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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025

BiologiaGeral
Código
ce406757
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Os levantamentos da Sisbiota‑Mar indicaram que o atol das Rocas é a mais preservada das quatro ilhas oceânicas brasileiras. Mesmo em Fernando de Noronha, que possui status de parque nacional, a área protegida sustenta uma população humana crescente e existe uma área fora do parque em que são permitidas atividades como a pesca. No arquipélago de São Pedro e São Paulo, a 1.000 km de Natal, já não há tubarões e os cardumes de atum foram bastante reduzidos por causa da pesca excessiva.

 

As águas do atol das Rocas, a 267 km de Natal, Rio Grande do Norte, abrigam um dos fenômenos mais chamativos dos recifes, quando os peixes predadores se concedem momentos de trégua e se submetem à limpeza realizada por outros peixes e camarões. Os peixes limpadores se especializaram em comer parasitas, tecidos doentes ou muco de peixes maiores e tartarugas, que os especialistas chamam de clientes. “Como resultado dessas interações, os clientes mantêm a saúde e o limpador consegue alimento, mas os dois lados tiveram que evoluir até se reconhecerem e não se atacarem na hora da limpeza”, resume um biólogo, pesquisador da UFSC.

 

Em 2016, os biólogos observaram 319 interações de limpeza entre os peixes, em profundidades variando de 1 m   5 m, durante 44 horas ao longo de 22 dias. Duas espécies exclusivas da região foram as mais atuantes: o bodião-de-noronha (Thalassoma noronhanum), que atinge 12 cm quando adulto, e o neon-cata-piolho (Elacatinus phthirophagus), de até 4 cm. O neon-cata-piolho apresentou uma dieta flexível, abandonando os hábitos herbívoros de outros lugares para, no atol, saciar-se com vermes, até mesmo arriscando-se ao se aproximar de clientes carnívoros, como o tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum), que chega a 4 m de comprimento e 100 kg de peso.

 

Carlos Fioravanti. Aliança do fundo do mar. In: Revista FAPESP, edição 258, ago./2017 (com adaptações).

Leia o texto.

 

Julgue o item a seguir, considerando o texto apresentado e que ln(15) = loge(15) = 2,7, que a aceleração da gravidade é g = 10 m/s2, a densidade da água do mar, ρ = 1.000 kg/m3 e a pressão atmosférica no nível do mar, P0 = 1 atm = 105 Pa:

 

Conclui-se do trecho reproduzido do texto Aliança do fundo do mar que a relação ecológica predominante entre os peixes-limpadores e seus clientes é o

  1. Aparasitismo.
  2. Bcomensalismo.
  3. Camensalismo.
  4. Dmutualismo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — mutualismo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações ecológicas interespecíficas: mutualismo na limpeza marinha

Gabarito: letra D. A relação entre os peixes-limpadores e seus clientes é o mutualismo, pois ambas as espécies são beneficiadas: o cliente tem parasitas, tecidos doentes e muco removidos (mantendo a saúde), e o limpador obtém alimento. O texto é explícito ao afirmar que "os clientes mantêm a saúde e o limpador consegue alimento", caracterizando benefício recíproco — a definição clássica de mutualismo.

As relações ecológicas interespecíficas são interações entre indivíduos de espécies diferentes que podem ser classificadas pelo efeito (benefício, prejuízo ou neutralidade) que cada participante sofre. O mutualismo é a relação em que ambas as espécies são beneficiadas — e é exatamente o que o texto descreve: o peixe-limpador (bodião-de-noronha ou neon-cata-piolho) se alimenta de parasitas, tecidos doentes e muco dos clientes (peixes maiores e tartarugas), que por sua vez se livram desses problemas e mantêm a saúde. O biólogo resume: "os clientes mantêm a saúde e o limpador consegue alimento". Não há prejuízo para nenhum dos lados — pelo contrário, ambos ganham com a interação.

A distinção crucial que a banca explora é entre mutualismo, comensalismo e parasitismo. No comensalismo, uma espécie é beneficiada e a outra não é afetada (nem beneficiada nem prejudicada) — não é o caso, pois o cliente claramente se beneficia ao ser limpo. No parasitismo, uma espécie (parasita) se beneficia às custas de prejuízo à outra (hospedeiro) — também não é o caso, pois o cliente não é prejudicado; ao contrário, é beneficiado. O amensalismo é a relação em que uma espécie é prejudicada e a outra não é afetada — não se aplica aqui. O texto ainda reforça que a interação é benéfica para ambos ao descrever que os limpadores "se especializaram em comer parasitas, tecidos doentes ou muco de peixes maiores e tartarugas", e que os clientes "mantêm a saúde".

A pegadinha desta questão é sutil: o texto menciona que o neon-cata-piolho "abandonando os hábitos herbívoros de outros lugares para, no atol, saciar-se com vermes" — e o candidato pode ser tentado a classificar a relação como parasitismo, pensando que o limpador está "explorando" o cliente. Mas o texto deixa claro que o cliente se beneficia (saúde mantida), e que a interação é de limpeza, não de exploração. A relação é mutualista, pois há benefício recíproco.

Guarde o critério decisivo: quem ganha e quem perde? Se ambos ganham → mutualismo; se um ganha e o outro é indiferente → comensalismo; se um ganha e o outro perde → parasitismo ou predação; se um perde e o outro é indiferente → amensalismo. É exatamente esse balanço que separa as alternativas.

Relações ecológicas interespecíficas
  • 1Quem ganha e quem perde?
    • Ambos ganham
      • Mutualismo
    • Um ganha, outro indiferente
      • Comensalismo
    • Um ganha, outro perde
      • Parasitismo
      • Predação
    • Um perde, outro indiferente
      • Amensalismo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O parasitismo é a relação em que uma espécie (parasita) se beneficia causando prejuízo à outra (hospedeiro). No texto, o cliente não é prejudicado — pelo contrário, "os clientes mantêm a saúde". O limpador não vive às custas do cliente; ele remove parasitas e tecidos doentes, beneficiando ambos. A alternativa confunde a relação de limpeza com exploração parasitária.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O comensalismo é a relação em que uma espécie é beneficiada e a outra não é afetada (nem beneficiada nem prejudicada). No texto, o cliente é claramente beneficiado: "os clientes mantêm a saúde". Como ambos os lados ganham, a relação não é comensal — é mutualista. A alternativa ignora o benefício ao cliente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O amensalismo é a relação em que uma espécie é prejudicada e a outra não é afetada. Não há qualquer prejuízo descrito no texto — nem para o limpador, nem para o cliente. A relação é de benefício recíproco, o que exclui o amensalismo. A alternativa não encontra respaldo no texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O mutualismo é a relação ecológica interespecífica em que ambas as espécies são beneficiadas. O texto descreve exatamente isso: o peixe-limpador se alimenta de parasitas, tecidos doentes e muco dos clientes (obtendo alimento), e os clientes mantêm a saúde (benefício). O biólogo resume: "os clientes mantêm a saúde e o limpador consegue alimento". A relação é mutualista, pois há benefício recíproco e não há prejuízo para nenhum dos lados.

Gabarito: letra D

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