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Questão de Português — Fonética (Fonemas, Dígrafos, Encontros Consonantais, Vocálicos). Separação Silábica — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsFonética (Fonemas, Dígrafos, Encontros Consonantais, Vocálicos). Separação Silábica
Código
ce414525
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Em uma teoria da compreensão de texto, o primeiro aspecto importante é a noção de língua que se adota. Alguns manuais escolares concebem a língua simplesmente como um código ou um sistema de sinais autônomo, totalmente transparente, sem história, e fora da realidade social dos falantes. Mas a língua é muito mais do que um sistema de estruturas fonológicas, sintáticas e lexicais. A rigor, a língua não é sequer uma estrutura; ela é estruturada simultaneamente em vários planos, seja o fonológico, sintático, semântico e cognitivo noprocesso de enunciação. A língua é um fenômeno cultural, histórico, social e cognitivo que varia ao longo do tempo e de acordo com os falantes: ela se manifesta no uso e é sensível ao uso.


Portanto, a língua é uma atividade constitutiva com a qual podemos construir sentidos; é uma forma cognitiva com a qual podemos expressar nossos sentimentos, ideias, ações e representar o mundo; é uma forma de ação pela qual podemos interagir com nossos semelhantes. Em consequência, a língua se manifesta nos processos discursivos, no nível da enunciação, concretizando-se nos usos textuais mais diversos. É importante não confundir a língua com o discurso.


Nessa perspectiva, a língua é mais do que um simples instrumento de comunicação; mais do que um código ou uma estrutura. Enquanto atividade, ela é indeterminada sob o ponto de vista semântico e sintático. Por isso, as significações e os sentidos textuais e discursivos não podem estar aprisionados no interior dos textos pelas estruturas linguísticas. A língua é opaca, não é totalmente transparente, podendo ser ambígua, polissêmica, de modo que os textos podem ter mais de um sentido, e o equívoco nas atividades discursivas é um fato comum.


Na realidade, um texto bem-sucedido é aquele que consegue dizer o suficiente para ser bem-entendido, supondo apenas aquilo que é possível esperar como sabido pelo ouvinte ou leitor. É interessante notar que, se o autor ou falante de um texto diz uma parte e supõe outra parte como de responsabilidade do leitor ou ouvinte, então a atividade de produção de sentidos (ou de compreensão de texto) é sempre uma atividade de coautoria. Isto quer dizer que os sentidos são parcialmente produzidos pelo texto e parcialmente completados pelo leitor.


Ao lado da noção de língua, é necessário ter uma noção de texto. A escola trata o texto como um produto acabado e que funciona como uma cesta natalina, de onde a gente tira coisas. O texto não é um produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo. Assim, não sendo um produto acabado, objetivo, como uma espécie de depósito de informações, mas sendo um processo, o texto se acha em permanente elaboração e reelaboração ao longo de sua história e ao longo das diversas recepções pelos diversos leitores. Em suma, texto é uma proposta de sentido e ele se acha aberto a várias alternativas de compreensão.


Luiz Antônio Marcuschi. Exercícios de compreensão 

ou copiação nos manuais de ensino de língua? Em Aberto, Brasília, ano 16, n.º 69, jan.-mar./1996 (com adaptações).

Texto 19A1

 

No que se refere à pontuação e ortografia no texto 19A1, bem como a aspectos fonológicos de vocábulos nele empregados, julgue o item que se segue.

 

Em cada um dos seguintes vocábulos, o número de letras coincide com o de fonemas: “manuais”; “falantes”; “cognitivo”.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fonemas e letras: contagem em "manuais", "falantes" e "cognitivo"

Gabarito: ERRADO. A afirmação de que, em cada um dos vocábulos, o número de letras coincide com o de fonemas é falsa, porque em "manuais" e "falantes" há dígrafos vocálicos nasais ("an" e "en"), que representam um único fonema com duas letras. Apenas "cognitivo" apresenta coincidência entre letras e fonemas. A banca explora exatamente a confusão entre letra (representação gráfica) e fonema (unidade sonora), distinção que o próprio texto de apoio reforça ao afirmar que "não se há de confundir fonema ou fone com letra".

