Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce414496
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- InoversaSul
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A flexão de "Trata-se" na terceira pessoa do singular não se justifica por concordância com o segmento posposto "do mais ousado dos projetos libertários da história colonial brasileira", porque esse segmento não é o sujeito da oração — é o complemento relativo (objeto indireto) do verbo pronominal "tratar-se". A forma "Trata-se" está na 3ª pessoa do singular por ser um caso de sujeito indeterminado (índice de indeterminação do sujeito + verbo intransitivo/transitivo indireto), como se lê no trecho: "Trata-se do mais ousado dos projetos libertários da história colonial brasileira".
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação de natureza sintática: ela atribui ao segmento posposto a função de sujeito e, com base nisso, justifica a flexão verbal. Para resolver, é preciso analisar a estrutura da oração e identificar a real função sintática de cada termo. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática aplicada ao texto.
No trecho do texto-base, lê-se:
"Trata-se do mais ousado dos projetos libertários da história colonial brasileira"
A oração é formada pelo verbo pronominal "tratar-se" (no sentido de "ser", "dizer respeito a") seguido do complemento regido pela preposição "de": "do mais ousado dos projetos libertários...". A pergunta central é: esse complemento é o sujeito ou o objeto indireto?
O verbo "tratar-se", quando usado com o sentido de "ser" ou "dizer respeito a", é pronominal e transitivo indireto — exige complemento com a preposição "de". Nessa construção, o sujeito é indeterminado, marcado pelo pronome apassivador/indeterminador "se". Veja o paralelo:
"Trata-se de um problema grave." → "de um problema grave" = objeto indireto; sujeito indeterminado.
"Precisa-se de funcionários." → "de funcionários" = objeto indireto; sujeito indeterminado.
"Vive-se bem aqui." → sujeito indeterminado; verbo no singular.
A regra é clara: verbos transitivos indiretos ou intransitivos acompanhados de "se" (índice de indeterminação do sujeito) ficam na 3ª pessoa do singular, e o termo preposicionado que os segue é objeto indireto, jamais sujeito. O sujeito, nesses casos, é indeterminado — não existe um termo explícito que exerça essa função.
Se o segmento posposto fosse realmente o sujeito, o verbo concordaria com ele em número e pessoa — mas isso não ocorre, porque "do mais ousado..." é um sintagma preposicionado, e sujeito nunca vem regido de preposição.
A afirmativa do item diz que a flexão se justifica "por sua concordância com o segmento posposto ... que é o sujeito da oração". Há dois erros nessa justificativa:
O segmento não é o sujeito — é o objeto indireto (complemento relativo) do verbo "tratar-se".
A flexão não decorre de concordância com esse termo — decorre da indeterminação do sujeito, regra que fixa o verbo na 3ª pessoa do singular.
Portanto, a afirmação está incorreta.
A banca explora a confusão clássica entre sujeito e objeto indireto em construções com verbo pronominal + "se". O verbo "Trata-se" está no singular porque o sujeito é indeterminado, e não porque concorda com o termo posposto. Gabarito: ERRADO.
Ao analisar "Trata-se de...", "Precisa-se de...", "Vive-se...", pergunte: o termo preposicionado pode ser sujeito? Nunca — sujeito não vem precedido de preposição. Se o verbo é transitivo indireto ou intransitivo e há "se", o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular.
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