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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce414387
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC DF
Ano
2025
Cargo
GAAPC ( )

Texto CB1A1 


        O renomado linguista e filósofo Noam Chomsky e outros dois especialistas em linguística, Ian Roberts e Jeffrey Watumull, escreveram um artigo para o jornal The New York Times, em março de 2023, compartilhando sua visão sobre os avanços que vêm ocorrendo no campo da inteligência artificial (IA). 


        Para os intelectuais, os avanços “supostamente revolucionários” apresentados pelos desenvolvedores da IA são motivo “tanto para otimismo como para preocupação”. 


        No primeiro caso, porque as ferramentas de IA podem ser úteis para resolver certas problemáticas, ao passo que, no segundo, “tememos que a variedade mais popular e em voga da inteligência artificial (aprendizado automático) degrade nossa ciência e deprecie nossa ética ao incorporar à tecnologia uma concepção fundamentalmente errônea da linguagem e do conhecimento”.


        Embora os linguistas reconheçam que as IA são eficazes na tarefa de armazenar imensas quantidades de informação, que não necessariamente são verídicas, elas não possuem uma “inteligência” como a das pessoas. “Por mais úteis que esses programas possam ser em alguns campos específicos (como na programação de computadores, por exemplo, ou na sugestão de rimas para versos rápidos), sabemos, pela ciência da língua e pela filosofia do conhecimento, que diferem profundamente do modo como os seres humanos raciocinam e utilizam a linguagem”, alertaram. “Essas diferenças impõem limitações significativas ao que podem fazer, que pode ser codificado com falhas inerradicáveis”.


        Nesse sentido, os autores detalharam que, diferentemente de mecanismos de aplicativos como o ChatGPT, que operam com base na coleta de inúmeros dados, a mente humana pode funcionar com pequenas quantidades de informação, por meio das quais “não busca inferir correlações abruptas entre pontos (...), mas, sim, criar explicações”.


        Nessa linha, manifestam que esses aplicativos não são realmente “inteligentes”, pois carecem de capacidade crítica. Embora possam descrever e prever “o que é”, “o que foi” e “o que será”, não são capazes de explicar “o que não é” e “o que não poderia ser”.


Internet: <ihu.unisinos.br> (com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativos a aspectos linguísticos do texto CB1A1.   As aspas no trecho ‘supostamente revolucionários’ (segundo parágrafo) denotam a ironia com que a expressão foi empregada no texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso das aspas em 'supostamente revolucionários'

Gabarito: Errado. As aspas no trecho 'supostamente revolucionários' não denotam ironia; elas sinalizam que a expressão é uma citação — o texto está reproduzindo o que os desenvolvedores de IA dizem sobre seus próprios avanços. A passagem que prova isso está no segundo parágrafo:

"Para os intelectuais, os avanços 'supostamente revolucionários' apresentados pelos desenvolvedores da IA são motivo 'tanto para otimismo como para preocupação'."

O termo aparece entre aspas porque é a fala dos desenvolvedores transcrita pelos autores, não porque haja tom irônico. A ironia exigiria uma pista textual de que o autor discorda ou zomba da expressão — o que não ocorre; pelo contrário, os autores reconhecem que as IA podem ser úteis em alguns campos.

O comando

A questão pede que você julgue se as aspas denotam ironia. Isso é uma questão de compreensão (o que o texto diz) e de conhecimento dos usos das aspas. Você precisa identificar a função do sinal no contexto específico, não apenas saber que aspas podem indicar ironia.

O texto

O texto é um artigo de opinião de Chomsky e outros linguistas sobre IA. No segundo parágrafo, eles citam a expressão usada pelos desenvolvedores: "supostamente revolucionários". A palavra "supostamente" já indica que os autores questionam se os avanços são realmente revolucionários, mas isso não torna a expressão irônica — é uma ressalva (eles duvidam, mas não zombam). A ironia seria um recurso mais forte, com intenção de ridicularizar.

A técnica

Para resolver, pergunte: qual é a função das aspas aqui? As aspas têm vários usos:

  • Citar a fala de alguém (discurso direto).

  • Destacar uma palavra ou expressão (como termo técnico ou estrangeirismo).

  • Indicar ironia ou sentido figurado.

No trecho, as aspas estão citando a expressão usada pelos desenvolvedores. O contexto mostra que os autores estão reproduzindo o discurso deles: "os avanços 'supostamente revolucionários' apresentados pelos desenvolvedores". Não há pista de ironia — o autor não está dizendo o contrário do que escreve, nem há tom de escárnio.

1Citar fala de alguém
Discurso direto
Reproduzir expressão alheia
2Destacar termo
Técnico
Estrangeirismo
3Indicar ironia
Sentido figurado
Tom de zombaria
Funções das aspas
LEVELsoulevel.com.br
Funções das aspas: Citar fala de alguém (Discurso direto, Reproduzir expressão alheia); Destacar termo (Técnico, Estrangeirismo); Indicar ironia (Sentido figurado, Tom de zombaria)

Análise da assertiva

A assertiva afirma que as aspas denotam ironia. Isso está errado porque:

  • O texto não apresenta a expressão como irônica; ele a apresenta como citação.

  • A ironia seria marcada por um contexto de oposição ou zombaria, o que não existe aqui.

  • A palavra "supostamente" já carrega a dúvida dos autores, mas isso é ressalva, não ironia.

Portanto, a afirmativa contradiz o que o texto mostra.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você confundir o uso de aspas para citação com o uso para ironia. A presença de "supostamente" pode sugerir dúvida, mas não ironia. Fique atento ao contexto: se a expressão é atribuída a alguém, é citação.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar aspas, verifique se há um verbo de dizer (como "escreveram", "alertaram") ou se a expressão é atribuída a um grupo. Se sim, é citação. Ironia exige que o autor inverta o sentido, o que não ocorre aqui.

Conclusão: a assertiva está errada, pois as aspas em 'supostamente revolucionários' indicam citação da fala dos desenvolvedores, e não ironia. Gabarito: Errado.

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