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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
ce414451
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TRF 6
Ano
2025
Cargo
TJ TRF6

Texto CG5A1

 

Tudo está interconectado. Na Amazônia, que abrange uma área comparável à dos 48 estados contíguos aos Estados Unidos da América, nenhum detalhe é por acaso. Portanto, não se trata da necessidade de focar uma área específica ou certas espécies. Os ciclos naturais alterados causam a oscilação de um delicado equilíbrio, que afeta os níveis local, regional e até global e que se aproxima cada vez mais de um ponto de não retorno. No cenário atual, isso significa menos de 20 anos.

 

A floresta amazônica produz pelo menos metade de sua própria chuva. Quando chove, as raízes das árvores e demais plantas absorvem a água, que satura a superfície das folhas. Depois, há o processo de evapotranspiração: as árvores transpiram umidade, ou seja, a água que caiu como chuva retorna à atmosfera. Até que chove novamente, e todo o ciclo se reinicia.

 

Esse “rio gigante no céu” fornece água (em forma de chuva) para os países andinos e também ao Uruguai, ao Paraguai, ao centro e ao sul do Brasil e ao norte da Argentina. Em suma, influencia uma região que gera 70% do PIB da América do Sul, de acordo com a The Nature Conservancy, organização não governamental que trabalha em escala global para a conservação do meio ambiente. No entanto, esses padrões de chuva estão ameaçados, tanto na América do Sul quanto na América do Norte.

 

Da mesma forma, flora e fauna estão em perigo. É importante lembrar que a Amazônia é o lar de 10% da biodiversidade mundial. E aqui também temos um ciclo: quando as árvores são cortadas, muitos predadores desaparecem, e o comportamento de pássaros e insetos polinizadores é alterado. Assim, há menos plantas, menos chuva, mais emissões de carbono, mais secas, menos água, desequilíbrio e ameaças à nossa saúde e qualidade de vida. Tudo está conectado. Para toda ação há uma reação.

 

Internet: <tnc.org.br> (com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativo ao vocabulário e à estrutura linguística do texto CG5A1.

 

A forma verbal “há” (quarto período do quarto parágrafo) poderia ser substituída, mantendo-se a coerência e a correção gramatical do texto, por podem haver.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o verbo “haver” impessoal e a locução “podem haver”

Gabarito: letra E (ERRADO). A substituição de “há” por “podem haver” quebraria a correção gramatical, pois o verbo “haver”, no sentido de existir, é impessoal — não possui sujeito e, por isso, permanece sempre no singular. Em uma locução verbal, o auxiliar (“podem”) também deve ficar no singular, já que não há sujeito com o qual concordar. O correto seria “pode haver”, como se lê no trecho do texto: “há menos plantas, menos chuva, mais emissões de carbono…” — a forma “há” é invariável.

O comando pede que você julgue se a troca mantém a coerência e a correção gramatical. Isso exige aplicar a regra de concordância do verbo “haver” impessoal, e não apenas observar o sentido. A banca quer que você perceba que, mesmo em locução verbal, a impessoalidade do “haver” se mantém: o auxiliar não flexiona.

No texto, o trecho original é:

“Assim, há menos plantas, menos chuva, mais emissões de carbono, mais secas, menos água, desequilíbrio e ameaças à nossa saúde e qualidade de vida.”

Aqui, “há” equivale a “existe(m)”, mas, diferentemente de “existir”, o verbo “haver” não varia. Se você substituísse por “podem haver”, estaria flexionando o auxiliar como se houvesse um sujeito plural — o que é um erro clássico de concordância.

A regra que decide: o verbo “haver” com sentido de existir é impessoal (não tem sujeito) e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Em locuções verbais formadas com esse “haver”, o verbo auxiliar também permanece no singular, pois não há sujeito para concordar. Portanto:

  • Correto: “pode haver problemas” / “poderia haver problemas” / “há problemas”.

  • Incorreto: “podem haver problemas” / “poderiam haver problemas”.

A pegadinha da banca está em atrair o candidato a flexionar o auxiliar por influência do complemento plural (“menos plantas, menos chuva…”). Mas o complemento de verbo impessoal não é sujeito — é objeto direto. Por isso, a concordância não se faz com ele.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o verbo “haver” impessoal e a possibilidade de flexionar o auxiliar em locução verbal. Muitos candidatos flexionam “podem haver” por acharem que o sujeito é plural, mas o verbo haver, no sentido de existir, é impessoal e o auxiliar deve permanecer no singular.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir “há” por uma locução, pergunte: “o verbo haver tem sujeito?” Se não tem (sentido de existir), o auxiliar fica no singular. Desconfie sempre de “podem haver”, “devem haver”, “vão haver” — na norma culta, o correto é “pode haver”, “deve haver”, “vai haver”.

Verbo "haver" (sentido de existir)
  • 1Impessoal
    • Sem sujeito
    • Sempre 3ª pessoa do singular
    • Complemento é objeto direto
  • 2Em locução verbal
    • Auxiliar não flexiona ("podem haver" é erro)
    • Auxiliar no singular ("pode haver")
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que a substituição por “podem haver” manteria a correção gramatical é falsa. O verbo “haver” impessoal não admite plural, e o auxiliar “podem” estaria flexionado indevidamente. A forma correta seria “pode haver”. Portanto, a alternativa C contradiz a regra de concordância.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa de que a substituição não manteria a correção gramatical é verdadeira. Como demonstrado, “podem haver” é uma forma incorreta na norma culta, pois o verbo “haver” impessoal exige o auxiliar no singular. O gabarito é a letra E.

Conclusão: a questão testa um ponto específico da concordância verbal: a impessoalidade do verbo “haver”. Lembre-se: “há” não varia; em locução, o auxiliar também não varia. Sempre que a banca oferecer “podem haver”, “devem haver”, desconfie — o correto é o singular. Gabarito: letra E.

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