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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025

BiologiaGeral
Código
ce406801
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

A dialética da negatividade é o traço fundamental da imunidade. O imunologicamente outro é o negativo, que penetra no próprio e procura negá-lo. Nessa negatividade do outro, o próprio sucumbe, quando não consegue, de seu lado, negar aquele. A autoafirmação imunológica do próprio, portanto, se realiza como negação da negação. O próprio afirma-se no outro, negando a negatividade do outro. Também a profilaxia imunológica, portanto, a vacinação, segue a dialética da negatividade. Introduz-se no próprio apenas fragmentos do outro para provocar a imunorreação. Nesse caso a negação da negação ocorre sem perigo de vida, visto que a defesa imunológica não é confrontada com o outro, ele mesmo. Não são reações imunológicas que pressuporiam uma negatividade do outro imunológico. Ao contrário, são causadas por um excesso de positividade. O excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma.


Byung-Chul Han. Sociedade do cansaço.
Tradução de Enio Paulo Gianchini.Petrópolis: Vozes, 2015 (com adaptações).

Na obra Sociedade do cansaço, Byung-Chul Han desenvolve uma reflexão sobre a autoexploração e o mal-estar contemporâneo, incluindo o estresse e o esgotamento trazido pela busca de desempenho, e, nessa reflexão, ele explora e faz um paralelo com mecanismos biológicos, como a imunidade. Considerando essas informações e o fragmento de texto apresentado, julgue o item a seguir.

 

A pele, além de ser um dos principais órgãos sensoriais do corpo humano e de auxiliar um indivíduo a reconhecer outro, mesmo nos casos em que os demais sistemas, como visão e audição, não estão presentes, também está diretamente envolvida na proteção contra a entrada de organismos patógenos, podendo ser considerada parte integrante do sistema imunológico.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A pele como barreira imunológica: primeira linha de defesa

Gabarito: CERTO. A afirmação está correta: a pele, além de ser um órgão sensorial e auxiliar no reconhecimento entre indivíduos, atua como barreira física que impede a entrada de patógenos, sendo considerada parte integrante do sistema imunológico — mais especificamente, da imunidade inata. O texto de Byung-Chul Han, embora use a imunidade como metáfora filosófica, não contradiz esse fato biológico; ao contrário, a vacinação que ele menciona depende justamente da existência de barreiras e mecanismos de defesa como a pele.

A pele é o maior órgão do corpo humano e desempenha múltiplas funções. Como órgão sensorial, contém receptores para tato, pressão, temperatura e dor, permitindo que o indivíduo perceba o ambiente e reconheça outros seres — inclusive quando visão e audição estão comprometidas, como no caso de pessoas surdocegas, que utilizam o tato para se comunicar e reconhecer pessoas. Essa função sensorial é possível graças à grande quantidade de terminações nervosas presentes na derme e na epiderme.

Além disso, a pele é a primeira barreira física contra a entrada de microrganismos. A camada mais externa, a epiderme, é formada por células queratinizadas e impermeáveis, que dificultam a penetração de bactérias, vírus e fungos. Essa função de barreira é um componente essencial da imunidade inata, que é a primeira linha de defesa do organismo, agindo de forma inespecífica contra qualquer agente estranho. A pele também produz substâncias antimicrobianas, como o sebo e o suor, que criam um ambiente hostil para muitos patógenos.

O sistema imunológico é composto por barreiras físicas, químicas e biológicas, além de células e órgãos especializados. As barreiras físicas incluem a pele e as mucosas; as químicas incluem o pH ácido da pele e as enzimas presentes nas secreções; as biológicas incluem a microbiota normal, que compete com patógenos por espaço e nutrientes. A pele, portanto, não é apenas um revestimento passivo, mas um órgão ativo de defesa, com células como os queratinócitos que produzem citocinas e peptídeos antimicrobianos, e as células de Langerhans, que são células apresentadoras de antígenos.

A distinção entre imunidade inata e adaptativa é fundamental para entender o papel da pele. A imunidade inata é a primeira linha de defesa, age rapidamente e de forma inespecífica, incluindo barreiras físicas, fagócitos e proteínas do complemento. A imunidade adaptativa é mais lenta, específica e gera memória imunológica, envolvendo linfócitos B e T. A pele participa principalmente da imunidade inata, mas também pode iniciar respostas adaptativas através das células de Langerhans, que capturam antígenos e os apresentam aos linfócitos nos linfonodos.

A pegadinha desta questão é que o texto de Han fala de imunidade em sentido filosófico, como metáfora para a autoexploração e o esgotamento. O candidato pode se confundir e achar que a questão trata apenas de interpretação de texto, mas o enunciado pede para julgar uma afirmação biológica sobre a pele. A banca explora a interdisciplinaridade, mas o núcleo da questão é o conhecimento de anatomia e fisiologia da pele como órgão imunológico.

Guarde a fronteira entre barreira física e resposta imune celular: a pele é a primeira barreira, mas também participa ativamente da resposta imune. É exatamente essa dupla função que a alternativa correta espelha.

Pele
  • 1Órgão sensorial
    • Tato, pressão, temperatura, dor
    • Reconhece outros indivíduos
  • 2Barreira física
    • Epiderme queratinizada e impermeável
    • Impede entrada de patógenos
  • 3Sistema imunológico
    • Imunidade inata (1ª linha)
    • Substâncias antimicrobianas (sebo, suor)
    • Células de Langerhans (apresentam antígenos)
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Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO

A afirmação está correta por três razões principais. Primeiro, a pele é um órgão sensorial: contém receptores para tato, pressão, temperatura e dor, permitindo o reconhecimento de outros indivíduos mesmo sem visão e audição — como no caso de pessoas surdocegas, que usam o tato para se comunicar. Segundo, a pele é uma barreira física contra patógenos: a epiderme queratinizada e impermeável impede a entrada de bactérias, vírus e fungos. Terceiro, a pele é parte integrante do sistema imunológico, atuando na imunidade inata como primeira linha de defesa, além de produzir substâncias antimicrobianas e abrigar células como as de Langerhans, que iniciam respostas adaptativas.

O texto de Byung-Chul Han, embora use a imunidade como metáfora filosófica, não contradiz essa afirmação. Ao contrário, a vacinação que ele menciona — "Introduz-se no próprio apenas fragmentos do outro para provocar a imunorreação" — depende da existência de barreiras e mecanismos de defesa como a pele. A pele é, portanto, um órgão multifuncional que integra sensorialidade e defesa imunológica.

PEGA ESSA DICA!

Para questões que relacionam texto filosófico e biologia, separe as duas camadas: primeiro julgue a afirmação biológica com base no conhecimento científico; depois verifique se o texto a contradiz. Aqui, a afirmação biológica é verdadeira e o texto apenas usa a imunidade como metáfora, sem negar os fatos. Na prova, leia o enunciado com atenção para identificar o que está sendo pedido: interpretação de texto ou conhecimento específico.

Gabarito: CERTO

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