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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
ce414474
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INSS
Ano
2025
Cargo
PMF ( )

Em Tratado de medicina legal, Agostinho José de Souza Lima define a perícia médica como toda sindicância promovida por autoridade policial ou judiciária acompanhada de exame e cujos peritos, dada a natureza do exame, são ou devem ser médicos. Disso decorre que o perito médico é a pessoa entendida e experimentada em temas de medicina que, designada pela autoridade competente, deverá esclarecer um fato de natureza médica mais ou menos duradouro.

 

A perícia médico-legal surgiu da necessidade de solução para casos concretos. A princípio, havia apenas alguns vestígios de perícia médica nas legislações primitivas; depois, os indícios da prática ficaram mais evidentes, principalmente na Idade Média, até a atividade definir-se e concretizar-se na Renascença, com a sua instituição oficial no Código Carolino, em 1532.

 

A perícia médico-legal já era tarefa do Estado desde o tempo dos egípcios, conforme consta dos papiros da época. Embora a medicina egípcia estivesse impregnada de magia e divindade, e empregasse, na cura das doenças, os encantamentos, os amuletos e o exorcismo, alguns historiadores veem indícios de perícia no Antigo Egito. Os sacerdotes médicos verificavam, por exemplo, se a morte fora violenta ou natural; a prática do embalsamento exigia a mesma verificação. As leis de Menés, o mais antigo faraó da história, mandavam adiar o castigo das mulheres grávidas, excluindo-as das penas aflitivas, o que implicava a intervenção do perito para o diagnóstico da gravidez. O Código de Hamurabi, uma compilação de leis sumerianas, previa penas severas para os casos de erro médico, o que subtendia a prova do erro.

 

A legislação hebraica, superior às precedentes — porque exigia duas testemunhas para a condenação do suspeito, a responsabilidade das testemunhas e do juiz, a garantia dos tribunais, a publicidade dos debates, a igualdade perante a lei e a ausência de meios de tortura —, mostrava o sentimento de justiça unido à rigidez do dogma religioso. Segundo essa legislação, os conhecimentos médicos deveriam ser aplicados pelo sacerdote, que também exercia a função de médico.

 

João Baptista de Oliveira e Costa Júnior. Os primórdios da perícia médica. Internet: <www.revistas.usp.br> (com adaptações).

Texto CG1A1

 

A respeito da estrutura linguística e do vocabulário empregados no texto CG1A1, julgue o próximo item.

 

A correção gramatical do texto seria prejudicada caso se empregasse vírgula após a forma verbal “decorre” (segundo período do primeiro parágrafo).

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula após o verbo “decorre” — separação entre verbo e complemento

Gabarito: letra C (CERTO). A correção gramatical do texto seria prejudicada caso se empregasse vírgula após a forma verbal “decorre”, pois isso separaria o verbo de seu complemento — a oração subordinada substantiva subjetiva “que o perito médico é a pessoa entendida e experimentada...”. A norma culta proíbe a vírgula entre o verbo e o seu complemento, como se lê no trecho: “Disso decorre que o perito médico é a pessoa entendida e experimentada em temas de medicina...”.

O comando da questão

A banca pede um julgamento sobre correção gramatical — ou seja, sobre a norma culta da língua, não sobre interpretação de sentido. A pergunta é objetiva: inserir uma vírgula após “decorre” prejudicaria a correção? Para responder, é preciso analisar a função sintática do termo que vem depois do verbo.

A estrutura sintática do trecho

No período “Disso decorre que o perito médico é a pessoa entendida e experimentada em temas de medicina...”, temos:

  • “Disso” — adjunto adverbial (retoma a definição de perícia médica do período anterior);

  • “decorre” — verbo transitivo indireto (decorrer de algo);

  • “que o perito médico é a pessoa entendida e experimentada...” — oração subordinada substantiva subjetiva, que exerce a função de sujeito do verbo “decorre”.

A oração “que o perito médico é...” é o sujeito do verbo “decorre”. Isso fica claro se reescrevermos: “Que o perito médico é a pessoa entendida... decorre disso”. O sujeito está posposto ao verbo, mas continua sendo o sujeito.

A regra que decide

A norma culta proíbe separar por vírgula o verbo de seu sujeito e o verbo de seu complemento (objeto direto ou indireto). Como a oração “que o perito médico é...” é o sujeito do verbo “decorre”, colocar vírgula após “decorre” separaria o verbo do sujeito — o que é erro de pontuação.

“Disso decorre que o perito médico é a pessoa entendida e experimentada em temas de medicina...”

A vírgula após “decorre” quebraria a ligação sintática entre o verbo e o seu sujeito oracional, prejudicando a correção gramatical.

Por que a alternativa E está incorreta

A alternativa E afirma que a correção não seria prejudicada. Isso está errado, pois a vírgula entre verbo e sujeito é proibida pela norma culta. A banca explora a confusão entre:

  • Vírgula facultativa (ex.: adjunto adverbial curto deslocado) — não é o caso;

  • Vírgula obrigatória (ex.: orações intercaladas, aposto) — não é o caso;

  • Vírgula proibida (entre verbo e complemento/sujeito) — é exatamente o caso.

1Regra: proibida
Separa verbo do sujeito
Separa verbo do objeto
2Caso do texto
"decorre" + oração subjetiva
Sujeito posposto ao verbo
3Pegadinha da banca
Confundir sujeito com objeto
Achar que a vírgula é facultativa
Vírgula entre verbo e complemento
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Vírgula entre verbo e complemento: Regra: proibida (Separa verbo do sujeito, Separa verbo do objeto); Caso do texto ("decorre" + oração subjetiva, Sujeito posposto ao verbo); Pegadinha da banca (Confundir sujeito com objeto, Achar que a vírgula é facultativa)
NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato reconhece que a oração “que o perito médico é...” é o sujeito do verbo “decorre”. Quem acha que é objeto direto pode pensar que a vírgula seria facultativa — mas a função sintática é de sujeito, e a vírgula é proibida.

Conclusão

A vírgula após “decorre” separaria o verbo de seu sujeito oracional, o que prejudica a correção gramatical. Portanto, a afirmação do item está correta.

Gabarito: letra C (CERTO).

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