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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce414389
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC DF
Ano
2025
Cargo
GAAPC ( )

Texto CB1A1 


        O renomado linguista e filósofo Noam Chomsky e outros dois especialistas em linguística, Ian Roberts e Jeffrey Watumull, escreveram um artigo para o jornal The New York Times, em março de 2023, compartilhando sua visão sobre os avanços que vêm ocorrendo no campo da inteligência artificial (IA). 


        Para os intelectuais, os avanços “supostamente revolucionários” apresentados pelos desenvolvedores da IA são motivo “tanto para otimismo como para preocupação”. 


        No primeiro caso, porque as ferramentas de IA podem ser úteis para resolver certas problemáticas, ao passo que, no segundo, “tememos que a variedade mais popular e em voga da inteligência artificial (aprendizado automático) degrade nossa ciência e deprecie nossa ética ao incorporar à tecnologia uma concepção fundamentalmente errônea da linguagem e do conhecimento”.


        Embora os linguistas reconheçam que as IA são eficazes na tarefa de armazenar imensas quantidades de informação, que não necessariamente são verídicas, elas não possuem uma “inteligência” como a das pessoas. “Por mais úteis que esses programas possam ser em alguns campos específicos (como na programação de computadores, por exemplo, ou na sugestão de rimas para versos rápidos), sabemos, pela ciência da língua e pela filosofia do conhecimento, que diferem profundamente do modo como os seres humanos raciocinam e utilizam a linguagem”, alertaram. “Essas diferenças impõem limitações significativas ao que podem fazer, que pode ser codificado com falhas inerradicáveis”.


        Nesse sentido, os autores detalharam que, diferentemente de mecanismos de aplicativos como o ChatGPT, que operam com base na coleta de inúmeros dados, a mente humana pode funcionar com pequenas quantidades de informação, por meio das quais “não busca inferir correlações abruptas entre pontos (...), mas, sim, criar explicações”.


        Nessa linha, manifestam que esses aplicativos não são realmente “inteligentes”, pois carecem de capacidade crítica. Embora possam descrever e prever “o que é”, “o que foi” e “o que será”, não são capazes de explicar “o que não é” e “o que não poderia ser”.


Internet: <ihu.unisinos.br> (com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativos a aspectos linguísticos do texto CB1A1.

 

Estariam mantidos o sentido original e a correção gramatical do texto caso o trecho “incorporar à tecnologia uma concepção fundamentalmente errônea” (terceiro parágrafo) fosse assim reescrito: incorporar a tecnologia a uma concepção fundamentalmente errônea.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita e regência: a troca que inverte o sentido

Gabarito: letra E (ERRADO). A reescrita proposta altera o sentido original e, além disso, quebra a regência do verbo "incorporar". No texto, "incorporar" é transitivo direto e indireto: incorpora-se algo (objeto direto) a algo (objeto indireto). A reescrita inverte os complementos, fazendo "tecnologia" virar objeto direto e "concepção" virar objeto indireto — o que muda quem recebe a ação e quem é incorporado, como se lê no trecho original: "incorporar à tecnologia uma concepção fundamentalmente errônea".

O comando

A questão pede que você julgue se a reescrita mantém o sentido original e a correção gramatical. São dois testes independentes: a reescrita pode estar gramaticalmente correta, mas mudar o sentido (ou vice-versa). Aqui, ela falha nos dois. O verbo "incorporar" tem regência específica: incorporar X a Y (X é o que se incorpora; Y é o lugar/coisa em que se incorpora). A reescrita troca os papéis, e é exatamente essa troca que destrói o sentido.

O texto e a passagem decisiva

No terceiro parágrafo, os autores dizem que temem que a IA "degrade nossa ciência e deprecie nossa ética ao incorporar à tecnologia uma concepção fundamentalmente errônea da linguagem e do conhecimento".

"tememos que a variedade mais popular e em voga da inteligência artificial (aprendizado automático) degrade nossa ciência e deprecie nossa ética ao incorporar à tecnologia uma concepção fundamentalmente errônea"

Aqui, o que se incorpora é a concepção errônea (objeto direto); o lugar onde ela é incorporada é a tecnologia (objeto indireto, introduzido por "a"). Ou seja: a IA coloca uma ideia errada dentro da tecnologia. A reescrita "incorporar a tecnologia a uma concepção fundamentalmente errônea" inverte: agora a tecnologia é o objeto direto (o que se incorpora) e a concepção é o objeto indireto (o lugar). O sentido passa a ser: colocar a tecnologia dentro de uma concepção errada — o oposto do que o texto afirma.

A técnica que decide

Em questões de reescrita, o método é: identifique os papéis sintáticos e semânticos de cada termo no original e confira se a reescrita os preserva. Pergunte: quem faz o quê em quem? No original, a IA incorpora a concepção à tecnologia. Na reescrita, a IA incorporaria a tecnologia à concepção. Os papéis se inverteram — logo, o sentido mudou. Além disso, a regência foi violada: "incorporar" exige objeto direto (o que se incorpora) + objeto indireto com "a" (onde se incorpora). A reescrita mantém a preposição "a" antes de "concepção", mas agora ela introduz o objeto indireto errado, e "tecnologia" fica sem a preposição, virando objeto direto — o que não corresponde à estrutura original.

Reescrita
  • 1"incorporar à tecnologia uma concepção errônea"
  • 2Original
    • Incorpora-se a CONCEPÇÃO (objeto direto)
    • À TECNOLOGIA (objeto indireto)
    • Sentido: ideia errada entra na tecnologia
  • 3Reescrita proposta
    • Incorpora-se a TECNOLOGIA (objeto direto)
    • A UMA CONCEPÇÃO (objeto indireto)
    • Sentido: tecnologia entra na concepção
  • 4Veredito
    • Sentido invertido
    • Regência quebrada
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A reescrita não mantém o sentido original nem a correção gramatical. O erro é duplo:

  1. Sentido invertido: no original, a concepção errônea é incorporada à tecnologia; na reescrita, a tecnologia é incorporada a uma concepção errônea. Quem é incorporado e onde se incorpora trocaram de lugar.

  2. Regência quebrada: "incorporar" pede objeto direto (o que se incorpora) + objeto indireto com "a" (o destino). A reescrita coloca "tecnologia" como objeto direto e "concepção" como objeto indireto, invertendo a estrutura exigida pelo verbo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a posição dos complementos do verbo "incorporar". A frase reescrita parece semelhante, mas inverte quem é incorporado e onde — uma troca de vocábulo/estrutura que muda o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Em reescritas, sublinhe o verbo e pergunte: quem pratica a ação? quem recebe a ação? em quê? Se a reescrita responder diferente, o sentido mudou.

Gabarito: letra E (ERRADO). A reescrita inverte os complementos de "incorporar", alterando o sentido e violando a regência. A regra de ouro: em reescrita, preserve os papéis sintáticos e semânticos — quem faz o quê em quem não pode mudar.

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