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Questão de Português — Fonética (Fonemas, Dígrafos, Encontros Consonantais, Vocálicos). Separação Silábica — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsFonética (Fonemas, Dígrafos, Encontros Consonantais, Vocálicos). Separação Silábica
Código
ce414505
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

No cotidiano de todo brasileiro, podemos visualizar as marcas que constituíram, a partir do século XVI, a presença dos povos africanos, de origem Banto e Iorubá, no Brasil. Essa presença está nas palavras que falamos, na gestualidade que produzimos e no nosso modo de pronunciar a língua portuguesa falada no Brasil.


A entrada de grande número de africanos no Brasil, com suas diferentes culturas e línguas, passou por um processo de adaptação, de certo ajuste cultural e linguístico com a assimilação de novas palavras e, consequentemente, da forma como elas orientavam o entendimento da nova realidade vivida em português. Entretanto, ainda é possível visualizar a presença das palavras africanas nos diferentes espaços da cultura brasileira.


O Museu da Língua Portuguesa, ao expor o acervo de palavras africanas que entraram no vocabulário da língua portuguesa, favorece reconhecer a história da população africana no Brasil como agente da cultura e da língua portuguesa que se desenhava sobre este solo. No setor Palavras Cruzadas do museu, por exemplo, visualizam-se palavras que nos ensinaram a nomear determinados comportamentos, como: bagunça lengalenga, dengo. Essas são algumas das palavras africanas que continuam vivas a significar comportamentos e relações sociais. Outras ganharam o sentido de gíria na língua portuguesa falada no Brasil, como borocoxô, cafofo.


A cultura é algo que está no corpo, nos gestos, na memória, na forma de andar, no contorno das expressões verbais e não verbais. Não é possível perdê-la. A mudança de um contexto cultural para outro acompanha adaptações e recriações dadas em palavras, por isso podemos falar em um movimento de antropofagia simbólica no lugar de uma simples assimilação de palavras e práticas.


As línguas mudam ao acompanharem a história dos seus falantes. Esta é a história da língua portuguesa em solo brasileiro: ela também pode adaptar-se às novas relações linguísticas e culturais. No Brasil, a manutenção da estrutura latina da língua portuguesa não impediu que esta acolhesse uma nova sonoridade em relação à sua matriz e incorporasse um grande vocabulário de palavras que veio de outras línguas.


Como um detetive que reúne pistas para contar uma história, as palavras africanas expostas no acervo do Museu da Língua Portuguesa compõem o papel de traduzir os sentidos e significados compartilhados na cultura brasileira. É uma história nem sempre contada em livros didáticos, mas que carregamos conosco para os diferentes lugares a que podemos ir. A importância da língua portuguesa como um bem museológico se faz nesse ato de contar histórias que não são definidas por nós, mas são praticadas e vividas coletivamente.


Wilmihara Santos. A presença africana nas palavras que

falamos em português. 2018. Internet: <museudalinguaportuguesa.org.br> (com adaptações).

Texto 9A1

   

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto 9A1, julgue o item seguinte.

 

Nos vocábulos “que”, “processo” e “adaptação”, identificam-se grupos de duas letras que representam um só fonema.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fonética: dígrafos em “que”, “processo” e “adaptação”

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque, embora “que” e “processo” contenham dígrafos (grupos de duas letras que representam um só fonema), a palavra “adaptação” não apresenta dígrafo — nela, o encontro “pt” é um encontro consonantal, em que cada letra representa um fonema distinto. Como a assertiva generaliza para os três vocábulos, basta um contraexemplo para derrubá-la.

A questão exige conhecimento de fonética e fonologia, especificamente a distinção entre dígrafo e encontro consonantal. O comando pede que se julgue a veracidade da afirmação sobre os três vocábulos citados. Para resolvê-la, é preciso analisar cada palavra isoladamente e verificar se há, em todas, grupos de duas letras representando um único som.

Dígrafo é o fenômeno em que duas letras representam um só fonema. Exemplos clássicos: “ch” (chuva), “lh” (filho), “nh” (banho), “rr” (carro), “ss” (passo), “qu” (queijo), “gu” (guerra). Já o encontro consonantal é a sequência de duas ou mais consoantes que mantêm seus próprios sons, ou seja, cada letra representa um fonema. Exemplos: “pr” (prato), “tr” (trio), “pt” (adaptação), “br” (braço).

Aplicando ao caso:

  • “que”: o grupo “qu” é um dígrafo, pois o “u” não é pronunciado — representa apenas o fonema /k/. A palavra tem 3 letras e 2 fonemas: /k/ e /e/.

  • “processo”: o grupo “ss” é um dígrafo, pois as duas letras representam um único fonema /s/. A palavra tem 9 letras e 7 fonemas.

  • “adaptação”: o grupo “pt” não é dígrafo. Aqui, o “p” e o “t” são pronunciados separadamente, cada um representando seu próprio fonema. É um encontro consonantal imperfeito (ou separável), pois na divisão silábica as consoantes se separam: a-dap-ta-ção. O “p” pertence à sílaba “dap” e o “t” à sílaba “ta”.

Portanto, a afirmação de que nos três vocábulos há grupos de duas letras representando um só fonema é falsa, pois “adaptação” não contém dígrafo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura palavras que realmente têm dígrafo (“que”, “processo”) com uma que não tem (“adaptação”), tentando levar o candidato a generalizar sem conferir cada caso. A armadilha é a generalização indevida: o candidato vê dois exemplos corretos e assume que o terceiro também é.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de dígrafo, analise cada palavra separadamente e pergunte: “as duas letras são pronunciadas?”. Se sim, é encontro consonantal; se não, é dígrafo. Desconfie de afirmações que englobam várias palavras de uma vez.

1qu (que)
2ss (processo)
3ch, lh, nh, rr, gu
4Encontro consonantal (2 consoantes = 2 fonemas)
pt (adaptação)
pr, tr, br
Dígrafo (2 letras = 1 fonema)
LEVELsoulevel.com.br
Dígrafo (2 letras = 1 fonema): qu (que); ss (processo); ch, lh, nh, rr, gu; Encontro consonantal (2 consoantes = 2 fonemas) (pt (adaptação), pr, tr, br)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a proposição está certa, ou seja, que nos três vocábulos há dígrafos. Isso é falso porque “adaptação” não apresenta dígrafo. O grupo “pt” é um encontro consonantal, com dois fonemas distintos (/p/ e /t/), como se percebe na pronúncia e na separação silábica (a-dap-ta-ção). A alternativa generaliza indevidamente a presença de dígrafos, ignorando a particularidade de “adaptação”.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que a proposição está errada, e é exatamente isso. Embora “que” (dígrafo “qu”) e “processo” (dígrafo “ss”) contenham grupos de duas letras representando um só fonema, “adaptação” não se enquadra nessa regra. O encontro “pt” é consonantal, com cada letra representando um fonema próprio. Como a afirmação abrange os três vocábulos e um deles não se encaixa, a proposição é falsa.

Conclusão: a questão testa a distinção entre dígrafo e encontro consonantal. A presença de dígrafos em duas palavras não autoriza a conclusão de que a terceira também os tenha. Sempre confira cada vocábulo individualmente.

Gabarito: letra E

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