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Questão de Português — Partícula "Se" — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsPartícula "Se"
Código
ce414555
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Aux ( )

A inteligência artificial (IA) é um tópico frequente de discussão desde o aumento da popularidade de ferramentas como o ChatGPT. Uma análise do Fundo Monetário Internacional (FMI) abrangendo diferentes países avaliou que, no Brasil, 41% dos empregos têm alta exposição à IA. Esse critério do estudo — exposição de empregos à IA — engloba tanto trabalhos que vão se beneficiar da tecnologia como aqueles que estarão ameaçados por ela no futuro.


Para avaliar se o impacto da IA será bom ou ruim no mercado de trabalho, o relatório do FMI criou outra categoria: a complementaridade. Empregos com alta complementaridade são aqueles que se beneficiarão com a IA, mas não serão extintos por ela. Por exemplo, profissionais como administradores ou advogados terão grandes ganhos de produtividade com a IA. Suas atividades não estarão ameaçadas, pois a execução delas sempre dependerá de um grande componente humano. Já os empregos de baixa complementaridade são os mais ameaçados pela IA, uma vez que podem ser totalmente substituídos pelas novas tecnologias, dada a pouca necessidade de um componente humano. É o caso de operadores de telemarketing.


É nesse ponto que a IA pode fazer crescer a desigualdade social. Conforme o FMI, trabalhadores com mais educação e mais jovens têm melhores condições de encontrar empregos de alta complementaridade (beneficiados pela IA); os com menos escolaridade e mais velhos estarão mais sujeitos a empregos de baixa complementaridade (ameaçados pela IA).


Segundo o FMI, para aproveitar plenamente o potencial da IA, cada país deve estabelecer suas prioridades de acordo com seu nível atual de desenvolvimento. As economias de mercado emergentes avançadas e mais desenvolvidas devem investir na inovação e integração da IA ao mesmo tempo em que promovem quadros regulamentares adequados para otimizar os benefícios do aumento de sua utilização. Para as economias de mercados emergentes e em desenvolvimento menos preparadas, a criação de infraestruturas e a construção de uma força de trabalho digitalmente qualificada são fundamentais. Para todas as economias, as redes de segurança social e a reciclagem dos trabalhadores ameaçados pela IA são cruciais para garantir a inclusão.


Internet: <bbc.com> (com adaptações).

A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.   Nos segmentos “trabalhos que vão se beneficiar da tecnologia” e “Para avaliar se o impacto da IA será bom ou ruim”, o vocábulo “se” desempenha a mesma função.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções da partícula "se" no texto

Gabarito: ERRADO. Nos dois trechos citados, o vocábulo "se" desempenha funções diferentes: em "trabalhos que vão se beneficiar da tecnologia", o "se" é pronome apassivador (partícula apassivadora), pois integra uma voz passiva sintética; já em "Para avaliar se o impacto da IA será bom ou ruim", o "se" é conjunção subordinativa integrante, pois introduz uma oração que funciona como objeto direto do verbo "avaliar". A afirmação do item, portanto, é falsa.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre a função do vocábulo "se" em dois segmentos específicos do texto. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar ideias, mas de classificar morfossintaticamente a partícula em cada ocorrência e comparar as duas classificações. O comando "desempenha a mesma função" exige que você identifique a classe/função de cada "se" e verifique se são idênticas.

O texto e o ponto decisivo

O texto-base é um artigo sobre o impacto da IA no mercado de trabalho, mas o conteúdo temático é irrelevante para esta questão — o que importa é a estrutura sintática dos dois trechos citados. Vejamos cada um:

  1. "trabalhos que vão se beneficiar da tecnologia" — aqui, o "se" acompanha o verbo "beneficiar". O verbo "beneficiar" é transitivo direto (beneficiar algo/alguém). Na construção "se beneficiar", temos uma voz passiva sintética: "trabalhos que vão ser beneficiados pela tecnologia". O sujeito "trabalhos" é paciente (recebe a ação), e o "se" é pronome apassivador.

  1. "Para avaliar se o impacto da IA será bom ou ruim" — aqui, o "se" introduz uma oração subordinada substantiva: "se o impacto da IA será bom ou ruim". Essa oração funciona como objeto direto do verbo "avaliar" (avaliar o quê? avaliar se o impacto será bom ou ruim). O "se" é conjunção subordinativa integrante, sem valor semântico próprio, apenas conectivo.

Como as funções são distintas, o item está errado.

A técnica que decide

Para classificar o "se", use dois testes rápidos:

  • Teste do apassivador: se o "se" pode ser substituído por uma construção com "ser + particípio" (voz passiva analítica), é pronome apassivador. Ex.: "se beneficiar" → "ser beneficiado". ✅

  • Teste da integrante: se o "se" pode ser substituído por "isso" (a oração que ele introduz equivale a "isso"), é conjunção integrante. Ex.: "avaliar se o impacto..." → "avaliar isso". ✅

Aplicando os testes, confirmamos: no primeiro caso, o "se" é apassivador; no segundo, é integrante. Funções diferentes ⇒ item errado.

Análise do item

Partícula "se"
  • 1Pronome apassivador
    • Voz passiva sintética
    • Teste: "ser + particípio"
    • Ex.: "se beneficiar" → "ser beneficiado"
  • 2Conjunção integrante
    • Oração subordinada substantiva
    • Teste: substituir por "isso"
    • Ex.: "avaliar se..." → "avaliar isso"
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Item — ❌ ErradoGABARITO

A afirmação de que o "se" desempenha a mesma função nos dois trechos é falsa. No primeiro trecho, "se beneficiar" é voz passiva sintética (o "se" é pronome apassivador); no segundo, "se o impacto..." é oração subordinada substantiva objetiva direta (o "se" é conjunção integrante). A banca explora a confusão entre as funções da partícula "se", apresentando dois usos comuns, mas distintos, como se fossem equivalentes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta que o candidato reconheça o "se" como "partícula" nos dois casos e não perceba que, no primeiro, ele é pronome apassivador (voz passiva) e, no segundo, conjunção integrante (oração subordinada). A armadilha é tratar como iguais funções que são diferentes.

PEGA ESSA DICA!

Ao comparar a função do "se" em dois trechos, aplique os testes: (1) substitua por "ser + particípio" → apassivador; (2) substitua a oração por "isso" → integrante. Se um dos testes funcionar em um caso e o outro no segundo, as funções são diferentes.

Conclusão: o item está errado porque o "se" exerce funções distintas nos dois segmentos: pronome apassivador em "se beneficiar" e conjunção integrante em "se o impacto...".

Gabarito: ERRADO.

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