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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
ce414568
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANM
Ano
2025
Cargo
AA ( )

Observando os mineiros trabalharem, você percebe, por um breve instante, como são diferentes os universos habitados por diferentes pessoas. Os subterrâneos onde se escava o carvão são uma espécie de mundo à parte, e é fácil viver toda uma vida sem jamais ouvir falar dele. É provável que a maioria das pessoas até prefira não ouvir falar dele. E, contudo, esse mundo é a contraparte indispensável do nosso mundo da superfície. Praticamente tudo que fazemos, desde tomar um sorvete até atravessar o Atlântico, desde assar um filão de pão até escrever um romance, envolve usar carvão, direta ou indiretamente. Para todas as artes da paz, o carvão é necessário; e, se a guerra irrompe, é ainda mais necessário. Em épocas de revolução, o mineiro precisa continuar trabalhando, do contrário a revolução tem que parar, pois o carvão é essencial tanto para a revolta como para a reação. Seja lá o que for que aconteça na superfície, as pás e picaretas têm que continuar escavando sem trégua — ou fazendo uma pausa de algumas semanas, no máximo. Porém, de modo geral, não temos consciência disso; todos sabemos que “precisamos de carvão”, mas raramente, ou nunca, nos lembramos de tudo o que está envolvido no processo para se obter carvão.


Aqui estou eu escrevendo, sentado diante da minha confortável lareira a carvão. De quinze em quinze dias, a carroça de carvão para na porta e uns homens de blusão de couro trazem o carvão para dentro de casa em sacos robustos, cheirando a piche, e o despejam no depósito de carvão embaixo da escada. É só muito raramente, quando faço um esforço mental bem definido, que estabeleço a conexão entre esse carvão e o penoso trabalho realizado lá longe, nas minas. É apenas “carvão”, algo que eu preciso ter, uma coisa escura que chega misteriosamente, vinda de nenhum lugar em especial, como o maná, só que devemos pagar por ele.


Seria fácil atravessar de carro todo o norte da Inglaterra sem lembrar, nem uma só vez, que, dezenas de metros abaixo da estrada, os mineiros estão atacando o carvão com suas picaretas. E, contudo, são eles que estão fazendo seu carro andar. O mundo deles lá embaixo, iluminado por suas lâmpadas, é tão necessário para o mundo da superfície, da luz do dia, como a raiz é necessária para a flor.


George Orwell. O caminho para Wigan Pier. Trad. Isa Mara Lando. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Texto CG1A1

 

Julgue o item subsequente, relativo a aspectos linguísticos do texto CG1A1.

 

No oitavo período do primeiro parágrafo, o emprego do subjuntivo em “aconteça”, que expressa uma hipótese, decorre do uso de “for”, também flexionado no subjuntivo.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do subjuntivo em oração condicional

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque o subjuntivo em “aconteça” não decorre do uso de “for”, mas sim da conjunção condicional “se”, que introduz uma oração subordinada adverbial condicional. No trecho “Seja lá o que for que aconteça na superfície”, o “se” é o elemento que exige o subjuntivo em ambos os verbos, e não uma relação de causa entre eles.

O comando da questão

A questão pede que se julgue uma afirmação sobre aspectos linguísticos do texto, especificamente sobre o emprego do modo subjuntivo. O verbo “aconteça” está no presente do subjuntivo, e a banca afirma que esse emprego “decorre do uso de ‘for’, também flexionado no subjuntivo”. Para resolver, é preciso identificar qual elemento da oração determina o modo subjuntivo: se é o verbo “for” (como diz a assertiva) ou se é a conjunção condicional que inicia a oração.

O trecho em análise

No primeiro parágrafo, lê-se:

“Seja lá o que for que aconteça na superfície, as pás e picaretas têm que continuar escavando sem trégua”

A oração “Seja lá o que for que aconteça na superfície” é uma oração subordinada adverbial condicional, introduzida pela conjunção “se” (que aparece na forma “Seja lá o que for”). O “se” é o operador condicional que estabelece a hipótese: “qualquer que seja a situação na superfície”. Tanto “seja” quanto “for” e “aconteça” estão no subjuntivo porque a oração expressa uma condição, uma hipótese, e o modo subjuntivo é o modo da incerteza, da possibilidade, da hipótese.

A técnica que decide

A assertiva comete um erro de relação de causa: ela afirma que o subjuntivo de “aconteça” decorre do subjuntivo de “for”. Na verdade, não há relação de causa entre os dois verbos. Ambos estão no subjuntivo porque a oração condicional (introduzida por “se”) exige esse modo. O “for” é o futuro do subjuntivo do verbo “ser”, e “aconteça” é o presente do subjuntivo do verbo “acontecer”; os dois estão subordinados à mesma conjunção condicional, mas um não determina o outro.

Para confirmar, basta observar que, se retirássemos o “se” e a estrutura condicional, o subjuntivo deixaria de ser obrigatório. Por exemplo: “Aconteça o que acontecer na superfície” — aqui o subjuntivo é mantido pela ideia de hipótese, mas não por causa de um verbo específico. A conjunção condicional é o gatilho do subjuntivo.

Análise da assertiva

1Causa do modo
Conjunção condicional "se"
Estrutura sintática da oração
2Não é causa
Outro verbo no subjuntivo ("for")
3Verbos no subjuntivo
"seja" (presente)
"for" (futuro)
"aconteça" (presente)
Subjuntivo em oração condicional
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Subjuntivo em oração condicional: Causa do modo (Conjunção condicional "se", Estrutura sintática da oração); Não é causa (Outro verbo no subjuntivo ("for")); Verbos no subjuntivo ("seja" (presente), "for" (futuro), "aconteça" (presente))

Assertiva — ❌ Errada

A afirmação de que o subjuntivo em “aconteça” decorre do uso de “for” é incorreta. O que determina o subjuntivo é a conjunção condicional “se”, que introduz a oração “Seja lá o que for que aconteça na superfície”. O “for” é apenas mais um verbo no subjuntivo, flexionado no futuro do subjuntivo, mas não é a causa do subjuntivo de “aconteça”. A relação correta é: oração condicional → subjuntivo em todos os verbos da oração.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a relação de causa e efeito. Ela faz parecer que um verbo no subjuntivo “puxa” o outro, quando, na verdade, ambos são exigidos pela conjunção condicional “se”. Desconfie sempre de afirmações que atribuem a um verbo a causa do modo de outro verbo: o modo é determinado pela estrutura sintática (conjunção, oração subordinada), não por outro verbo isolado.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre modo verbal, identifique primeiro a conjunção que introduz a oração. Se houver “se”, “caso”, “desde que”, “contanto que”, o subjuntivo é obrigatório — e a causa é a conjunção, não outro verbo.

Conclusão: a assertiva está errada porque o subjuntivo em “aconteça” decorre da conjunção condicional “se”, e não do verbo “for”. O gabarito é letra E.

Gabarito: letra E

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