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Questão de Português — Conjunção — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsConjunção
Código
ce414588
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
BDMG
Ano
2025
Cargo
Ana Desen ( )
    Dinheiro traz felicidade? Engana-se quem pensa que esta é só uma pergunta filosófica de boteco. Muito pelo contrário: quem se debruça para valer sobre a questão são vencedores do Nobel de Economia, o psicólogo israelense Daniel Kahneman e o economista americano Argus Deaton.
    Kahneman é considerado um dos fundadores da economia comportamental, uma área que se apoia na psicologia para entender quais fatores afetam as decisões financeiras de alguém. Foi por integrar conhecimentos da psicologia à economia que ele recebeu o prêmio da Academia Real de Ciências da Suécia, em 2002.
     Oito anos depois, Kahneman se juntou a Argus — que receberia o Nobel de Economia em 2015 por seus trabalhos sobre consumo, pobreza e bem-estar social — para tentar responder à grande questão. Eles publicaram um estudo que correlaciona o nível de renda de mil americanos com seu grau de satisfação pessoal e bem-estar emocional, segundo respostas fornecidas em um questionário entre 2008 e 2009.
     Eles chegaram à seguinte conclusão: quanto mais dinheiro alguém ganha, mais feliz e satisfeita essa pessoa se sente. Só que essa correlação não é tão evidente na faixa de pessoas que ganham entre 60 e 90 mil dólares por ano (entre R$ 5 e 7,5 mil mensais). E, entre aqueles que recebiam valores maiores que estes, mais dinheiro já não significava mais felicidade.
     O estudo foi amplamente divulgado na época. Mas ele também foi rebatido por Matthew Killingsworth, um pesquisador da Universidade da Pensilvânia que coleta dados sobre felicidade. Ele publicou uma pesquisa, em 2021, sugerindo que a felicidade média aumenta consistentemente com a renda. E então, qual seria a conclusão correta?
     Para resolver o impasse, Kahneman juntou-se a Killingsworth e Barbara Mellers, também da Universidade da Pensilvânia. Os pesquisadores reanalisaram os dados coletados nos Estados Unidos da América em 2010 e 2021 para entender onde cada estudo deixou a desejar. E assim chegaram a uma conclusão mais sutil: de que pessoas felizes se sentem ainda melhores conforme ganham mais dinheiro; por outro lado, entre pessoas infelizes, o bem-estar para de aumentar quando certo nível de renda é alcançado.

Lúcia Costa. Dinheiro traz felicidade. In: Revista SuperInteressante, 7/3/2023. Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações). 
No que se refere às características discursivas e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, bem como às ideias nele veiculadas, julgue o item a seguir.   O período introduzido por “Só que” apresenta uma ideia contraposta à veiculada no período imediatamente anterior.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor adversativo de “Só que”

Gabarito: CERTO. O conectivo “Só que” introduz uma ideia contraposta à do período anterior, funcionando como conjunção adversativa (equivalente a “mas”, “porém”). No texto, o período anterior afirma que “quanto mais dinheiro alguém ganha, mais feliz e satisfeita essa pessoa se sente”; o período iniciado por “Só que” restringe essa afirmação, apontando uma exceção: “essa correlação não é tão evidente na faixa de pessoas que ganham entre 60 e 90 mil dólares por ano”. Essa quebra de expectativa é exatamente o que caracteriza a oposição.

O comando

A questão pede que se julgue (certo/errado) uma afirmação sobre o valor semântico do conectivo “Só que” no texto. Trata-se de uma questão de coesão sequencial: o foco está na relação lógica que o conectivo estabelece entre o período que ele inicia e o período imediatamente anterior. Não se pede uma inferência nem uma paráfrase; pede-se o reconhecimento do valor semântico de um elemento coesivo, o que exige atenção ao contexto.

O texto e a passagem decisiva

No 4º parágrafo, o autor apresenta a conclusão do estudo de Kahneman e Deaton:

“Eles chegaram à seguinte conclusão: quanto mais dinheiro alguém ganha, mais feliz e satisfeita essa pessoa se sente.”

Em seguida, o mesmo parágrafo introduz uma ressalva:

“Só que essa correlação não é tão evidente na faixa de pessoas que ganham entre 60 e 90 mil dólares por ano.”

A primeira oração estabelece uma relação proporcional (quanto mais renda, mais felicidade). O “Só que” quebra essa generalização, indicando que nem sempre essa correlação se confirma — há uma faixa de renda em que ela não é tão evidente. Essa é a essência da adversidade: apresentar uma ideia que se contrapõe, que limita ou que contraria a expectativa criada anteriormente.

A técnica: reconhecer o valor do conectivo

Conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, só que) ligam orações ou períodos estabelecendo oposição, contraste ou quebra de expectativa. No texto, o “Só que” não adiciona simplesmente uma informação; ele restringe o alcance da afirmação anterior, mostrando que a correlação renda-felicidade tem exceções. Essa é a função típica do conectivo adversativo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar confundir o candidato fazendo-o achar que “Só que” tem valor aditivo ou explicativo. Mas o contexto é claro: a segunda oração contraria a primeira, ao apontar uma faixa de renda em que a correlação não se confirma. Fique atento ao sentido global do trecho, não apenas à palavra isolada.

Conclusão

O período introduzido por “Só que” apresenta, sim, uma ideia contraposta à do período anterior, pois restringe a afirmação geral de que mais dinheiro gera mais felicidade. Portanto, o item está CERTO.

Gabarito: CERTO.

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