Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Geral
Código
ce406800
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
A dialética da negatividade é o traço fundamental da imunidade. O imunologicamente outro é o negativo, que penetra no próprio e procura negá-lo. Nessa negatividade do outro, o próprio sucumbe, quando não consegue, de seu lado, negar aquele. A autoafirmação imunológica do próprio, portanto, se realiza como negação da negação. O próprio afirma-se no outro, negando a negatividade do outro. Também a profilaxia imunológica, portanto, a vacinação, segue a dialética da negatividade. Introduz-se no próprio apenas fragmentos do outro para provocar a imunorreação. Nesse caso a negação da negação ocorre sem perigo de vida, visto que a defesa imunológica não é confrontada com o outro, ele mesmo. Não são reações imunológicas que pressuporiam uma negatividade do outro imunológico. Ao contrário, são causadas por um excesso de positividade. O excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma.
Byung-Chul Han. Sociedade do cansaço.
Tradução de Enio Paulo Gianchini.Petrópolis: Vozes, 2015 (com adaptações).
Na obra Sociedade do cansaço, Byung-Chul Han desenvolve uma reflexão sobre a autoexploração e o mal-estar contemporâneo, incluindo o estresse e o esgotamento trazido pela busca de desempenho, e, nessa reflexão, ele explora e faz um paralelo com mecanismos biológicos, como a imunidade. Considerando essas informações e o fragmento de texto apresentado, julgue o item a seguir.
Os hormônios produzidos pela hipófise estimulam tecidos de várias partes do corpo, bem como células do sistema imunológico, o que evidencia a integração entre o sistema endócrino e as funções fisiológicas de defesa do organismo.
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GabaritoC — Certo
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Sistema endócrino e imunidade: a integração neuroimunoendócrina
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta: a hipófise (glândula mestra) produz hormônios que estimulam tecidos de várias partes do corpo, incluindo células do sistema imunológico, evidenciando a integração entre o sistema endócrino e as funções de defesa do organismo. Essa integração é um conceito consolidado da fisiologia, e o fragmento de Byung-Chul Han, ao fazer um paralelo entre a imunidade e a dialética da negatividade, não contradiz — antes, dialoga com — essa visão integrada do organismo.
A questão cobra um conhecimento de fisiologia humana que vai além do texto-base: a existência de uma comunicação bidirecional entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico. A hipófise, ou glândula pituitária, é considerada a "glândula mestra" porque secreta hormônios que controlam a atividade de outras glândulas endócrinas (como tireoide, adrenais e gônadas) e também atuam diretamente sobre diversos tecidos. Entre esses hormônios, alguns têm efeitos diretos sobre o sistema imunológico: o hormônio do crescimento (GH) estimula a produção de linfócitos e a atividade de macrófagos; a prolactina modula a resposta imune; e o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), ao estimular o cortisol, regula a inflamação e a imunidade. Além disso, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) é um dos principais mediadores da interação entre estresse, sistema endócrino e imunidade — exatamente o tema que Han aborda ao falar do "excesso de positividade" e do "infarto da alma".
O texto-base, embora filosófico, usa a imunologia como metáfora: a "negação da negação" descreve como o sistema imune reconhece e neutraliza o "outro" (antígeno). Essa metáfora não nega a base fisiológica; pelo contrário, pressupõe que o sistema imunológico é um sistema integrado, regulado por hormônios e pelo sistema nervoso. A vacinação, citada no texto, é um exemplo claro: ao introduzir fragmentos do patógeno, o organismo monta uma resposta imune sem adoecer — processo que depende de células como linfócitos B e T, cuja atividade é modulada por hormônios hipofisários.
Na prática, a integração neuroimunoendócrina se manifesta em situações cotidianas: o estresse crônico eleva o cortisol (via ACTH hipofisário), o que suprime a imunidade e aumenta a suscetibilidade a infecções. Por outro lado, a prolactina e o GH, também hipofisários, estimulam a proliferação de linfócitos e a atividade de macrófagos, fortalecendo a defesa. Essa regulação é essencial para a homeostase — o equilíbrio dinâmico do organismo — e é o que a afirmação da questão descreve.
A distinção que importa aqui é entre o sistema endócrino (que usa hormônios como mensageiros químicos) e o sistema imunológico (que usa células e anticorpos). Embora sejam sistemas distintos, eles não atuam isoladamente: hormônios como o cortisol, a prolactina e o GH influenciam diretamente a resposta imune, e citocinas produzidas por células imunes podem afetar o eixo hipotálamo-hipófise. Essa comunicação bidirecional é o que a banca explora — e o candidato que não conhece essa integração pode achar que a afirmação é falsa por "misturar" sistemas, quando na verdade ela descreve um mecanismo real.
A pegadinha desta questão é justamente essa: o texto-base é filosófico e fala de "negatividade" e "imunidade" de forma metafórica, o que pode levar o aluno a achar que a questão é sobre interpretação de texto e não sobre fisiologia. Mas a afirmação é uma proposição biológica factual, e o texto apenas contextualiza. A banca quer que o candidato perceba que a metáfora de Han se apoia em um conhecimento científico real: a imunidade é regulada por hormônios, e a hipófise é central nesse processo.
Guarde o critério decisivo: a hipófise produz hormônios que afetam múltiplos tecidos, incluindo o sistema imunológico — é essa integração que torna a afirmação correta. Agora, vejamos o item.
Integração neuroimunoendócrina
1Hipófise (glândula mestra)
GH
Estimula linfócitos
Ativa macrófagos
Prolactina
Modula resposta imune
ACTH
Cortisol regula inflamação
2Eixo HHA
Estresse crônico
Cortisol suprime imunidade
3Comunicação bidirecional
Hormônios afetam imunidade
Citocinas afetam eixo hipotálamo-hipófise
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Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO
A afirmação está correta porque descreve com precisão a função da hipófise e sua relação com o sistema imunológico. A hipófise, localizada na base do encéfalo, secreta hormônios como GH, prolactina, ACTH, TSH e gonadotrofinas, que atuam em diversos tecidos-alvo. Especificamente, o GH estimula a produção de linfócitos e a atividade de macrófagos; a prolactina modula a resposta imune; e o ACTH, ao induzir a liberação de cortisol pelas adrenais, regula a inflamação e a imunidade. Esses efeitos demonstram que o sistema endócrino e o sistema imunológico estão integrados, formando uma rede de comunicação que mantém a homeostase.
O texto-base, ao falar da "autoafirmação imunológica do próprio" e da "negação da negação", usa a imunidade como metáfora para a dialética da negatividade, mas não nega a base fisiológica — pelo contrário, a vacinação, citada no texto, é um exemplo de como o sistema imunológico responde a estímulos controlados, processo que depende de hormônios e células imunes. Portanto, a afirmação está em plena consonância com o conhecimento científico e com o contexto apresentado.
PEGA ESSA DICA!
Para questões que envolvem integração entre sistemas, lembre-se de que o corpo humano não funciona em "caixas estanques": o sistema endócrino, o nervoso e o imunológico se comunicam constantemente. Na prova, se a afirmação descrever um hormônio afetando células imunes, ela está correta — a menos que haja um erro factual claro (como trocar a glândula ou o hormônio). Aqui, a hipófise é realmente a "glândula mestra" que influencia a imunidade, então a afirmação é verdadeira.