Questão de Português — Vocábulo "Que" — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce414547
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- InoversaSul
- Ano
- 2025
- Cargo
- Prof ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: ERRADO. No trecho “Não é a paz que lhe interessa”, o vocábulo “que” é pronome relativo e exerce a função sintática de sujeito da forma verbal “interessa”, e não de complemento direto. A prova está em reescrever a oração adjetiva: “a paz lhe interessa” — “a paz” é quem pratica a ação de interessar, logo é sujeito. O item, portanto, está incorreto.
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação de natureza sintática: qual a função do “que” no trecho destacado. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — precisamos identificar a classe do “que” e o papel que ele desempenha dentro da oração que introduz.
O trecho pertence ao romance O último voo do flamingo, de Mia Couto. A frase “Não é a paz que lhe interessa” é uma construção de realce (clivada): a informação central é “a paz lhe interessa”. O “que” retoma “a paz” e introduz a oração adjetiva restritiva “que lhe interessa”.
O “que” pode ser conjunção integrante, pronome relativo ou partícula expletiva. Aqui, ele é pronome relativo, pois retoma o antecedente “a paz” e equivale a “a qual”. Para descobrir a função sintática, substitua o “que” pelo antecedente dentro da oração adjetiva:
“Não é a paz que lhe interessa” → “Não é a paz; a paz lhe interessa.”
Na oração “a paz lhe interessa”, o termo “a paz” é o sujeito do verbo “interessa”, pois é quem pratica a ação de interessar. O pronome relativo “que”, portanto, exerce a função de sujeito dentro da oração adjetiva. Se fosse objeto direto, a oração seria algo como “a paz que ele deseja” — ali, “que” seria objeto direto de “deseja”, pois “deseja a paz”. Mas aqui o verbo é “interessar”, que pede sujeito.
A banca tenta confundir o candidato ao afirmar que o “que” é objeto direto. A pegadinha está em não substituir o “que” pelo antecedente dentro da oração adjetiva. Quem faz a substituição percebe que “a paz” é sujeito, não objeto.
A afirmação está errada. O “que” não é complemento direto de “interessa”; é sujeito. A prova está na reescrita: “a paz lhe interessa” — “a paz” é quem interessa, logo é sujeito. O item, portanto, está incorreto.
Gabarito: ERRADO. A função do “que” é de sujeito, não de objeto direto. Para resolver questões assim, substitua o “que” pelo antecedente dentro da oração adjetiva e analise a função que ele exerce. Essa é a técnica infalível.
Em orações adjetivas, o pronome relativo “que” sempre exerce uma função sintática dentro da oração que introduz. Substitua-o pelo antecedente e pergunte: quem pratica a ação? Se for o sujeito, é sujeito; se for o alvo da ação, é objeto direto.
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