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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025

BiologiaGeral
Código
ce406762
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Uma cobra píton asiática (Python bivittatus) com cerca de 2 metros de comprimento foi encontrada em área urbana e solta em uma mata dentro de uma reserva de proteção ambiental no Distrito Federal, após ter sido confundida com uma jiboia. Segundo pessoas que participaram da operação de soltura, a cobra estava calma e aparentava ter sido criada em cativeiro.

 

Internet: <https://g1.globo.com> (com adaptações).

 

A partir da notícia precedente, julgue o item a seguir.

 

A soltura da cobra em reserva de proteção ambiental foi correta, porque o animal foi reintegrado a seu hábitat natural, o que possibilita que ele exerça o papel de promover o equilíbrio ecológico.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Espécies exóticas invasoras e o equilíbrio ecológico

Gabarito: ERRADO (letra E). A soltura da píton asiática (Python bivittatus) em uma reserva de proteção ambiental no Distrito Federal foi incorreta, pois se trata de uma espécie exótica invasora, não nativa do Cerrado. A reintegração ao "hábitat natural" é uma falácia: o hábitat natural dessa cobra é o Sudeste Asiático, não o Brasil. Ao ser solta, ela pode se tornar uma predadora de topo, competir com espécies nativas e desequilibrar a teia alimentar local, contrariando o papel de "promover o equilíbrio ecológico" que a afirmação lhe atribui.

O conceito central aqui é o de espécie exótica invasora. Uma espécie exótica é aquela que ocorre fora de sua área de distribuição natural, geralmente introduzida por ação humana (acidental ou intencionalmente). Quando essa espécie se estabelece, se reproduz e se dispersa no novo ambiente, causando danos à biodiversidade nativa, à economia ou à saúde humana, ela se torna uma espécie exótica invasora. A píton asiática é um exemplo clássico: na Flórida (EUA), tornou-se uma praga devastadora, predando aves, mamíferos e até jacarés, competindo com predadores nativos e alterando drasticamente a cadeia alimentar dos Everglades.

O que a afirmação da questão faz é uma inversão conceitual: ela trata a píton como se fosse uma espécie nativa, que estava sendo "reintegrada" ao seu hábitat. Mas o hábitat natural da píton é o Sudeste Asiático. O Cerrado, bioma do Distrito Federal, não faz parte da distribuição geográfica natural dessa espécie. Portanto, soltá-la ali não é "reintegrar ao hábitat natural", é introduzir uma espécie exótica em um novo ambiente, o que é um grave erro de manejo.

A legislação brasileira é clara nesse ponto. A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) e a Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967) estabelecem que a soltura de animais silvestres deve ocorrer em seu hábitat natural, e a introdução de espécies exóticas sem autorização é crime. Além disso, a Política Nacional de Biodiversidade e as resoluções do CONAMA tratam da prevenção e controle de espécies exóticas invasoras. O procedimento correto, no caso da notícia, seria o encaminhamento do animal a um centro de triagem de animais silvestres (CETAS) ou a um zoológico, onde ele receberia os cuidados adequados e não representaria risco ao ecossistema local.

A pegadinha da banca está em explorar a confusão entre "hábitat natural" e "área de proteção ambiental". O candidato pode pensar: "a reserva é um hábitat natural, então soltar a cobra lá é correto". Mas o que define a correção não é o local ser uma reserva, e sim a origem da espécie. Uma reserva de proteção ambiental protege as espécies nativas daquele bioma; introduzir uma espécie exótica ali é justamente o oposto do que a reserva se propõe a fazer. A píton, por ser uma predadora de grande porte, pode se tornar o novo topo da cadeia alimentar, predando espécies nativas que não evoluíram para lidar com esse predador, e competindo com outros predadores nativos, como a onça-parda e a jiboia. Isso quebra o equilíbrio ecológico, não o promove.

Guarde essa distinção: espécie nativa (ocorre naturalmente na região) × espécie exótica (introduzida, fora de sua área natural) × espécie exótica invasora (exótica que causa danos). É exatamente nessa fronteira que a questão se decide: a píton é exótica no Brasil, logo, soltá-la em uma reserva brasileira é um erro, independentemente de ser uma área de proteção.

Espécies e hábitat
  • 1Nativa
    • Ocorre naturalmente na região
    • Reintegração ao hábitat é correta
  • 2Exótica
    • Fora da área natural de distribuição
    • Introduzida por ação humana
  • 3Exótica invasora
    • Estabelece e se reproduz
    • Causa danos à biodiversidade
    • Desequilibra a cadeia alimentar
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Item — ❌ ERRADO

A afirmação está errada por dois motivos centrais:

  1. A píton asiática não é nativa do Brasil. Seu hábitat natural é o Sudeste Asiático. Soltá-la no Cerrado não é "reintegrar ao hábitat natural", é introduzir uma espécie exótica em um novo ambiente.

  2. Espécies exóticas invasoras não promovem o equilíbrio ecológico; elas o desequilibram. Ao se estabelecerem, podem predar espécies nativas sem predadores naturais, competir por recursos e alterar a estrutura da comunidade, causando perda de biodiversidade.

O procedimento correto seria o encaminhamento a um centro de triagem (CETAS) ou zoológico, nunca a soltura em área natural. A legislação brasileira (Lei de Crimes Ambientais, Lei de Proteção à Fauna) veda a introdução de espécies exóticas sem autorização, justamente para proteger os ecossistemas nativos.

Gabarito: ERRADO (letra E).

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