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Questão de Criminalística — Identificação Genética — CESPE / CEBRASPE 2025

CriminalísticaIdentificação Genética
Código
ce407340
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PF
Ano
2025
Cargo
PCF

Em investigações forenses, vestígios biológicos coletados sob as unhas de vítimas podem ser cruciais para esclarecer casos de agressão física ou sexual. Um estudo recente avaliou a transferência e persistência de DNA masculino sob as unhas de mulheres em simulações controladas de arranhões. As amostras subungueais foram coletadas em diferentes momentos após o contato, sem limpeza prévia das unhas. Os resultados indicaram que o DNA do homem arranhado foi detectado até 6 horas após o evento, com uma diminuição significativa após as 3 primeiras horas. Além disso, entre 6 e 24 horas após o arranhão, foram detectados perfis genéticos masculinos estranhos aos participantes, o que sugere possível contaminação de fundo ou transferência posterior. Esses achados reforçam a importância de se considerarem o tempo de coleta e a possibilidade de DNA de fundo na interpretação de evidências subungueais, especialmente ao se avaliar o tipo de atividade envolvida.


Damour, Géraldine et al. Tracking male DNA transfer and survival under female victim fingernails: insights from a 24 h scratch simulation. Forensic Science International: Genetics, v. 78, 2025 (com adaptações).

Considerando o texto precedente como referência inicial, julgue o item subsequente, relativo à genética forense.   Se o DNA de fundo das amostras subungueais for originário de um animal macho, como o cachorro da vítima, por exemplo, e estiver em maior quantidade que o DNA do suspeito, o perfil genético obtido por análise de conjuntos comerciais de STR (short tandem repeats) do cromossomo Y irá excluir o suspeito.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Genética Forense: Análise de STR do Cromossomo Y e DNA de Fundo

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmativa está incorreta porque a presença de DNA de fundo de um animal macho (como o cachorro da vítima) em maior quantidade não exclui o suspeito na análise de STR do cromossomo Y, uma vez que os conjuntos comerciais de STR são específicos para humanos e não amplificam DNA de outras espécies. O texto-base reforça a necessidade de considerar o DNA de fundo na interpretação, mas não sustenta a conclusão de exclusão automática do suspeito.

A genética forense utiliza marcadores genéticos para individualizar vestígios biológicos, e a análise de STR (short tandem repeats) é uma das técnicas mais empregadas. Os STRs são sequências repetitivas de DNA que variam entre indivíduos, permitindo a construção de perfis genéticos. No caso específico do cromossomo Y, a análise é direcionada a marcadores presentes exclusivamente nesse cromossomo, que é transmitido de pai para filho do sexo masculino. Essa característica torna a análise de Y-STR particularmente útil em casos de agressão sexual, onde há mistura de DNA masculino e feminino, pois permite identificar o perfil masculino mesmo na presença de grande quantidade de DNA feminino.

No entanto, a especificidade dos conjuntos comerciais de STR é um ponto crucial. Os kits utilizados em laboratórios forenses são desenhados para amplificar regiões específicas do genoma humano. A sequência dos primers (iniciadores) usados na reação em cadeia da polimerase (PCR) é complementar a sequências humanas, e não a sequências de outras espécies. Portanto, mesmo que haja grande quantidade de DNA de um animal, como um cachorro, a PCR não amplificará esses fragmentos, pois os primers não se anelarão ao DNA não humano. Isso significa que o DNA de fundo animal não interfere na análise de STR humano, e a presença dele não exclui o suspeito.

O texto-base menciona a detecção de "perfis genéticos masculinos estranhos aos participantes" entre 6 e 24 horas após o arranhão, sugerindo possível contaminação de fundo ou transferência posterior. Essa observação é relevante para a interpretação dos resultados, mas não implica que o DNA de fundo animal seja amplificado pelos kits de STR. A contaminação de fundo mencionada no estudo refere-se a DNA humano de outras fontes, não a DNA animal. Portanto, a afirmativa da questão confunde dois conceitos: a presença de DNA de fundo (que pode ser de origem humana ou animal) e a especificidade da análise de STR para humanos.

A pegadinha da questão está em sugerir que o DNA de fundo animal, por estar em maior quantidade, poderia "mascarar" ou "excluir" o perfil do suspeito. Na prática, a análise de STR é altamente específica para humanos, e a presença de DNA de outras espécies não afeta a amplificação dos marcadores humanos. A exclusão de um suspeito só ocorre quando o perfil genético obtido da amostra não corresponde ao perfil do suspeito, e essa comparação é feita com base nos alelos dos STRs humanos. A quantidade de DNA de fundo animal é irrelevante para essa comparação.

Além disso, é importante destacar que a análise de Y-STR é particularmente útil em casos de mistura, pois permite isolar o componente masculino. Mesmo que haja grande quantidade de DNA feminino ou de outras espécies, a análise de Y-STR amplifica apenas os marcadores do cromossomo Y, que são específicos de machos humanos. Portanto, a presença de DNA de um cachorro macho não interfere na análise, pois os primers dos kits de Y-STR são específicos para o cromossomo Y humano.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que a presença de DNA de fundo animal em maior quantidade poderia "excluir" o suspeito, confundindo a especificidade da análise de STR. Na prática, os kits comerciais de STR são desenhados para amplificar apenas DNA humano, e a presença de DNA de outras espécies não interfere na análise. A exclusão de um suspeito só ocorre quando o perfil genético humano obtido não corresponde ao perfil do suspeito.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmativa está incorreta porque a análise de STR do cromossomo Y é específica para humanos. Os conjuntos comerciais de STR utilizam primers que se anelam a sequências do genoma humano, e não a sequências de outras espécies. Portanto, mesmo que haja grande quantidade de DNA de um animal macho, como o cachorro da vítima, esse DNA não será amplificado na reação de PCR, e o perfil genético obtido será apenas do DNA humano presente na amostra. A presença de DNA de fundo animal não exclui o suspeito; a exclusão só ocorreria se o perfil genético humano obtido não correspondesse ao perfil do suspeito.

Gabarito: letra E

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