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Questão de Português — Sujeito — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsSujeito
Código
ce414597
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ICMBio
Ano
2025
Cargo
AAmb ( )

Texto CB2A1


Ordenar e nomear a vida não é uma ciência esotérica. Nas últimas décadas, estudos mostraram que selecionar e batizar o mundo natural é uma atividade humana universal e fundamental para compreender o mundo vivo, bem como nosso lugar nele.


Os antropólogos foram os primeiros a reconhecer que a taxonomia poderia ser mais do que a ciência oficialmente fundada pelo botânico sueco Carl Linnaeus no século XVIII. Estudando como não cientistas ordenam e nomeiam a vida, criando as chamadas taxonomias populares, eles começaram a perceber que, quando as pessoas criam grupos ordenados e dão nomes às coisas vivas, elas seguem padrões altamente estereotipados, aparentemente guiando-se, de modo inconsciente, por regras não escritas.


Por exemplo, Cecil Brown, antropólogo norte-americano que estudou taxonomias populares em 188 línguas, concluiu que os seres humanos reconhecem repetidamente as mesmas categorias básicas, que incluem peixes, aves, cobras, mamíferos, árvores e wugs, termo que significa vermes e insetos. Os wugs não são um grupo coeso, do ponto de vista evolutivo ou ecológico. Mesmo assim, as pessoas repetidamente os reconhecem e os nomeiam.


Da mesma forma, as pessoas consistentemente usam epítetos com duas palavras para designar organismos específicos dentro de um grupo maior, apesar de haver infinitos métodos potencialmente mais lógicos. Isso é tão familiar que mal percebemos. Em português, entre os carvalhos, distinguimos o carvalho americano; entre os ursos, os ursos cinzentos. Quando os maias, familiarizados com os javalis, conheceram os porcos espanhóis, apelidaram-nos de javalis de aldeia.


A prova mais surpreendente de quão arraigada é a taxonomia vem de pacientes que, por acidente ou doença, sofreram traumas cerebrais. Nesse sentido, destaca-se o caso de um universitário que foi vítima de um inchaço cerebral causado por herpes. Ao se recuperar, ele era capaz de reconhecer objetos inanimados, como lanterna, bússola e chaleira, mas não coisas vivas, como canguru e cogumelo. Médicos de todo o mundo encontraram pacientes com a mesma dificuldade. Recentemente, cientistas que estudaram esses pacientes notaram lesões numa região do lóbulo temporal, o que levou à hipótese de que pode existir uma parte específica do cérebro dedicada à taxonomia.


Sem a capacidade de ordenar e nomear a vida, uma pessoa simplesmente não sabe como viver no mundo e como entendê-lo. Se abandonarmos a taxonomia, perderemos uma conexão com o mundo vivo. Quando você começa a notar os organismos e encontrar um nome para bichos e flores específicos, não é possível deixar de ver a vida e a ordem que nela existe, bem onde sempre esteve: ao seu redor.


Carol Kaesuk Yoon. A arte de nomear o mundo. In: Naming Nature: The Clash Between Instinct and
Science. W. W. Norton & Company, 2009. Trecho traduzido e publicado na Folha de São Paulo, 2009.
Internet: <www1.folha.uol.com.br/fsp> (com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativos aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CB2A1.   O sujeito de referência da forma verbal “criando” (segundo período do segundo parágrafo) é “Os antropólogos” (primeiro período do segundo parágrafo).
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sujeito da forma verbal “criando” — ❌ ERRADO

Gabarito: ERRADO. O sujeito de “criando” não é “Os antropólogos”, mas sim “as pessoas” — retomado pelo pronome “elas” na oração anterior. A forma verbal “criando” está em uma oração reduzida de gerúndio que tem sujeito próprio, implícito na desinência e no contexto, e esse sujeito é “as pessoas”, não os antropólogos. A passagem que prova isso está no segundo parágrafo:

“eles começaram a perceber que, quando as pessoas criam grupos ordenados e dão nomes às coisas vivas, elas seguem padrões altamente estereotipados, aparentemente guiando-se, de modo inconsciente, por regras não escritas.”

