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Questão de Português — Vícios de Linguagem (Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia, etc.) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsVícios de Linguagem (Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia, etc.)
Código
ce414536
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Prof ( )
        É bem verdade que um número considerável de brasileiros utiliza outros idiomas como sua língua primeira. Há os usuários da LIBRAS, a língua brasileira de sinais, que é um idioma pleno e totalmente diferente do português; há os falantes das línguas originárias do Brasil que não foram extintas durante esses séculos de colonização (no censo de 2010, pouco menos de 140 mil dessas pessoas disseram não usar o português em família); há falantes das diversas línguas de colonização que aportaram aqui especialmente no final do século XIX e no começo do XX (o talian dos migrantes italianos, o hunsrückisch ou o pommeranisch dos alemães, entre várias outras, como o árabe, o japonês, o polonês); e há também falantes de línguas que chegaram com migrações mais recentes, como a dos sírios, haitianos e venezuelanos. Parte dessa diversidade, inclusive, é hoje reconhecida por atos legais que, nos últimos anos, concederam a certos idiomas originários (o baníwa e o tukano, por exemplo) e a algumas línguas de herança (como o pommeranisch) o estatuto de línguas oficiais de seus municípios.

Caetano W. Galindo. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português.
São Paulo: Companhia das Letras, 2023 (com adaptações).

Considerando a significação de palavras e construções empregadas no texto precedente, julgue o item a seguir.


No último período, o emprego da palavra “atos” gera ambiguidade, uma vez que ela pode significar o mesmo que documentos ou o mesmo que ações.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ambiguidade da palavra “atos” no último período

Gabarito: E (Errado). A palavra “atos”, no último período do texto, não gera ambiguidade no contexto em que está empregada. O enunciado afirma que ela poderia significar tanto “documentos” quanto “ações”, mas, no trecho, o sentido é unívoco: “atos legais” refere-se a documentos oficiais (leis, decretos) que concederam estatuto de língua oficial a certos idiomas. A ambiguidade exigiria que ambas as leituras fossem possíveis no mesmo contexto, o que não ocorre.

O comando pede que se julgue a afirmação sobre a significação de palavras e construções no texto. Trata-se de uma questão de semântica contextual: não basta que a palavra tenha dois sentidos no dicionário (polissemia); é preciso que o contexto permita as duas interpretações para que haja ambiguidade. No trecho, o adjetivo “legais” e a oração subordinada adjetiva restringem o sentido de “atos” a documentos jurídicos, eliminando a leitura de “ações”.

A técnica para resolver: teste a ambiguidade substituindo cada sentido possível no trecho. Se apenas um deles produz uma frase coerente com o restante do período, não há ambiguidade. Vejamos:

“Parte dessa diversidade, inclusive, é hoje reconhecida por atos legais que, nos últimos anos, concederam a certos idiomas originários (o baníwa e o tukano, por exemplo) e a algumas línguas de herança (como o pommeranisch) o estatuto de línguas oficiais de seus municípios.”

A oração “que [...] concederam [...] o estatuto de línguas oficiais” só pode ser praticada por documentos legais (leis, decretos municipais). “Ações” não concedem estatuto oficial; quem concede são instrumentos normativos. Portanto, o contexto desambigua a palavra, fixando o sentido de “documento”.

A banca explora a polissemia da palavra “ato” (que, isolada, pode ser “ação” ou “documento”) para sugerir uma ambiguidade que não se concretiza no texto. A pegadinha está em confundir polissemia (multiplicidade de sentidos de uma palavra) com ambiguidade (dupla leitura efetiva de um enunciado).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o conceito de polissemia (a palavra tem vários sentidos no dicionário) pelo de ambiguidade (o contexto permite duas leituras). A palavra “ato” é polissêmica, mas, no trecho, o contexto a desambigua.

Ambiguidade × Polissemia
  • 1Polissemia
    • Palavra com vários sentidos no dicionário
    • "ato" = ação ou documento
  • 2Ambiguidade
    • Contexto permite duas leituras
    • Exige ambas coerentes no trecho
  • 3Teste do contexto
    • Substituir cada sentido no trecho
    • Só um coerente → não há ambiguidade
    • "atos legais" → documentos (fixado)
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Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação de que o emprego de “atos” gera ambiguidade é falsa. No último período, o termo aparece qualificado por “legais” e seguido da oração adjetiva “que [...] concederam [...] o estatuto de línguas oficiais”. Essa estrutura fixa o sentido de “atos” como documentos oficiais (leis, decretos). A leitura alternativa — “atos” como “ações” — tornaria o trecho incoerente, pois “ações” não concedem estatuto de língua oficial. Logo, não há dupla interpretação possível no contexto; há apenas polissemia da palavra, que não se realiza como ambiguidade.

Conclusão: a palavra “atos” é polissêmica (pode significar “documentos” ou “ações” em outros contextos), mas, no texto, o contexto a desambigua, fixando o sentido de “documento legal”. Portanto, não há ambiguidade, e o item está errado.

PEGA ESSA DICA!

Para testar ambiguidade, substitua cada sentido possível no trecho e verifique se ambos produzem frases coerentes. Se apenas um for coerente, não há ambiguidade — há apenas polissemia.

Gabarito: E (Errado).

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