Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Geral
Código
ce406799
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
A dialética da negatividade é o traço fundamental da imunidade. O imunologicamente outro é o negativo, que penetra no próprio e procura negá-lo. Nessa negatividade do outro, o próprio sucumbe, quando não consegue, de seu lado, negar aquele. A autoafirmação imunológica do próprio, portanto, se realiza como negação da negação. O próprio afirma-se no outro, negando a negatividade do outro. Também a profilaxia imunológica, portanto, a vacinação, segue a dialética da negatividade. Introduz-se no próprio apenas fragmentos do outro para provocar a imunorreação. Nesse caso a negação da negação ocorre sem perigo de vida, visto que a defesa imunológica não é confrontada com o outro, ele mesmo. Não são reações imunológicas que pressuporiam uma negatividade do outro imunológico. Ao contrário, são causadas por um excesso de positividade. O excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma.
Byung-Chul Han. Sociedade do cansaço.
Tradução de Enio Paulo Gianchini.Petrópolis: Vozes, 2015 (com adaptações).
Na obra Sociedade do cansaço, Byung-Chul Han desenvolve uma reflexão sobre a autoexploração e o mal-estar contemporâneo, incluindo o estresse e o esgotamento trazido pela busca de desempenho, e, nessa reflexão, ele explora e faz um paralelo com mecanismos biológicos, como a imunidade. Considerando essas informações e o fragmento de texto apresentado, julgue o item a seguir.
Em situações de estresse, as glândulas suprarrenais produzem adrenalina, a qual, por sua vez, aumenta a frequência cardíaca e o fluxo de sangue para os músculos.
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GabaritoC — Certo
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Sistema Endócrino: resposta ao estresse e adrenalina
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta: em situações de estresse, as glândulas suprarrenais (adrenais) liberam adrenalina (epinefrina), que prepara o corpo para a ação, aumentando a frequência cardíaca e redirecionando o fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos — resposta clássica de "luta ou fuga" mediada pelo sistema nervoso simpático.
O fragmento de Byung-Chul Han fala da "dialética da negatividade" e da imunidade como metáfora para a sociedade do desempenho, mas a questão não pede interpretação filosófica: ela cobra um conhecimento biológico objetivo sobre a fisiologia do estresse. A banca usa o texto apenas como contexto motivacional — o que decide o item é a fisiologia endócrina, não a leitura do autor.
A adrenalina é um hormônio produzido pela medula da glândula suprarrenal (adrenal), a porção interna da glândula. Quando o organismo percebe uma ameaça ou estresse — físico ou psicológico —, o hipotálamo ativa o sistema nervoso simpático, que estimula diretamente a medula adrenal a liberar adrenalina e noradrenalina na corrente sanguínea. Esse é o eixo rápido da resposta ao estresse, distinto do eixo lento (HHA: hipotálamo-hipófise-adrenal), que envolve o cortisol.
Os efeitos da adrenalina são mediados por receptores adrenérgicos espalhados pelo corpo. No coração, ela aumenta a frequência cardíaca (cronotropismo positivo) e a força de contração (inotropismo positivo). Nos vasos sanguíneos, provoca vasoconstrição em alguns leitos (pele, rins, trato gastrointestinal) e vasodilatação em outros (músculos esqueléticos, coração), redirecionando o fluxo sanguíneo para os músculos — exatamente o que a afirmação descreve. Esse redirecionamento é essencial para a resposta de "luta ou fuga": os músculos precisam de mais oxigênio e glicose para reagir rapidamente.
A afirmação está correta em todos os seus termos: (1) as glândulas suprarrenais produzem adrenalina em situações de estresse; (2) a adrenalina aumenta a frequência cardíaca; (3) a adrenalina aumenta o fluxo de sangue para os músculos. Não há erro conceitual nem troca de hormônio — a banca não inverteu adrenalina por cortisol, nem trocou o efeito cardíaco. O item é uma descrição fiel da fisiologia do estresse agudo.
Guarde a distinção entre os dois eixos da resposta ao estresse: o rápido (adrenalina/noradrenalina, via simpático-medular) e o lento (cortisol, via HHA). É exatamente essa fronteira que a banca explora em questões sobre estresse — e aqui ela não caiu na armadilha, mantendo a afirmação correta.
Resposta ao estresse
1Eixo rápido (adrenalina)
Produzida na medula da suprarrenal
Aumenta frequência cardíaca
Redireciona fluxo para músculos
2Eixo lento (cortisol)
Via HHA (hipotálamo-hipófise-adrenal)
Efeitos metabólicos
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Item — ✅ CERTO
A afirmação descreve corretamente a resposta fisiológica ao estresse agudo. As glândulas suprarrenais (adrenais) são compostas por duas regiões: o córtex (externo) e a medula (interno). A medula adrenal é responsável pela produção de adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina), hormônios catecolamínicos liberados em resposta à ativação do sistema nervoso simpático — que é acionado em situações de estresse, medo ou perigo.
A adrenalina atua em receptores adrenérgicos (alfa e beta) distribuídos pelo corpo. No coração, os receptores beta-1 aumentam a frequência cardíaca (efeito cronotrópico positivo) e a força de contração (efeito inotrópico positivo). Nos vasos sanguíneos, a ação é seletiva: vasoconstrição em leitos não essenciais (pele, rins, trato gastrointestinal) e vasodilatação em leitos essenciais para a fuga (músculos esqueléticos, coração). Esse redirecionamento do fluxo sanguíneo é exatamente o que a afirmação descreve: "aumenta a frequência cardíaca e o fluxo de sangue para os músculos".
A afirmação está correta em todos os seus termos: (1) as glândulas suprarrenais produzem adrenalina em situações de estresse; (2) a adrenalina aumenta a frequência cardíaca; (3) a adrenalina aumenta o fluxo de sangue para os músculos. Não há erro conceitual nem troca de hormônio — a banca não inverteu adrenalina por cortisol, nem trocou o efeito cardíaco. O item é uma descrição fiel da fisiologia do estresse agudo.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre estresse, monte mentalmente o quadro comparativo entre os dois eixos: o rápido (adrenalina/noradrenalina, via simpático-medular, efeitos imediatos: taquicardia, broncodilatação, redirecionamento do fluxo sanguíneo) e o lento (cortisol, via HHA, efeitos metabólicos: gliconeogênese, imunossupressão). Se a alternativa mencionar cortisol como responsável pelo aumento imediato da frequência cardíaca, está errada — esse é o papel da adrenalina.