Questão de Filosofia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce412934
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UnB
- Ano
- 2025
- Cargo
- Vest ( )

Internet: <expresso.pt>.
Quando falo de humanidade, não estou falando só do Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos baleia, tiramos barbatana de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que a gente achou que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade — que está na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos protocolos das instituições —, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são a sub-humanidade. Não são só os caiçaras, quilombolas e povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso (...)
Ailton Krenak. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020, p. 9-10 (com adaptações).
Com base na imagem precedente, que corresponde à obra Pinguins-de-barbicha, de Sebastião Salgado, e no fragmento de texto da obra A vida não é útil, do filósofo Ailton Krenak, julgueo item a seguir.
Ao longo do texto, Krenak emprega a palavra “humanidade” com sentidos diferentes: primeiro, inclui outros seres além do Homo sapiens; depois, designa apenas uma concepção hegemônica e excludente de humanidade, em relação à qual os seres diferentes seriam classificados como sub-humanidade.
- CCerto
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