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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025

BiologiaGeral
Código
ce406808
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

O processo de domesticação do cupuaçu ocorreu no final do Holoceno — era geológica marcada pela estabilização meteorológica após o último processo de glaciação da Terra. De acordo com evidências arqueológicas, foi nesse período que os povos da Amazônia passaram a aprimorar técnicas dentro da agrobiodiversidade — procedimentos de manejo de terra que, além de se mostrarem vantajosos produtivamente, também colaboravam para a conservação da floresta. Dados genéticos do fruto e informações arqueológicas sobre os povos da Amazônia revelaram que o cupuaçu não é uma espécie nativa, tendo surgido da domesticação do cupuí pelos indígenas. Espécies domesticadas são aquelas originadas por meio de uma seleção artificial pela ação humana.


Camilla Almeida. Cupuaçu só surgiu com a domesticação de fruto por indígenas.
Jornal da USP, 2023 (com adaptações).

A partir das informações do texto precedente, julgue o item seguinte.   De acordo com Charles Darwin, os organismos evoluem a partir da seleção natural, que leva à morte dos mais frágeis e à vantagem evolutiva dos mais fortes, tendo sido essa a base teórica da seleção artificial utilizada no desenvolvimento do cupuaçu.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Seleção natural e seleção artificial: a distinção que decide a questão

Gabarito: ERRADO (letra E). A afirmação distorce a teoria de Darwin ao dizer que a seleção natural "leva à morte dos mais frágeis e à vantagem evolutiva dos mais fortes" — o que Darwin propôs é que os organismos mais aptos ao ambiente (não necessariamente os "mais fortes") têm maior chance de sobreviver e se reproduzir, e que a seleção natural atua sem intenção ou finalidade, ao contrário da seleção artificial, que é dirigida pelo ser humano. A base teórica da seleção artificial usada no desenvolvimento do cupuaçu é a seleção artificial em si, inspirada na seleção natural, mas não se confunde com ela.

A seleção natural é o mecanismo evolutivo proposto por Charles Darwin (e Alfred Russel Wallace) em que o ambiente atua como agente seletor sobre a variação existente nas populações. Os indivíduos que possuem características que aumentam sua chance de sobrevivência e reprodução em determinado ambiente tendem a deixar mais descendentes, fazendo com que essas características se tornem mais frequentes ao longo das gerações. É importante destacar que a seleção natural não tem intenção nem finalidade — ela não "quer" nada, não "busca" aperfeiçoar as espécies. O resultado é apenas a maior frequência de características que conferem maior aptidão (fitness) naquele contexto ambiental específico.

A seleção artificial, por sua vez, é o processo em que o ser humano atua como agente seletor, escolhendo quais indivíduos vão se reproduzir com base em características desejadas. Foi exatamente essa analogia que inspirou Darwin: assim como os criadores selecionam características em plantas e animais domésticos, a natureza "seleciona" os organismos mais aptos. No caso do cupuaçu, o texto-base afirma que ele "não é uma espécie nativa, tendo surgido da domesticação do cupuí pelos indígenas" — ou seja, houve seleção artificial pelos povos indígenas da Amazônia, que escolheram e cultivaram variedades com características vantajosas.

A afirmação do enunciado contém dois erros conceituais graves. Primeiro, reduz a seleção natural a uma luta entre "fortes" e "frágeis", quando na verdade o que importa é a aptidão ao ambiente — um organismo pode ser "fraco" em termos de força física, mas ter uma característica que o torna mais apto a sobreviver e reproduzir naquele ambiente específico. Segundo, sugere que a seleção natural foi a "base teórica" da seleção artificial, quando na verdade são processos distintos: a seleção natural é um mecanismo evolutivo sem intenção, enquanto a seleção artificial é dirigida pela ação humana com uma finalidade específica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "mais apto" e "mais forte". Na teoria de Darwin, o que importa é a aptidão ao ambiente (capacidade de sobreviver e reproduzir), não a força física. Além disso, inverte a relação entre seleção natural e artificial: a seleção artificial é que foi inspirada na natural, e não o contrário. Fique atento a essas duas trocas — elas são clássicas em questões de evolução.

Item — ❌ ERRADO

A afirmação está incorreta por três motivos principais:

  1. "Morte dos mais frágeis e vantagem evolutiva dos mais fortes": essa é uma visão distorcida da seleção natural. Darwin não falava em "fortes" e "frágeis", mas em organismos mais aptos ao ambiente. A aptidão (fitness) é medida pela capacidade de sobreviver e deixar descendentes férteis, não pela força física. Um organismo pode ser fisicamente fraco, mas ter uma camuflagem eficiente, por exemplo, e ser mais apto que um "forte" sem essa característica.

  1. "Base teórica da seleção artificial": a seleção artificial não tem a seleção natural como base teórica — na verdade, é o contrário. Darwin se inspirou na seleção artificial (praticada por criadores de plantas e animais) para formular a ideia de seleção natural. A seleção artificial é um processo dirigido pelo ser humano, com intenção e finalidade; a seleção natural é um processo sem intenção, em que o ambiente atua como agente seletor.

  1. Aplicação ao cupuaçu: o texto-base afirma que o cupuaçu surgiu da domesticação do cupuí pelos indígenas, ou seja, por seleção artificial — os indígenas selecionaram e cultivaram variedades com características desejadas. A seleção natural não foi o mecanismo que originou o cupuaçu; foi a ação humana, com intenção e finalidade, que o fez.

Gabarito: ERRADO (letra E).

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