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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
ce414493
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Ana ( )
    O híbrido tem por finalidade nomear algo ou alguém cuja formação é múltipla, derivada de fontes heterogêneas. Tal termo passa a ser empregado nos estudos da cultura a partir dos deslocamentos e das migrações acentuadas do século XX. Na literatura, com mais propriedade nos estudos pós-coloniais, é abordado por Homi Bhabha, que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de “hibridismo linguístico”. O híbrido constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal em contraposição à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária. Como termo amplamente usado por vários críticos e estudiosos, gera polêmica e controvérsias, atingindo patamares de significação positiva ou negativa de acordo com a nuança que lhe seja empregada. Stelamaris Coser afirma que, ao se reverter “o movimento do centro para a periferia que caracterizou a era colonial e fez das colônias ‘o local dos sincretismos e hibridismos’, os grandes ‘centros globais’ são agora internacionalizados e hibridizados neste novo momento histórico pós-(neo)colonial”.

    Nesse caso, não se trata de enaltecer ideologicamente os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos e choques que resultam das diferenças, mas, acima de tudo, de perceber o hibridismo que forma a realidade interamericana e a força criativa que dele resulta. Ainda segundo Coser, “uma inevitável transformação cultural é resultante da entrada, circulação e crescente poder dessa multiplicidade de vozes, visões e estilos que renovam e modificam a face da nação”. Igualmente, para Stuart Hall, a ocorrência do hibridismo (cultural, linguístico e literário) permite que o “novo” entre no mundo inscrito pelas forças hegemônicas e as modifique, passando a ser uma condição necessária à modernidade das comunidades construídas entre os impasses de perdas e ganhos sócio-históricos.


Leoné Astride Barzotto. Deslocamento e memória em “La mano em la tierra”, de Josefina Plá. In: Elena Palmero González e Stelamaris Coser (orgs.). Entre traços e rasuras: intervenções da memória na escrita das Américas. Rio de Janeiro: 7Letras; FAPERJ, 2013, p. 52 (com adaptações). 
Em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto precedente, julgue o item seguinte.   o segmento “que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de ‘hibridismo linguístico’” tem sentido explicativo, o que justifica o emprego da vírgula imediatamente após o nome “Homi Bhabha”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A vírgula após "Homi Bhabha" e a oração adjetiva explicativa

Gabarito: item CERTO (C). A vírgula imediatamente após o nome "Homi Bhabha" é corretamente justificada: o segmento seguinte é uma oração subordinada adjetiva explicativa, que acrescenta uma informação sobre o termo anterior, e não uma explicação do sentido do nome. O trecho "que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de 'hibridismo linguístico'" é introduzido pelo pronome relativo "que", retomando "Homi Bhabha", e a vírgula o separa porque é explicativa — ou seja, não restringe, apenas acrescenta uma qualidade a "Homi Bhabha".

O comando pede que se julgue uma propriedade linguística do texto: a relação entre o sentido do segmento e o emprego da vírgula. Não se trata de compreensão do conteúdo, mas de análise sintático-semântica da pontuação. A banca quer que o candidato identifique a função da vírgula e a classificação da oração que ela introduz.

No texto, lê-se:

"Na literatura, com mais propriedade nos estudos pós-coloniais, é abordado por Homi Bhabha, que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de 'hibridismo linguístico'."

A oração "que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin" é introduzida pelo pronome relativo "que", retomando "Homi Bhabha". Ela é uma oração subordinada adjetiva explicativa, pois está entre vírgulas e não restringe o sentido do antecedente — todos sabemos quem é Homi Bhabha; a oração apenas acrescenta uma informação sobre ele. A vírgula, portanto, isola essa oração explicativa, e o sentido é de acréscimo de informação, não de explicação do significado do nome.

A distinção central é entre oração adjetiva explicativa e oração adjetiva restritiva. A explicativa é isolada por vírgulas e acrescenta uma informação acessória; a restritiva não é isolada e restringe o sentido do antecedente. No trecho, a oração é claramente explicativa, pois o nome próprio "Homi Bhabha" já identifica o referente de forma única — não há necessidade de restringir.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "sentido explicativo" (que justificaria a vírgula) e "oração adjetiva explicativa" (que é o caso). O candidato pode achar que "explicativo" se refere ao conteúdo do segmento, quando na verdade se refere à função sintática da oração.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver uma vírgula após um nome próprio seguido de "que", pergunte: a oração restringe ou acrescenta? Se acrescenta, é explicativa — e a vírgula é obrigatória.

Oração subordinada adjetiva
  • 1Explicativa
    • Isolada por vírgulas
    • Acrescenta informação acessória
    • Antecedente já identificado (nome próprio)
  • 2Restritiva
    • Sem vírgula
    • Restringe o sentido do antecedente
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Item — ✅ CERTO

A afirmação está correta. O segmento "que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de 'hibridismo linguístico'" tem sentido explicativo no sentido de que é uma oração subordinada adjetiva explicativa, que acrescenta uma informação sobre "Homi Bhabha". A vírgula imediatamente após o nome é exatamente o que isola essa oração explicativa, sendo, portanto, justificada.

A oração é introduzida pelo pronome relativo "que", que retoma "Homi Bhabha". Como o nome próprio já identifica o referente de forma única, a oração não pode ser restritiva — ela apenas explica algo sobre ele. A vírgula, nesse caso, é obrigatória para marcar o caráter explicativo.

Conclusão: o item está CERTO, pois a vírgula após "Homi Bhabha" isola uma oração adjetiva explicativa, que tem sentido de acréscimo de informação — exatamente o que o enunciado afirma.

Gabarito: item C (CERTO).

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