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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce414615
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IBAMA
Ano
2025
Cargo
AAmb ( )

A linguagem não é um artefato cultural que aprendemos da maneira como aprendemos a dizer a hora ou como o governo federal está funcionando. Ao contrário, é claramente uma peça da constituição biológica de nosso cérebro. A linguagem é uma habilidade complexa e especializada, que se desenvolve espontaneamente na criança, sem qualquer esforço consciente ou instrução formal, que se manifesta sem que se perceba sua lógica subjacente, que é qualitativamente a mesma em todo indivíduo, e que difere de capacidades mais gerais de processamento de informações ou de comportamento inteligente.


Por esses motivos, alguns cientistas cognitivistas descreveram a linguagem como uma faculdade psicológica, um órgão mental, um sistema neural ou um módulo computacional. Mas prefiro o simples e banal termo “instinto”. Ele transmite a ideia de que as pessoas sabem falar mais ou menos da mesma maneira que as aranhas sabem tecer teias. A capacidade de tecer teias não foi inventada por alguma aranha genial não reconhecida e não depende de receber a educação adequada ou de ter aptidão para arquitetura ou negócios imobiliários. As aranhas tecem teias porque têm cérebro de aranha, o que as impele a tecer e lhes dá competência para fazê-lo com sucesso.


Pensar a linguagem como um instinto inverte a sabedoria popular, especialmente da forma como foi aceita nos cânones das ciências humanas e sociais. A linguagem não é uma invenção cultural, assim como tampouco a postura ereta o é. Não é uma manifestação da capacidade geral de usar símbolos: uma criança de três anos é um gênio gramatical, mas é bastante incompetente em termos de artes visuais, iconografia religiosa, sinais de trânsito e outros itens básicos do currículo de semiótica.


Embora a linguagem seja uma habilidade magnífica exclusiva do Homo sapiens entre as espécies vivas, isso não implica que o estudo dos seres humanos deva ser retirado do campo da biologia, pois existem outras habilidades magníficas exclusivas de uma espécie viva em particular no reino animal. Alguns tipos de morcegos capturam insetos voadores mediante um sonar Doppler. Alguns tipos de aves migratórias viajam milhares de quilômetros comparando as posições das constelações com as horas do dia e épocas do ano. No show de talentos da natureza, somos apenas uma espécie de primatas com nosso próprio espetáculo, um jeito todo especial de comunicar informação.


Do ponto de vista do cientista, a complexidade da linguagem é parte de nossa herança biológica inata; não é algo que os pais ensinam aos filhos ou algo que tenha de ser elaborado na escola. O conhecimento tácito de gramática de uma criança em idade pré-escolar é mais sofisticado que o mais volumoso manual de estilo ou o mais moderno sistema de linguagem de computador, e o mesmo se aplica a qualquer ser humanosaudável.


Steven Pinker. O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem.
Tradução: Claudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2004 (com adaptações).

A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.   No terceiro parágrafo, o vocábulo “o” (segundo período) retoma o termo “instinto”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referente do pronome "o" no terceiro parágrafo

Gabarito: ERRADO. O vocábulo "o", no segundo período do terceiro parágrafo, não retoma "instinto", mas sim "postura ereta". A prova está na própria estrutura do período: "A linguagem não é uma invenção cultural, assim como tampouco a postura ereta o é." — o "o" substitui o predicativo "invenção cultural", referindo-se ao termo "postura ereta", que é o sujeito da comparação.

O comando

A questão pede que se julgue uma afirmação sobre coesão referencial: identificar o referente de um pronome. Isso é uma tarefa de compreensão (o que está explícito no texto), não de inferência. Basta localizar o pronome e verificar, pela estrutura sintática e semântica, a que termo ele se liga.

O texto

No terceiro parágrafo, o autor argumenta que a linguagem não é uma invenção cultural, comparando-a à postura ereta. O trecho decisivo é:

"A linguagem não é uma invenção cultural, assim como tampouco a postura ereta o é."

Aqui, "o" é um pronome demonstrativo (equivalente a "isso") que retoma o predicativo "invenção cultural", mas o sujeito da oração em que ele aparece é "a postura ereta". Ou seja, o "o" não retoma "instinto" — que foi mencionado no parágrafo anterior —, mas sim a ideia de que algo "não é uma invenção cultural", aplicada à postura ereta.

A técnica

Para resolver questões de referência pronominal, sempre localize o pronome e pergunte: o que ele substitui? No caso, "o é" = "é invenção cultural". O sujeito dessa oração é "a postura ereta". Portanto, o referente do pronome é "postura ereta" (ou, mais precisamente, o predicativo "invenção cultural" que se aplica a ela). O termo "instinto" aparece no parágrafo anterior e não é retomado por esse "o".

Referente do pronome "o"
  • 1O que o pronome retoma
    • "Postura ereta" (sujeito da comparação)
    • Predicativo "invenção cultural"
  • 2O que NÃO retoma
    • "Instinto" (parágrafo anterior)
  • 3Técnica de verificação
    • Reescrever substituindo o pronome
    • Verificar se a oração faz sentido
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que "o" retoma "instinto" é falsa. O pronome "o" está no terceiro parágrafo, enquanto "instinto" foi introduzido no segundo parágrafo. No trecho citado, o "o" substitui "invenção cultural" e se refere à "postura ereta". A banca tenta confundir o referente, levando o candidato a pensar que o pronome retoma o termo mais importante do texto, mas a estrutura sintática mostra o contrário.

Alternativa E — ✅ Correta

A alternativa E (Errado) é o gabarito, pois a afirmação do item é incorreta. O "o" não retoma "instinto".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de associar o pronome ao termo mais saliente do texto ("instinto"), mas a coesão referencial exige verificar o antecedente imediato na estrutura da oração.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome, reescreva a oração substituindo o pronome pelo suposto antecedente e veja se faz sentido. "A postura ereta é instinto" não faz sentido; "a postura ereta é invenção cultural" faz.

Conclusão: a resposta correta é E (Errado), pois o pronome "o" retoma "postura ereta" (e o predicativo "invenção cultural"), não "instinto".

Gabarito: letra E.

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