Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Geral
Código
ce406813
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
A radioatividade, fenômeno de desintegração espontânea de núcleos atômicos instáveis, tem implicações que se estendem muito além da química nuclear, influenciando diversas áreas da ciência e da tecnologia.
A energia liberada durante esse processo, particularmente a fissão nuclear, tornou-se uma fonte crucial para a produção e o fornecimento de energia elétrica em usinas nucleares. Nos reatores dessas usinas, o calor gerado pela fissão do urânio ou do plutônio é utilizado para aquecer água, produzindo-se vapor, que, por sua vez, aciona turbinas conectadas a geradores elétricos.
No campo da saúde, a aplicação da radioatividade é observada, por exemplo, na tomografia por emissão de pósitrons, exame conhecido como PET scan, utilizado para o diagnóstico de alguns tipos de câncer, como o de pulmão e o colorretal, e linfomas.
Outra aplicação é a esterilização por radiação gama, que utiliza raios gama emitidos pelo cobalto-60 para destruir microrganismos, como bactérias, fungos, vírus e esporos, quebrando seu DNA e impedindo sua reprodução. É um método seguro e eficaz, especialmente para produtos médicos de uso único, alimentos, cosméticos e farmacêuticos, devido a sua capacidade de penetração profunda, sem geração de resíduos. O processo é realizado em câmaras de concreto, onde os produtos em embalagens são expostos à radiação em uma dose controlada, sem que o produto final se torne radioativo.
A respeito da radioatividade e de suas aplicações, julgue o item seguinte.
O uso de radiofármacos em exames como o PET scan demonstra uma aplicação da radioatividade dissociada da eletroquímica, visto que a transmissão de impulsos nervosos é um fenômeno puramente elétrico.
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Radioatividade e suas aplicações: PET scan e a transmissão de impulsos nervosos
Gabarito: ERRADO (letra E). A afirmação está incorreta porque a transmissão de impulsos nervosos não é um fenômeno puramente elétrico: nas sinapses químicas, a comunicação entre neurônios depende da liberação de neurotransmissores, substâncias químicas que atravessam a fenda sináptica. Portanto, a aplicação da radioatividade no PET scan não está "dissociada da eletroquímica" por esse motivo, já que o funcionamento do sistema nervoso envolve tanto fenômenos elétricos quanto químicos.
A radioatividade é um fenômeno de desintegração espontânea de núcleos atômicos instáveis, que libera energia na forma de partículas ou radiação eletromagnética. No PET scan (tomografia por emissão de pósitrons), utiliza-se um radiofármaco que emite pósitrons; quando esses pósitrons se aniquilam com elétrons do corpo, geram raios gama que são detectados pelo equipamento, permitindo a visualização de processos metabólicos. Essa é uma aplicação médica da radioatividade, mas a afirmação do enunciado tenta estabelecer uma relação incorreta entre essa aplicação e a eletroquímica.
A transmissão de impulsos nervosos é um processo complexo que envolve duas etapas principais: a condução do impulso ao longo do neurônio (fenômeno elétrico, baseado em potenciais de ação e na movimentação de íons através da membrana) e a transmissão entre neurônios ou entre neurônio e célula efetora (fenômeno químico, mediado por neurotransmissores na sinapse). A sinapse química é o tipo mais comum, onde o impulso elétrico chega à terminação axônica e provoca a liberação de neurotransmissores na fenda sináptica, que se ligam a receptores na membrana da célula pós-sináptica, gerando um novo impulso ou uma resposta celular.
A eletroquímica, por sua vez, é o ramo da química que estuda as relações entre reações químicas e corrente elétrica, incluindo processos de oxirredução, pilhas e eletrólise. Embora a condução do impulso nervoso envolva movimentação de íons (como sódio e potássio) e diferenças de potencial elétrico, a transmissão sináptica é fundamentalmente química. Portanto, a afirmação de que a transmissão de impulsos nervosos é "um fenômeno puramente elétrico" é falsa, pois ignora o papel essencial dos neurotransmissores.
A banca explora aqui uma confusão conceitual: o candidato pode associar "eletroquímica" apenas a fenômenos elétricos e concluir que a transmissão nervosa, por envolver potenciais de ação, seria puramente elétrica. No entanto, a sinapse química demonstra que há um componente químico fundamental. Além disso, a afirmação tenta estabelecer uma relação de "dissociação" entre a radioatividade e a eletroquímica, o que não faz sentido, pois são áreas distintas da ciência que não precisam estar associadas ou dissociadas dessa forma.
O critério decisivo para julgar esta questão é entender que a transmissão de impulsos nervosos é um processo misto (elétrico e químico), e não puramente elétrico. A presença da sinapse química, com a liberação de neurotransmissores, desmonta a premissa da afirmação. Portanto, a afirmativa está errada.
1Potencial de ação (elétrico)
2Liberação de neurotransmissores (químico)
3Ligação ao receptor pós-sináptico
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Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A afirmação está incorreta porque a transmissão de impulsos nervosos não é um fenômeno puramente elétrico. Embora a condução do impulso ao longo do neurônio seja elétrica (potencial de ação), a transmissão entre neurônios ocorre principalmente por sinapses químicas, onde neurotransmissores (como acetilcolina, adrenalina, dopamina) são liberados na fenda sináptica e se ligam a receptores na célula pós-sináptica. Esse processo químico é essencial para a comunicação neuronal. Portanto, a premissa de que a transmissão é "puramente elétrica" é falsa, e a conclusão de que o uso de radiofármacos no PET scan está "dissociado da eletroquímica" por esse motivo também é incorreta. A radioatividade e a eletroquímica são áreas distintas, mas a justificativa apresentada é equivocada.