Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Uso do Hífen — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsUso do Hífen
Código
ce414530
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Em uma teoria da compreensão de texto, o primeiro aspecto importante é a noção de língua que se adota. Alguns manuais escolares concebem a língua simplesmente como um código ou um sistema de sinais autônomo, totalmente transparente, sem história, e fora da realidade social dos falantes. Mas a língua é muito mais do que um sistema de estruturas fonológicas, sintáticas e lexicais. A rigor, a língua não é sequer uma estrutura; ela é estruturada simultaneamente em vários planos, seja o fonológico, sintático, semântico e cognitivo no processo de enunciação. A língua é um fenômeno cultural, histórico, social e cognitivo que varia ao longo do tempo e de acordo com os falantes: ela se manifesta no uso e é sensível ao uso.


Portanto, a língua é uma atividade constitutiva com a qual podemos construir sentidos; é uma forma cognitiva com a qual podemos expressar nossos sentimentos, ideias, ações e representar o mundo; é uma forma de ação pela qual podemos interagir com nossos semelhantes. Em consequência, a língua se manifesta nos processos discursivos, no nível da enunciação, concretizando-se nos usos textuais mais diversos. É importante não confundir a língua com o discurso.


Nessa perspectiva, a língua é mais do que um simples instrumento de comunicação; mais do que um código ou uma estrutura. Enquanto atividade, ela é indeterminada sob o ponto de vista semântico e sintático. Por isso, as significações e os sentidos textuais e discursivos não podem estar aprisionados no interior dos textos pelas estruturas linguísticas. A língua é opaca, não é totalmente transparente, podendo ser ambígua, polissêmica, de modo que os textos podem ter mais de um sentido, e o equívoco nas atividades discursivas é um fato comum.


Na realidade, um texto bem-sucedido é aquele que consegue dizer o suficiente para ser bem-entendido, supondo apenas aquilo que é possível esperar como sabido pelo ouvinte ou leitor. É interessante notar que, se o autor ou falante de um texto diz uma parte e supõe outra parte como de responsabilidade do leitor ou ouvinte, então a atividade de produção de sentidos (ou de compreensão de texto) é sempre uma atividade de coautoria. Isto quer dizer que os sentidos são parcialmente produzidos pelo texto e parcialmente completados pelo leitor.


Ao lado da noção de língua, é necessário ter uma noção de texto. A escola trata o texto como um produto acabado e que funciona como uma cesta natalina, de onde a gente tira coisas. O texto não é um produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo. Assim, não sendo um produto acabado, objetivo, como uma espécie de depósito de informações, mas sendo um processo, o texto se acha em permanente elaboração e reelaboração ao longo de sua história e ao longo das diversas recepções pelos diversos leitores. Em suma, texto é uma proposta de sentido e ele se acha aberto a várias alternativas de compreensão.


Luiz Antônio Marcuschi. Exercícios de compreensão 

ou copiação nos manuais de ensino de língua? Em Aberto, Brasília, ano 16, n.º 69, jan.-mar./1996 (com adaptações).

Texto 19A1

 

Julgue o item a seguir, em relação à separação silábica, à translineação e à acentuação tônica e gráfica de vocábulos empregados no texto 19A1.

 

Na translineação de vocábulos compostos, a exemplo de “bem-sucedido”, é obrigatória a repetição do hífen na linha seguinte, diferentemente do que ocorre em palavras como “concretizando-se”, caso em que essa repetição é facultativa.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Translineação e hífen em vocábulos compostos

Gabarito: ERRADO. A afirmação está incorreta porque, na translineação de palavras compostas com hífen, como “bem-sucedido”, o hífen não é repetido na linha seguinte; ele é apenas mantido no final da linha, e a segunda parte do composto inicia a linha seguinte sem hífen. O mesmo vale para palavras como “concretizando-se”: o hífen não é repetido na linha seguinte, e a repetição não é facultativa — ela simplesmente não ocorre. A regra é uniforme: o hífen permanece apenas no fim da linha, nunca no início da linha seguinte.

A questão cobra um ponto específico da translineação (divisão silábica na mudança de linha) em palavras que já contêm hífen. O comando pede que se julgue a afirmação sobre a repetição do hífen na linha seguinte. Para resolver, é preciso conhecer a regra ortográfica que rege a partição de palavras compostas e de formas verbais com pronomes oblíquos.

A regra é clara e única: ao dividir uma palavra que contém hífen no fim da linha, o hífen permanece no final da linha, e a linha seguinte começa com a segunda parte da palavra, sem hífen. Isso vale tanto para palavras compostas (como “bem-sucedido”) quanto para formas verbais com pronomes (como “concretizando-se”). Não há qualquer distinção entre esses dois casos quanto à repetição do hífen: em ambos, o hífen não é repetido. A afirmação do item, portanto, está duplamente errada: (1) diz que a repetição é obrigatória em “bem-sucedido”, o que é falso; (2) diz que em “concretizando-se” a repetição é facultativa, o que também é falso.

A banca explora uma confusão comum: o candidato pode achar que, por serem palavras compostas, o hífen precisa ser “recolocado” na linha seguinte para manter a noção de composição. Mas a norma é exatamente o contrário — o hífen é um sinal de união que, na translineação, fica apenas no fim da linha, e a linha seguinte começa sem ele. A repetição do hífen no início da linha seguinte é um erro, não uma possibilidade.

Translineação com hífen
  • 1Palavra composta (bem-sucedido)
    • Hífen fica no fim da linha
    • Não repete na linha seguinte
  • 2Verbo + pronome (concretizando-se)
    • Hífen fica no fim da linha
    • Não repete na linha seguinte
  • 3Regra única
    • Nunca inicia linha com hífen
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ❌ ERRADO

A afirmação de que “é obrigatória a repetição do hífen na linha seguinte” em “bem-sucedido” está incorreta. Na translineação, o hífen permanece apenas no final da linha, e a linha seguinte começa com a segunda parte do composto, sem hífen. O mesmo vale para “concretizando-se”: o hífen não é repetido, e essa repetição não é facultativa — ela é simplesmente inexistente. A regra é uniforme para todos os vocábulos com hífen.

PEGA ESSA DICA!

Na translineação, o hífen é um sinal de união que fica no fim da linha. A linha seguinte nunca começa com hífen. Essa regra vale para qualquer palavra com hífen, seja composta (bem-sucedido) ou verbo com pronome (concretizando-se).

Conclusão: A afirmação está errada porque a repetição do hífen na linha seguinte não é obrigatória em “bem-sucedido” nem facultativa em “concretizando-se”. Em ambos os casos, o hífen permanece apenas no final da linha, e a linha seguinte começa sem ele. A regra é única e não admite exceções.

Gabarito: ERRADO

Link permanente: /questoes/ce414530