Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406770
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UnB
- Ano
- 2025
- Cargo
- Vest ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO (letra E). A afirmativa descreve a adaptação como um processo de desenvolvimento e atrofia de partes do corpo em resposta às necessidades do ambiente — essa é a essência do lamarckismo, não do darwinismo. Para Darwin, a adaptação é resultado da seleção natural atuando sobre variações aleatórias e herdáveis, sem qualquer direcionamento ou uso e desuso.
A teoria da evolução por seleção natural, proposta por Charles Darwin, revolucionou a biologia ao explicar a diversidade e a adaptação dos seres vivos sem recorrer a um criador ou a um plano pré-estabelecido. O ponto central é que as populações apresentam variações individuais — algumas conferem maior aptidão (capacidade de sobreviver e se reproduzir) em determinado ambiente. A seleção natural favorece os indivíduos mais aptos, que deixam mais descendentes, fazendo com que as características vantajosas se tornem mais frequentes ao longo das gerações. A adaptação, portanto, é uma consequência estatística desse processo, e não uma resposta direcionada do organismo às pressões ambientais.
A afirmativa da questão, ao dizer que "algumas partes do corpo se desenvolvam enquanto outras sejam atrofiadas", remete à ideia de uso e desuso — um dos pilares do lamarckismo. Lamarck propôs que o ambiente criaria necessidades que levariam os organismos a usar mais certas estruturas (que se desenvolveriam) e menos outras (que se atrofiariam), e que essas modificações seriam herdadas. Darwin, por sua vez, não negava que o uso e desuso pudesse ter algum efeito, mas o mecanismo central de sua teoria é a seleção natural sobre variações pré-existentes, não a adaptação dirigida pela necessidade.
Um exemplo clássico para diferenciar as duas teorias é o pescoço da girafa. Para Lamarck, as girafas esticavam o pescoço para alcançar folhas altas, e esse alongamento era transmitido aos descendentes. Para Darwin, existiam girafas com pescoços de comprimentos variados; as de pescoço mais longo tinham acesso a mais alimento, sobreviviam e se reproduziam mais, transmitindo essa característica. A variação é aleatória e pré-existente; a seleção natural apenas a "escolhe".
A banca explora exatamente essa confusão clássica entre darwinismo e lamarckismo. O candidato que lê a afirmativa e a associa à evolução de forma genérica pode marcá-la como correta, mas o detalhe "se desenvolvam enquanto outras sejam atrofiadas" é a assinatura do lamarckismo. A adaptação darwiniana não implica desenvolvimento ou atrofia dirigidos; ela é a acumulação de características que aumentam a aptidão, independentemente de qualquer "esforço" do organismo.
A banca troca o mecanismo de adaptação de Darwin pelo de Lamarck. A frase "partes do corpo se desenvolvam enquanto outras sejam atrofiadas" é a marca registrada do uso e desuso lamarckista. No darwinismo, a adaptação surge da seleção natural sobre variações aleatórias — não há direcionamento nem esforço do organismo. Fique atento a termos como "desenvolvem", "atrofiam", "uso", "desuso", "necessidade": eles apontam para Lamarck, não para Darwin.
A afirmativa está errada porque atribui a Darwin uma ideia que é central no lamarckismo. A adaptação por seleção natural não implica que "algumas partes do corpo se desenvolvam enquanto outras sejam atrofiadas" como resposta direta às necessidades do ambiente. Darwin propôs que a variação é aleatória e que a seleção natural favorece os indivíduos com características mais vantajosas, que se tornam mais comuns na população ao longo do tempo. O desenvolvimento ou atrofia de órgãos por uso e desuso, com herança dessas modificações, é a essência da teoria de Lamarck, não a de Darwin.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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