Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce406787
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UnB
- Ano
- 2025
- Cargo
- Vest ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO (letra E). A afirmação está incorreta porque o álcool é um depressor do sistema nervoso central (SNC), e não um estimulante que reduziria os sintomas de abstinência descritos. Além disso, os sintomas de abstinência (ansiedade, sudorese, taquicardia) são mediados pela ativação do sistema nervoso autônomo simpático, e não do sistema nervoso somático, como afirma o item. O consumo de álcool durante a abstinência de outras substâncias não é uma medida terapêutica e pode agravar o quadro, pois o álcool também causa dependência e seus efeitos depressores podem mascarar ou piorar os sintomas.
A abstinência é um conjunto de sinais e sintomas que surgem quando uma pessoa que desenvolveu dependência de uma substância psicoativa reduz ou interrompe abruptamente o seu uso. O organismo, que se adaptou à presença constante da droga, reage com uma série de manifestações físicas e psicológicas. No caso de substâncias estimulantes (como cocaína e crack), a abstinência pode cursar com depressão, fadiga e aumento do apetite. Já no caso de depressores (como álcool e benzodiazepínicos), a abstinência pode ser grave, com ansiedade, tremores, sudorese, taquicardia e, em casos extremos, delirium tremens. A afirmação do item mistura conceitos: atribui ao sistema nervoso somático (responsável pelo controle voluntário dos músculos esqueléticos) sintomas que são, na verdade, mediados pelo sistema nervoso autônomo, mais especificamente pela divisão simpática, que prepara o corpo para situações de estresse ou emergência, aumentando a frequência cardíaca, a sudorese e o estado de alerta.
O álcool, por ser um depressor do SNC, atua potencializando a ação do GABA (um neurotransmissor inibitório) e inibindo o glutamato (excitatório). Seus efeitos agudos incluem relaxamento, euforia inicial, diminuição da ansiedade e da inibição, mas também prejuízo motor e cognitivo. No contexto da abstinência de outras substâncias, o uso de álcool não é recomendado e não atua como um "tratamento" para os sintomas. Pelo contrário, o álcool pode interagir de forma imprevisível com outras drogas, aumentar o risco de dependência cruzada e não trata a causa subjacente da abstinência. A abordagem correta para a síndrome de abstinência envolve acompanhamento médico, suporte psicológico e, em alguns casos, medicamentos específicos para controlar os sintomas e prevenir complicações.
A distinção entre sistema nervoso somático e autônomo é crucial para entender o erro do item. O sistema nervoso somático controla as funções voluntárias, como a contração dos músculos esqueléticos (andar, falar, escrever). O sistema nervoso autônomo, por sua vez, regula as funções involuntárias do corpo, como batimentos cardíacos, respiração, digestão e sudorese. Ele se divide em simpático (responsável pela resposta de "luta ou fuga", aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a sudorese) e parassimpático (responsável pelas funções de "repouso e digestão", diminuindo a frequência cardíaca e promovendo o relaxamento). Os sintomas de abstinência descritos no item — ansiedade, sudorese e taquicardia — são claramente manifestações de hiperatividade do sistema nervoso autônomo simpático, e não do somático.
A banca explora a confusão entre os dois sistemas nervosos e o efeito do álcool. O candidato que sabe que o álcool é um depressor pode até pensar que ele "acalma" e reduz a ansiedade, mas a afirmação vai além ao dizer que ajuda a reduzir sudorese e taquicardia, o que não é verdadeiro no contexto da abstinência. Além disso, a ativação do sistema nervoso somático não produz esses sintomas. A pegadinha está em atribuir ao sistema nervoso errado a origem dos sintomas e em sugerir o álcool como uma solução, quando na verdade o consumo de álcool durante a abstinência é contraindicado e pode levar a um quadro de dependência adicional.
A afirmação está incorreta por dois motivos principais. Primeiro, os sintomas de abstinência (ansiedade, sudorese excessiva e taquicardia) são mediados pela ativação do sistema nervoso autônomo simpático, e não do sistema nervoso somático, que controla os movimentos voluntários. Segundo, o aumento no consumo de bebida alcoólica não ajuda a reduzir esses sintomas; o álcool é uma substância psicoativa que também causa dependência e pode agravar o quadro de abstinência, além de não ser um tratamento adequado. O álcool pode até ter um efeito sedativo inicial, mas não trata a causa da abstinência e pode levar a complicações graves, como dependência cruzada e interações medicamentosas.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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