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Questão de Português — Sujeito — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSujeito
Código
ce414509
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

No cotidiano de todo brasileiro, podemos visualizar as marcas que constituíram, a partir do século XVI, a presença dos povos africanos, de origem Banto e Iorubá, no Brasil. Essa presença está nas palavras que falamos, na gestualidade que produzimos e no nosso modo de pronunciar a língua portuguesa falada no Brasil.


A entrada de grande número de africanos no Brasil, com suas diferentes culturas e línguas, passou por um processo de adaptação, de certo ajuste cultural e linguístico com a assimilação de novas palavras e, consequentemente, da forma como elas orientavam o entendimento da nova realidade vivida em português. Entretanto, ainda é possível visualizar a presença das palavras africanas nos diferentes espaços da cultura brasileira.


O Museu da Língua Portuguesa, ao expor o acervo de palavras africanas que entraram no vocabulário da língua portuguesa, favorece reconhecer a história da população africana no Brasil como agente da cultura e da língua portuguesa que se desenhava sobre este solo. No setor Palavras Cruzadas do museu, por exemplo, visualizam-se palavras que nos ensinaram a nomear determinados comportamentos, como: bagunça lengalenga, dengo. Essas são algumas das palavras africanas que continuam vivas a significar comportamentos e relações sociais. Outras ganharam o sentido de gíria na língua portuguesa falada no Brasil, como borocoxô, cafofo.


A cultura é algo que está no corpo, nos gestos, na memória, na forma de andar, no contorno das expressões verbais e não verbais. Não é possível perdê-la. A mudança de um contexto cultural para outro acompanha adaptações e recriações dadas em palavras, por isso podemos falar em um movimento de antropofagia simbólica no lugar de uma simples assimilação de palavras e práticas.


As línguas mudam ao acompanharem a história dos seus falantes. Esta é a história da língua portuguesa em solo brasileiro: ela também pode adaptar-se às novas relações linguísticas e culturais. No Brasil, a manutenção da estrutura latina da língua portuguesa não impediu que esta acolhesse uma nova sonoridade em relação à sua matriz e incorporasse um grande vocabulário de palavras que veio de outras línguas.


Como um detetive que reúne pistas para contar uma história, as palavras africanas expostas no acervo do Museu da Língua Portuguesa compõem o papel de traduzir os sentidos e significados compartilhados na cultura brasileira. É uma história nem sempre contada em livros didáticos, mas que carregamos conosco para os diferentes lugares a que podemos ir. A importância da língua portuguesa como um bem museológico se faz nesse ato de contar histórias que não são definidas por nós, mas são praticadas e vividas coletivamente.


Wilmihara Santos. A presença africana nas palavras que

falamos em português. 2018. Internet: <museudalinguaportuguesa.org.br> (com adaptações).

Texto 9A1

   

Em relação ao texto 9A1 e a aspectos gramaticais a ele relacionados, julgue o item que se segue.

 

o segmento “as marcas” desempenha a função sintática de sujeito da oração que o sucede.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de "as marcas" no texto 9A1

Gabarito: ERRADO. O segmento "as marcas" não é o sujeito da oração que o sucede; ele exerce a função de objeto direto do verbo "visualizar". A oração em questão é: "podemos visualizar as marcas que constituíram...". O sujeito dessa oração é o pronome oculto/desinencial "nós" (implícito na desinência de "podemos"), e "as marcas" é o complemento verbal que recebe a ação de visualizar. A passagem que prova isso está no primeiro parágrafo do texto.

"No cotidiano de todo brasileiro, podemos visualizar as marcas que constituíram, a partir do século XVI, a presença dos povos africanos..."

