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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce414562
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Cargo
Aux ( )

Pesquisadores da Universidade Raboud, na Holanda, analisando cerca de 5.000 participantes de 358 tarefas cognitivas, chegaram à conclusão de que pensar dói. Não ria. A análise foi feita com o auxílio de um programa especial da NASA. Pelo que entendi, certas atividades cerebrais, como fazer cálculos matemáticos, ler Gertrude Stein ou tomar decisões que envolvam um sim ou não de vida ou morte, provocam sensações orgânicas que podem ser classificadas como dolorosas.


Segundo o estudo, quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico. Não é preciso pensar muito para se chegara este óbvio, por definição, ululante. A pesquisa não considera a hipótese de todo esforço mental ser relativo — para muitos, calcular uma reles raiz quadrada será uma tarefa intransponível, enquanto, para outros, discutir a conjectura de Poincaré com Alfred North Whitehead pode ser tão simples como falar de futebol no botequim.


O que me espanta é que a conclusão de que pensar dói tenha vindo de uma instituição da Holanda, país admirado porproduzir pensadores em tantos ramos. Eram holandeses Erasmo de Roterdão (1466-1536) e Spinoza (1632-1677), dois pilares da filosofia, atividade cuja única ferramenta é o pensamento. E não há registro de que os filósofos sofressem de lombalgia ou dor de dentes por pensar.


Os holandeses inventaram também a fita cassete, o CD e o DVD, e temos de lhes ser gratos por isso. Mas depois os desinventaram — e pensar nisso, sim, dói.


Ruy Castro. Pensar dói? Internet: <folha.uol.com.br> (com adaptações)

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.   No segundo parágrafo, a expressão “este óbvio”  refere-se a “quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o referente de “este óbvio”

Gabarito: Certo (C). A expressão “este óbvio” retoma, por anáfora, exatamente a proposição “quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico”, como se lê no segundo parágrafo do texto. O pronome demonstrativo “este” aponta para a ideia que acabou de ser enunciada, funcionando como um mecanismo de coesão referencial.

O comando

A questão pede que se julgue a afirmação sobre o referente de uma expressão no texto. Isso é uma tarefa de compreensão e coesão referencial: não se trata de inferir nada além do que está escrito, mas de identificar a que termo ou ideia o pronome “este” se liga. O verbo “refere-se” indica que devemos localizar o antecedente no próprio texto.

O texto

No segundo parágrafo, o autor escreve:

“Segundo o estudo, quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico. Não é preciso pensar muito para se chegar a este óbvio, por definição, ululante.”

A sequência é clara: primeiro o autor enuncia a relação “quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico”; em seguida, comenta que não é preciso pensar muito para chegar a “este óbvio”. O pronome demonstrativo “este” retoma, portanto, a ideia que acabou de ser expressa — a relação proporcional entre esforço mental e desconforto físico. É uma anáfora: o elemento coesivo remete a uma informação anterior.

A técnica

Para resolver, basta aplicar a regra de ouro da coesão referencial: o pronome demonstrativo “este” (e suas variações) aponta para o que foi dito antes (anáfora), enquanto “este” também pode antecipar o que virá (catáfora), mas aqui o contexto é claramente anafórico. O referente é a oração imediatamente anterior, que funciona como uma espécie de “resumo” da ideia central do parágrafo.

A banca poderia tentar confundir o candidato fazendo-o pensar que “este óbvio” se refere a “pensar dói” (a tese geral do texto) ou a outra ideia do parágrafo. Mas o texto é explícito: a expressão “este óbvio” está logo após a frase que enuncia a relação proporcional, e é essa frase que o pronome retoma.

Análise do item

1Anáfora
Retoma o que veio antes
"Este óbvio" → proposição anterior
2Catáfora
Antecipa o que virá
3Referente
Ideia imediatamente anterior
Relação proporcional (esforço × desconforto)
Coesão referencial
LEVELsoulevel.com.br
Coesão referencial: Anáfora (Retoma o que veio antes, "Este óbvio" → proposição anterior); Catáfora (Antecipa o que virá); Referente (Ideia imediatamente anterior, Relação proporcional (esforço × desconforto))

Item — ✅ CERTO

A afirmação está correta. O trecho do texto comprova:

“quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico. Não é preciso pensar muito para se chegar a este óbvio”

O pronome “este” retoma a proposição anterior, funcionando como um elemento de coesão referencial anafórica. Não há qualquer ambiguidade: o referente é exatamente a relação de proporcionalidade entre esforço mental e desconforto físico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar fazer o candidato achar que “este óbvio” se refere a “pensar dói” (a tese do texto) ou a outra ideia do parágrafo. Mas o pronome “este” aponta para a ideia imediatamente anterior, que é a relação proporcional. Fique atento à posição do pronome: ele retoma o que acabou de ser dito.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, sublinhe o pronome e pergunte: “o que veio antes?”. O referente é sempre o termo ou a ideia mais próxima e logicamente conectada.

Conclusão: o item está CERTO, pois “este óbvio” retoma, por anáfora, a proposição “quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico”, como se lê no segundo parágrafo.

Gabarito: C (Certo).

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