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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
ce414522
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Em uma teoria da compreensão de texto, o primeiro aspecto importante é a noção de língua que se adota. Alguns manuais escolares concebem a língua simplesmente como um código ou um sistema de sinais autônomo, totalmente transparente, sem história, e fora da realidade social dos falantes. Mas a língua é muito mais do que um sistema de estruturas fonológicas, sintáticas e lexicais. A rigor, a língua não é sequer uma estrutura; ela é estruturada simultaneamente em vários planos, seja o fonológico, sintático, semântico e cognitivo noprocesso de enunciação. A língua é um fenômeno cultural, histórico, social e cognitivo que varia ao longo do tempo e de acordo com os falantes: ela se manifesta no uso e é sensível ao uso.


Portanto, a língua é uma atividade constitutiva com a qual podemos construir sentidos; é uma forma cognitiva com a qual podemos expressar nossos sentimentos, ideias, ações e representar o mundo; é uma forma de ação pela qual podemos interagir com nossos semelhantes. Em consequência, a língua se manifesta nos processos discursivos, no nível da enunciação, concretizando-se nos usos textuais mais diversos. É importante não confundir a língua com o discurso.


Nessa perspectiva, a língua é mais do que um simples instrumento de comunicação; mais do que um código ou uma estrutura. Enquanto atividade, ela é indeterminada sob o ponto de vista semântico e sintático. Por isso, as significações e os sentidos textuais e discursivos não podem estar aprisionados no interior dos textos pelas estruturas linguísticas. A língua é opaca, não é totalmente transparente, podendo ser ambígua, polissêmica, de modo que os textos podem ter mais de um sentido, e o equívoco nas atividades discursivas é um fato comum.


Na realidade, um texto bem-sucedido é aquele que consegue dizer o suficiente para ser bem-entendido, supondo apenas aquilo que é possível esperar como sabido pelo ouvinte ou leitor. É interessante notar que, se o autor ou falante de um texto diz uma parte e supõe outra parte como de responsabilidade do leitor ou ouvinte, então a atividade de produção de sentidos (ou de compreensão de texto) é sempre uma atividade de coautoria. Isto quer dizer que os sentidos são parcialmente produzidos pelo texto e parcialmente completados pelo leitor.


Ao lado da noção de língua, é necessário ter uma noção de texto. A escola trata o texto como um produto acabado e que funciona como uma cesta natalina, de onde a gente tira coisas. O texto não é um produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo. Assim, não sendo um produto acabado, objetivo, como uma espécie de depósito de informações, mas sendo um processo, o texto se acha em permanente elaboração e reelaboração ao longo de sua história e ao longo das diversas recepções pelos diversos leitores. Em suma, texto é uma proposta de sentido e ele se acha aberto a várias alternativas de compreensão.


Luiz Antônio Marcuschi. Exercícios de compreensão 

ou copiação nos manuais de ensino de língua? Em Aberto, Brasília, ano 16, n.º 69, jan.-mar./1996 (com adaptações).

Texto 19A1

 

No que se refere à pontuação e ortografia no texto 19A1, bem como a aspectos fonológicos de vocábulos nele empregados, julgue o item que se segue.

 

A supressão da vírgula após “texto” (primeiro período do primeiro parágrafo) prejudicaria a correção gramatical do texto, visto que, naquele período, o emprego da vírgula é obrigatório para separar o adjunto adverbial antecipado.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula em adjunto adverbial anteposto: obrigatória ou facultativa?

Gabarito: ERRADO (letra E). A supressão da vírgula após “texto” não prejudicaria a correção gramatical, pois, no trecho, o adjunto adverbial é curto e, por isso, a vírgula é facultativa — não obrigatória. A regra que o item invoca (vírgula obrigatória para separar adjunto adverbial anteposto) só se aplica a adjuntos longos (ou deslocados com certa extensão); adjuntos curtos dispensam a vírgula sem prejuízo à norma culta. Veja o trecho:

“Em uma teoria da compreensão de texto, o primeiro aspecto importante é a noção de língua que se adota.”

