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Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsOrações Subordinadas Substantivas
Código
ce414534
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Em uma teoria da compreensão de texto, o primeiro aspecto importante é a noção de língua que se adota. Alguns manuais escolares concebem a língua simplesmente como um código ou um sistema de sinais autônomo, totalmente transparente, sem história, e fora da realidade social dos falantes. Mas a língua é muito mais do que um sistema de estruturas fonológicas, sintáticas e lexicais. A rigor, a língua não é sequer uma estrutura; ela é estruturada simultaneamente em vários planos, seja o fonológico, sintático, semântico e cognitivo no processo de enunciação. A língua é um fenômeno cultural, histórico, social e cognitivo que varia ao longo do tempo e de acordo com os falantes: ela se manifesta no uso e é sensível ao uso.


Portanto, a língua é uma atividade constitutiva com a qual podemos construir sentidos; é uma forma cognitiva com a qual podemos expressar nossos sentimentos, ideias, ações e representar o mundo; é uma forma de ação pela qual podemos interagir com nossos semelhantes. Em consequência, a língua se manifesta nos processos discursivos, no nível da enunciação, concretizando-se nos usos textuais mais diversos. É importante não confundir a língua com o discurso.


Nessa perspectiva, a língua é mais do que um simples instrumento de comunicação; mais do que um código ou uma estrutura. Enquanto atividade, ela é indeterminada sob o ponto de vista semântico e sintático. Por isso, as significações e os sentidos textuais e discursivos não podem estar aprisionados no interior dos textos pelas estruturas linguísticas. A língua é opaca, não é totalmente transparente, podendo ser ambígua, polissêmica, de modo que os textos podem ter mais de um sentido, e o equívoco nas atividades discursivas é um fato comum.


Na realidade, um texto bem-sucedido é aquele que consegue dizer o suficiente para ser bem-entendido, supondo apenas aquilo que é possível esperar como sabido pelo ouvinte ou leitor. É interessante notar que, se o autor ou falante de um texto diz uma parte e supõe outra parte como de responsabilidade do leitor ou ouvinte, então a atividade de produção de sentidos (ou de compreensão de texto) é sempre uma atividade de coautoria. Isto quer dizer que os sentidos são parcialmente produzidos pelo texto e parcialmente completados pelo leitor.


Ao lado da noção de língua, é necessário ter uma noção de texto. A escola trata o texto como um produto acabado e que funciona como uma cesta natalina, de onde a gente tira coisas. O texto não é um produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo. Assim, não sendo um produto acabado, objetivo, como uma espécie de depósito de informações, mas sendo um processo, o texto se acha em permanente elaboração e reelaboração ao longo de sua história e ao longo das diversas recepções pelos diversos leitores. Em suma, texto é uma proposta de sentido e ele se acha aberto a várias alternativas de compreensão.


Luiz Antônio Marcuschi. Exercícios de compreensão 

ou copiação nos manuais de ensino de língua? Em Aberto, Brasília, ano 16, n.º 69, jan.-mar./1996 (com adaptações).

Texto 19A1

 

Julgue o próximo item, relativo a aspectos gramaticais do texto 19A1.


No último período do segundo parágrafo, a oração “não confundir a língua com o discurso” classifica-se como subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação da oração “não confundir a língua com o discurso”

Gabarito: ERRADO. A oração “não confundir a língua com o discurso” não é uma subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo; ela exerce a função de objeto direto do verbo “evitar” (que está implícito no contexto), e não do verbo “confundir”. A banca troca o verbo da oração principal, criando uma armadilha clássica de análise sintática.

Desenvolvimento

1. O comando

A questão pede um julgamento sobre a classificação sintática de uma oração. Isso é gramática aplicada ao texto, não interpretação. O comando é direto: “classifica-se como subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo”. Para resolver, você precisa (a) identificar o verbo da oração principal, (b) ver qual termo a oração completa e (c) conferir se ela está na forma reduzida de infinitivo.

2. O texto

No segundo parágrafo, o trecho relevante é:

“É importante não confundir a língua com o discurso.”

Aqui, o verbo da oração principal é “é” (verbo de ligação), e o sujeito é a oração “não confundir a língua com o discurso”. Ou seja, a oração funciona como sujeito do verbo “é”, não como objeto direto. A banca, no entanto, afirma que ela é “objetiva direta”, o que já é um erro.

3. A técnica

Para classificar uma oração subordinada substantiva, o método é substituí-la por “isso” ou “isto” e ver a função que ela exerce na oração principal:

  • “É importante [não confundir a língua com o discurso]”“Isso é importante” → a oração é o sujeito de “é”.

  • Se fosse objetiva direta, a oração completaria um verbo transitivo direto, como em “Quero [que você estude]” → “Quero [isso]”.

No trecho, o verbo “confundir” está dentro da oração subordinada, não é o verbo da principal. A oração principal é “É importante”, e o sujeito é a oração inteira. Portanto, a classificação correta é subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo.

4. O gancho

A pegadinha da banca é fazer você acreditar que o verbo “confundir” é o verbo da oração principal e que “a língua com o discurso” seria o objeto direto. Mas o verbo da principal é “é”, e a oração inteira é o sujeito. Sempre identifique o verbo da oração principal antes de classificar a subordinada.

1Subjetiva
Função: sujeito do verbo da principal
Teste: "Isso é importante"
2Objetiva direta
Função: objeto direto de verbo transitivo
Teste: "Quero isso"
3Reduzida de infinitivo
Verbo no infinitivo
Sem conectivo
Oração subordinada substantiva
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Oração subordinada substantiva: Subjetiva (Função: sujeito do verbo da principal, Teste: "Isso é importante"); Objetiva direta (Função: objeto direto de verbo transitivo, Teste: "Quero isso"); Reduzida de infinitivo (Verbo no infinitivo, Sem conectivo)

Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação está errada. A oração “não confundir a língua com o discurso” é subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo, pois funciona como sujeito do verbo “é” na oração principal “É importante”. A banca comete o erro de trocar o verbo da oração principal, classificando a oração como objetiva direta quando, na verdade, ela é subjetiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o verbo da oração principal. Ela faz você pensar que “confundir” é o verbo principal e que “a língua com o discurso” é o objeto direto. Mas o verbo principal é “é”, e a oração inteira é o sujeito.

PEGA ESSA DICA!

Substitua a oração por “isso”. Se “isso” for o sujeito do verbo da principal, é subjetiva. Se completar um verbo transitivo, é objetiva direta.

Gabarito: ERRADO (letra E).

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