Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce414413
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- PC DF
- Ano
- 2025
- Cargo
- AAAPC ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). A oração “que as inestimáveis riquezas naturais do Brasil despertassem a cobiça internacional” não é adjetiva, mas substantiva objetiva direta — funciona como objeto direto do verbo “temia-se”. A vírgula após “sentido” apenas separa essa oração deslocada, que foi antecipada; ela não transforma a oração em adjetiva explicativa. Como se lê no trecho: “Temia-se, nesse sentido, que as inestimáveis riquezas naturais do Brasil despertassem a cobiça internacional”.
O comando pede um julgamento sobre a função sintática da oração e o valor da vírgula. Não se trata de compreensão de texto, mas de análise sintática aplicada ao período. A banca quer que você identifique se a oração destacada é adjetiva (introduzida por pronome relativo, com valor de adjetivo) ou substantiva (introduzida por conjunção integrante, com função de substantivo).
No período, o verbo “temer” é transitivo direto: quem teme, teme algo. A oração “que as inestimáveis riquezas naturais do Brasil despertassem a cobiça internacional” responde à pergunta “o que se temia?” — logo, é o objeto direto do verbo. Isso a classifica como oração subordinada substantiva objetiva direta, e não adjetiva.
A vírgula após “sentido” tem outra função: ela isola o adjunto adverbial “nesse sentido”, que foi intercalado. A oração substantiva, por sua vez, está deslocada — veio antes do verbo “temia-se” — e, por isso, também é separada por vírgula. Mas isso não altera sua natureza sintática: continua substantiva, não adjetiva.
Para reconhecer uma oração adjetiva, o teste é substituir o “que” por “o qual/a qual” e verificar se ela modifica um substantivo antecedente, como em “O Brasil, que é um país continental, tem grande diversidade”. No texto, a oração não modifica “sentido” nem qualquer outro substantivo; ela completa o sentido do verbo.
A banca explora a confusão entre oração adjetiva explicativa (separada por vírgulas, introduzida por pronome relativo) e oração substantiva deslocada (também separada por vírgula, mas introduzida por conjunção integrante). A presença da vírgula não é suficiente para classificar a oração como adjetiva.
Para distinguir, troque a oração por “isso”: se a frase continuar fazendo sentido, é substantiva. Ex.: “Temia-se isso” — perfeito. Já a adjetiva não pode ser substituída por “isso”, pois modifica um nome.
A afirmativa está errada porque classifica a oração como adjetiva e atribui à vírgula o papel de sinalizar essa função. Na verdade, a oração é substantiva objetiva direta, e a vírgula apenas separa a oração deslocada e o adjunto adverbial intercalado. O erro é de troca de conceito: confunde oração substantiva com adjetiva.
A afirmativa está correta ao negar a classificação proposta. A oração “que as inestimáveis riquezas naturais do Brasil despertassem a cobiça internacional” é substantiva objetiva direta, pois exerce a função de objeto direto de “temia-se”. A vírgula após “sentido” não a torna adjetiva; ela apenas isola o adjunto adverbial “nesse sentido” e a oração deslocada.
Conclusão: a banca pede para julgar a afirmação; como ela é falsa, o gabarito é letra E (Errado). A regra de ouro: oração adjetiva é introduzida por pronome relativo e modifica um substantivo; oração substantiva é introduzida por conjunção integrante e exerce função de substantivo (sujeito, objeto, etc.). A vírgula, por si só, não muda a classificação.
Gabarito: letra E
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