O adjunto “Em uma teoria da compreensão de texto” está anteposto ao sujeito, mas é curto (nove palavras, sem vírgulas internas). A norma culta faculta a vírgula nesse caso: pode-se escrever “Em uma teoria da compreensão de texto o primeiro aspecto importante é...” sem erro. Portanto, a afirmação de que a vírgula é obrigatória está incorreta.

O comando da questão

O item pede um julgamento Certo/Errado sobre a obrigatoriedade da vírgula. A palavra-chave é “obrigatório”. Se a vírgula fosse apenas facultativa, a supressão não prejudicaria a correção — e é exatamente isso que ocorre. O comando não pergunta se a vírgula é adequada ou se sua presença é comum; pergunta se a supressão causaria erro. Como a vírgula é dispensável, a resposta é Errado.

A regra da vírgula em adjuntos adverbiais

A gramática normativa estabelece que a vírgula é obrigatória para separar adjuntos adverbiais deslocados (antepostos ou intercalados) quando são longos (geralmente mais de três palavras) ou quando há risco de ambiguidade. Para adjuntos curtos (até três palavras, aproximadamente), a vírgula é facultativa — pode-se usá-la ou não, sem erro. Exemplos:

  • Obrigatória:Na manhã chuvosa de segunda-feira, o trânsito ficou caótico.” (adjunto longo)

  • Facultativa:Ontem, fui ao cinema.” / “Ontem fui ao cinema.” (adjunto curto)

No trecho do texto, o adjunto “Em uma teoria da compreensão de texto” tem nove palavras — mas isso não o torna longo para a regra, pois o critério não é apenas o número de palavras, mas a complexidade e a extensão que justifiquem a pausa. Na prática das bancas, adjuntos com essa estrutura (preposição + substantivo + complementos) são tratados como curtos quando não ultrapassam uma linha e não contêm vírgulas internas. A vírgula, portanto, é facultativa.

A pegadinha da banca

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que todo adjunto adverbial anteposto exige vírgula. Isso é falso: a obrigatoriedade é para adjuntos longos ou deslocados com extensão. O adjunto do texto é curto, então a vírgula é dispensável. A palavra “obrigatório” é o gatilho para desconfiar.

Análise da assertiva

1Obrigatória
Adjunto longo
Risco de ambiguidade
2Facultativa
Adjunto curto
Sem vírgulas internas
3Proibida
Adjunto em posição canônica
Vírgula em adjunto adverbial anteposto
LEVELsoulevel.com.br
Vírgula em adjunto adverbial anteposto: Obrigatória (Adjunto longo, Risco de ambiguidade); Facultativa (Adjunto curto, Sem vírgulas internas); Proibida (Adjunto em posição canônica)

Assertiva — ❌ Errado

A assertiva afirma que a supressão da vírgula após “texto” prejudicaria a correção gramatical, pois o emprego seria obrigatório para separar o adjunto adverbial antecipado. Isso está incorreto por dois motivos:

  1. O adjunto é curto: “Em uma teoria da compreensão de texto” é um adjunto adverbial de nove palavras, mas sem vírgulas internas e sem complexidade que exija pausa obrigatória. A norma culta faculta a vírgula nesse caso.

  2. A supressão não gera erro: Escrever “Em uma teoria da compreensão de texto o primeiro aspecto importante é...” é gramaticalmente correto. A vírgula, se usada, é uma opção estilística, não uma exigência.

Portanto, a assertiva está errada.

Conclusão

A questão testa o conhecimento da regra de vírgula em adjuntos adverbiais. A palavra-chave é “obrigatório”: se a vírgula é facultativa, a supressão não prejudica a correção. No trecho, o adjunto é curto, logo a vírgula é dispensável. Gabarito: ERRADO (letra E).

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre vírgula, pergunte-se: “a vírgula é obrigatória, facultativa ou proibida?”. Se for facultativa, a supressão não gera erro. Desconfie de itens que usam “obrigatório” sem justificativa clara (adjunto longo, ambiguidade, oração explicativa).

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