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação de natureza fonológica: verificar se, em três palavras específicas, o número de letras é igual ao número de fonemas. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de aplicação de um conceito gramatical — a relação entre grafia e som. O comando "julgue o item" exige que você teste a veracidade da afirmação contra os fatos da língua, não contra o conteúdo do texto de Marcuschi. O texto-base serve apenas como contexto de onde as palavras foram retiradas; a resposta mora na análise fonética de cada vocábulo.

O conceito que decide: letra × fonema

Letra é o sinal gráfico que usamos para escrever. Fonema é a unidade sonora mínima que distingue significados na língua falada. A regra de ouro: nem sempre há correspondência biunívoca entre letras e fonemas. Dois casos clássicos de divergência:

  1. Dígrafo: duas letras representando um único fonema (ex.: "ch" em chave = 1 fonema /ʃ/; "ss" em passo = 1 fonema /s/; "an" em campo = 1 fonema vocálico nasal). Aqui, o número de letras é maior que o de fonemas.

  2. Letra sem fonema: letra que não é pronunciada (ex.: "h" em hoje; "u" em quero, quando não pronunciado). Aqui, o número de letras também é maior que o de fonemas.

No caso específico dos dígrafos vocálicos nasais (am, an, em, en, im, in, om, on, um, un), a consoante m ou n não é pronunciada como consoante; ela apenas nasaliza a vogal anterior. Assim, em "campo", temos 5 letras (c-a-m-p-o) mas apenas 4 fonemas: /k/, /ã/, /p/, /u/ — o "m" não é um fonema consonantal, é uma marca de nasalização da vogal /a/.

Análise palavra por palavra

Vamos contar letras e fonemas de cada vocábulo:

Vocábulo

Letras

Fonemas

Coincidem?

manuais

7 (m-a-n-u-a-i-s)

6 (/m/, /ã/, /u/, /a/, /i/, /s/)

Não — o dígrafo "an" = 1 fonema /ã/

falantes

8 (f-a-l-a-n-t-e-s)

7 (/f/, /a/, /l/, /ã/, /t/, /e/, /s/)

Não — o dígrafo "en" = 1 fonema /ã/

cognitivo

9 (c-o-g-n-i-t-i-v-o)

9 (/k/, /o/, /g/, /n/, /i/, /t/, /i/, /v/, /o/)

Sim — cada letra corresponde a um fonema

"manuais" → 7 letras, 6 fonemas (o "an" é dígrafo vocálico nasal: /ã/) "falantes" → 8 letras, 7 fonemas (o "en" é dígrafo vocálico nasal: /ã/) "cognitivo" → 9 letras, 9 fonemas (o "gn" é encontro consonantal perfeito, com dois fonemas distintos: /g/ e /n/)

Como dois dos três vocábulos não apresentam coincidência entre letras e fonemas, a afirmação de que "em cada um dos seguintes vocábulos, o número de letras coincide com o de fonemas" é falsa. Basta um único contraexemplo para derrubar a generalização — e aqui há dois.

A pegadinha da banca

Letras × fonemas
  • 1Coincidem
    • cognitivo (9 letras = 9 fonemas)
  • 2Não coincidem (dígrafo nasal)
    • manuais (7 letras, 6 fonemas)
    • falantes (8 letras, 7 fonemas)
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NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura palavras com e sem dígrafo. O candidato apressado conta as letras de "manuais" e "falantes" e não percebe que "an" e "en" são dígrafos vocálicos nasais, que reduzem o número de fonemas. "Cognitivo" é a isca: como nela letras e fonemas coincidem, o candidato pode achar que a regra vale para todas.

PEGA ESSA DICA!

Ao contar fonemas, procure primeiro os dígrafos (ch, lh, nh, rr, ss, sc, sç, xc, xs, qu, gu, e os vocálicos am/an/em/en/im/in/om/on/um/un). Cada dígrafo = 1 fonema, não 2. Depois, verifique se há letras mudas (h inicial, u em qu/gu quando não pronunciado).

Conclusão

A questão testa a distinção fundamental entre letra (plano gráfico) e fonema (plano sonoro). Em "manuais" e "falantes", os dígrafos vocálicos nasais "an" e "en" fazem o número de fonemas ser menor que o de letras; apenas "cognitivo" tem coincidência perfeita. Portanto, a afirmação é ERRADA.

Gabarito: ERRADO (letra E).

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