Aqui, "podemos" traz o sujeito oculto "nós"; "visualizar" é o verbo transitivo direto; e "as marcas" é o termo que completa o sentido desse verbo, ou seja, o objeto direto. A banca tenta confundir o candidato fazendo-o acreditar que "as marcas" seria o sujeito por estar antes do verbo "constituíram" (que é o verbo da oração subordinada adjetiva seguinte), mas a análise sintática correta exige identificar a oração principal e seus termos.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação a respeito da função sintática de um termo. Isso é uma questão de análise sintática — não de interpretação de texto. O comando "julge o item" exige que você verifique se a classificação dada está correta ou não, com base na estrutura gramatical do período. Aqui, a banca afirma que "as marcas" é sujeito da oração que o sucede. Para resolver, é preciso identificar a oração principal e localizar o verbo ao qual o termo se liga.

A estrutura sintática do trecho

Vamos decompor o período:

  • Oração principal: "podemos visualizar as marcas"

    • Sujeito: oculto/desinencial "nós" (marcado pela desinência -mos de "podemos")

    • Verbo: "podemos visualizar" (locução verbal — verbo auxiliar "poder" + verbo principal "visualizar")

    • Objeto direto: "as marcas" (complemento do verbo "visualizar")

  • Oração subordinada adjetiva restritiva: "que constituíram, a partir do século XVI, a presença dos povos africanos..."

    • Sujeito: o pronome relativo "que" (retoma "as marcas")

    • Verbo: "constituíram"

    • Objeto direto: "a presença dos povos africanos..."

A pegadinha está em "as marcas" aparecer antes do verbo "constituíram". Como o sujeito normalmente vem antes do verbo, o candidato desatento pode achar que "as marcas" é o sujeito de "constituíram". Mas, na verdade, "as marcas" é o objeto direto de "visualizar" (oração principal), e o sujeito de "constituíram" é o pronome relativo "que", que retoma "as marcas".

A técnica para não errar

Sempre que a banca perguntar sobre a função sintática de um termo, siga estes passos:

  1. Encontre o verbo da oração em que o termo está.

  2. Pergunte ao verbo: "quem?" (para achar o sujeito) ou "o quê?/quem?" (para achar o objeto direto).

  3. Verifique se o termo concorda com o verbo — se concordar, é sujeito; se não, é complemento.

No trecho, "as marcas" não concorda com "podemos" (que está na 1ª pessoa do plural), logo não pode ser sujeito de "podemos". E "as marcas" não é o sujeito de "constituíram" porque o sujeito de "constituíram" é o pronome relativo "que".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a posição do termo (antes do verbo "constituíram") para induzir o candidato a classificá-lo como sujeito. Mas a posição não é critério definitivo — o que decide é a relação de concordância e a pergunta ao verbo.

"As marcas" no período
  • 1Oração principal
    • Sujeito oculto "nós"
    • Verbo "podemos visualizar"
    • Objeto direto: "as marcas"
  • 2Oração subordinada adjetiva
    • Sujeito: pronome relativo "que"
    • Verbo "constituíram"
    • Objeto direto: "a presença dos povos"
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Análise da alternativa

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que "as marcas" é sujeito da oração que o sucede está errada. Como demonstrado, "as marcas" é objeto direto de "visualizar" na oração principal. O sujeito da oração seguinte ("que constituíram...") é o pronome relativo "que", que retoma "as marcas". A banca trocou a função sintática do termo, confundindo objeto direto com sujeito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O item está errado, pois a classificação apresentada não corresponde à função real do termo. "As marcas" não é sujeito; é objeto direto do verbo "visualizar". A banca pediu para julgar a afirmação, e a afirmação é falsa. Portanto, a resposta correta é Errado.

Conclusão: a questão testa a habilidade de identificar a função sintática dentro de um período composto. A armadilha é a posição do termo, que pode enganar. Lembre-se: sujeito é o termo que concorda com o verbo e responde à pergunta "quem?/o quê?" antes do verbo. Aqui, "as marcas" responde a "o que podemos visualizar?" — logo, é objeto direto.

Gabarito: letra E (Errado).

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