido.
Gabarito: letra A — o modelo chave-fechadura descreve a complementaridade rígida entre o sítio ativo da enzima e seu substrato específico.