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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce414492
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Ana ( )
    O híbrido tem por finalidade nomear algo ou alguém cuja formação é múltipla, derivada de fontes heterogêneas. Tal termo passa a ser empregado nos estudos da cultura a partir dos deslocamentos e das migrações acentuadas do século XX. Na literatura, com mais propriedade nos estudos pós-coloniais, é abordado por Homi Bhabha, que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de “hibridismo linguístico”. O híbrido constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal em contraposição à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária. Como termo amplamente usado por vários críticos e estudiosos, gera polêmica e controvérsias, atingindo patamares de significação positiva ou negativa de acordo com a nuança que lhe seja empregada. Stelamaris Coser afirma que, ao se reverter “o movimento do centro para a periferia que caracterizou a era colonial e fez das colônias ‘o local dos sincretismos e hibridismos’, os grandes ‘centros globais’ são agora internacionalizados e hibridizados neste novo momento histórico pós-(neo)colonial”.

    Nesse caso, não se trata de enaltecer ideologicamente os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos e choques que resultam das diferenças, mas, acima de tudo, de perceber o hibridismo que forma a realidade interamericana e a força criativa que dele resulta. Ainda segundo Coser, “uma inevitável transformação cultural é resultante da entrada, circulação e crescente poder dessa multiplicidade de vozes, visões e estilos que renovam e modificam a face da nação”. Igualmente, para Stuart Hall, a ocorrência do hibridismo (cultural, linguístico e literário) permite que o “novo” entre no mundo inscrito pelas forças hegemônicas e as modifique, passando a ser uma condição necessária à modernidade das comunidades construídas entre os impasses de perdas e ganhos sócio-históricos.


Leoné Astride Barzotto. Deslocamento e memória em “La mano em la tierra”, de Josefina Plá. In: Elena Palmero González e Stelamaris Coser (orgs.). Entre traços e rasuras: intervenções da memória na escrita das Américas. Rio de Janeiro: 7Letras; FAPERJ, 2013, p. 52 (com adaptações). 
Em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto precedente, julgue o item seguinte.   A autora julga “infecunda” e “anticomunitária” a identidade cujas características são contrapostas à dita “identidade do duplo”.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A identidade julgada “infecunda” e “anticomunitária”

Gabarito: Certo (C). A afirmativa está correta porque o texto atribui os adjetivos “infecunda” e “anticomunitária” exatamente à identidade que se contrapõe à “identidade do duplo”, ou seja, à identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme. Como se lê no primeiro parágrafo: “O híbrido constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal em contraposição à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária.” Portanto, a autora julga “infecunda” e “anticomunitária” a identidade contraposta à do duplo — exatamente o que o item afirma.

O comando

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma ideia do texto. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, bastando localizar a passagem que relaciona os adjetivos ao substantivo “identidade”. Não há inferência nem dedução: o candidato deve apenas identificar o referente dos adjetivos.

O texto e a passagem decisiva

O texto apresenta duas identidades em oposição: a identidade do duplo (híbrida, dinâmica, flexível, plurivocal, multimodal) e a identidade pura (única, autêntica, univocal, monolítica, uniforme). A passagem-chave é:

“O híbrido constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal em contraposição à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária.”

Aqui, o pronome relativo “que” retoma “identidade pura” (e seus adjetivos), e é a ela que se referem “infecunda” e “anticomunitária”. O item afirma exatamente isso: a autora julga “infecunda” e “anticomunitária” a identidade contraposta à do duplo. Portanto, Certo.

A técnica: identificar o referente

Em questões de compreensão, o erro mais comum é trocar o referente: atribuir a um termo o que o texto diz de outro. Aqui, a banca poderia tentar confundir o candidato fazendo-o pensar que os adjetivos se aplicam à identidade do duplo (que é valorizada positivamente). Mas o texto é claro: a identidade do duplo é “dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal”, enquanto a identidade pura é “infecunda” e “anticomunitária”.

Identidade do duplo (híbrido)
  • 1Dinâmica
  • 2Flexível
  • 3Plurivocal
  • 4Multimodal
  • 5Identidade pura (contraposta)
    • Única
    • Autêntica
    • Univocal
    • Monolítica
    • Uniforme
    • Infecunda
    • Anticomunitária
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PEGA ESSA DICA!

Ao ler um trecho com pronomes relativos (“que”, “o qual”), pergunte: a que termo ele se refere? Substituta o pronome pelo substantivo e veja se a frase faz sentido. Aqui: “a identidade pura... que, além de infecunda, é anticomunitária” — perfeito.

Conclusão

A afirmativa está correta porque reproduz fielmente a relação estabelecida no texto. A banca não pede inferência, apenas localização de informação explícita. Gabarito: Certo (C).

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