Aqui, “guiando-se” (gerúndio) tem como sujeito “elas” (= as pessoas), e o mesmo ocorre com “criando” no trecho: “quando as pessoas criam grupos ordenados e dão nomes às coisas vivas, elas seguem padrões... criando as chamadas taxonomias populares”. O gerúndio “criando” refere-se a “as pessoas”, que é o sujeito da oração anterior, e não a “Os antropólogos”.

Desenvolvimento: o comando e a técnica

O enunciado pede para julgar uma afirmação sobre a referência do sujeito de uma forma verbal. Isso é uma questão de análise sintática e de coesão referencial: precisamos identificar quem pratica a ação de “criar”. Não é uma questão de interpretação livre — é uma questão de gramática aplicada ao texto.

A técnica é: localize o verbo, pergunte “quem?” e confira se o termo indicado na alternativa é o que responde a essa pergunta. No caso de orações reduzidas de gerúndio, o sujeito não vem expresso por um termo próprio; ele é recuperado pelo contexto, geralmente do sujeito da oração anterior. Por isso, é essencial ler o período inteiro e identificar a cadeia de referência.

No trecho, temos:

“Os antropólogos foram os primeiros a reconhecer que a taxonomia poderia ser mais do que a ciência oficialmente fundada pelo botânico sueco Carl Linnaeus no século XVIII. Estudando como não cientistas ordenam e nomeiam a vida, criando as chamadas taxonomias populares, eles começaram a perceber que, quando as pessoas criam grupos ordenados e dão nomes às coisas vivas, elas seguem padrões altamente estereotipados, aparentemente guiando-se, de modo inconsciente, por regras não escritas.”

Aqui, “criando” está em uma oração reduzida de gerúndio que funciona como adjunto adverbial. O sujeito dessa oração é “as pessoas”, que é o sujeito da oração subordinada “quando as pessoas criam grupos ordenados e dão nomes às coisas vivas”. O gerúndio “criando” retoma a ação de “as pessoas” — são elas que criam as taxonomias populares. O sujeito “Os antropólogos” é o sujeito da oração principal “eles começaram a perceber”, mas não o do gerúndio.

A pegadinha da banca

A banca tenta confundir o sujeito do gerúndio com o sujeito da oração principal. Como “Os antropólogos” é o sujeito mais próximo e mais saliente, o candidato pode ser levado a pensar que “criando” se refere a eles. Mas a coesão referencial mostra que o gerúndio se liga ao sujeito da oração subordinada anterior, “as pessoas”.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de referente: o sujeito do gerúndio “criando” é “as pessoas”, não “Os antropólogos”. Fique atento à cadeia de referência: “as pessoas” → “elas” → “criando”.

Análise da assertiva

  1. 1Localize o verbo no gerúndio
  2. 2Pergunte: quem pratica a ação?
  3. 3Recupere o sujeito pelo contexto
  4. 4Confira a cadeia de referência
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Assertiva — ❌ ERRADO

A afirmação diz que o sujeito de “criando” é “Os antropólogos”. Isso está incorreto. Como vimos, o sujeito é “as pessoas”. A prova está no trecho:

“quando as pessoas criam grupos ordenados e dão nomes às coisas vivas, elas seguem padrões altamente estereotipados, aparentemente guiando-se, de modo inconsciente, por regras não escritas.”

O gerúndio “criando” está em paralelismo com “guiando-se”: ambos se referem a “elas” (= as pessoas). Portanto, a assertiva contradiz o texto ao atribuir a ação de criar a “Os antropólogos”.

Conclusão

A questão exige atenção à cadeia de referência em orações reduzidas. O sujeito do gerúndio é recuperado pelo contexto, e aqui ele é “as pessoas”, não “Os antropólogos”. Portanto, a assertiva está ERRADA.

Gabarito: ERRADO.

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