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Questão de Português — Conjunção — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsConjunção
Código
ce414624
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AEB
Ano
2025
Cargo
Ana C&T ( )

Jeremy Bentham, filósofo e jurista que viveu na Inglaterra entre 1748 e 1832, foi o criador do utilitarismo como filosofia moral. Tal concepção surgiu em um período bastante específico, a era da razão. Bentham dirigiu suas críticas principalmente ao direito, tendo sido um vigoroso defensor da codificação das leis em um país que possui o sistema consuetudinário.

 

A originalidade de suas críticas se forjava sob os auspícios da idade das luzes.

 

Raoul Van Caenegem, historiador belga e renomado especialista no campo da história jurídica europeia, afirma, sobre o utilitarismo, que “O ponto de partida para a crítica de Bentham ao sistema inglês (que, em sua época, era substancialmente medieval) não foi o direito natural continental, mas sim uma ideia inteiramente original: o princípio da utilidade. Bentham não formulou axiomas nem deduziu normas do direito a partir deles; em vez disso, questionou a utilidade de cada conceito e norma jurídica, e o objetivo prático destes para o homem e a sociedade de sua época”.

 

Segundo Caenegem, o princípio da utilidade pode ser definido como “o princípio que aprova ou desaprova qualquer ação, segundo a tendência que tem de aumentar ou diminuir a felicidade da pessoa cujo interesse está em jogo, ou seja, segundo a tendência de promover ou de comprometer a felicidade de alguém”.

 

O utilitarismo envolve uma ética adequadamente denominada de consequencialista, na medida em que requer que se avaliem, em cada caso concreto, os efeitos das ações, isto é, se as condutas são eticamente reprováveis a partir do critério da utilidade. Preconiza que as ações humanas devem seguir o princípio da utilidade, consistente na consideração da quantidade de prazer e de dor que as ações provocam nos indivíduos. As ações devem considerar todos os interesses, de maneira que nenhum contrainteresse seja desconsiderado ou tenha preponderância sobre outro.

 

Além disso, o número de pessoas atingidas pelas ações é objeto de análise. Busca-se sempre promover a maior quantidade de prazer possível ao maior número de indivíduos, ao passo que se evita o desprazer em uma proporção inversa: há um paralelismo entre o prazer e o sofrimento para o inglês, de tal modo que a maximização de um significa proporcionalmente a minimização de outro.

 

Internet: <http://publicadireito.com.br> (com adaptações).

Texto CB1A1   No segundo período do último parágrafo do texto CB1A1, o conectivo “ao passo que” expressa noção de
  1. Acausa.
  2. Bigualdade.
  3. Ccondição.
  4. Dproporcionalidade.
  5. Etempo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — proporcionalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O conectivo “ao passo que” e a noção de proporcionalidade

Gabarito: letra D. No trecho do último parágrafo, o conectivo “ao passo que” expressa noção de proporcionalidade, pois estabelece uma relação de correspondência inversa entre a maximização do prazer e a minimização do sofrimento. O próprio texto explicita essa relação ao afirmar que “há um paralelismo entre o prazer e o sofrimento para o inglês, de tal modo que a maximização de um significa proporcionalmente a minimização de outro”.

A questão é de gramática aplicada ao texto: não se pergunta o sentido isolado da locução, mas o efeito que ela produz no contexto em que está inserida. O comando pede que se identifique a noção expressa pelo conectivo no período, o que exige observar tanto o valor semântico da locução quanto a relação lógica entre as orações que ela articula.

No último parágrafo, o autor explica o princípio da utilidade e sua aplicação prática. O trecho decisivo é:

“Busca-se sempre promover a maior quantidade de prazer possível ao maior número de indivíduos, ao passo que se evita o desprazer em uma proporção inversa: há um paralelismo entre o prazer e o sofrimento para o inglês, de tal modo que a maximização de um significa proporcionalmente a minimização de outro.”

A locução “ao passo que” liga duas ações que ocorrem de forma simultânea e proporcional: enquanto se promove prazer, evita-se desprazer. A sequência “em uma proporção inversa” e “a maximização de um significa proporcionalmente a minimização de outro” confirma que a relação é de proporcionalidade, e não de causa, condição, igualdade ou tempo.

A técnica para resolver: identifique o par de ideias que o conectivo articula. Se uma cresce enquanto a outra diminui (ou cresce junto), a relação é proporcional. Se uma é consequência da outra, é causa/consequência. Se uma é condição para a outra, é condicional. Aqui, o texto fala em “paralelismo” e “proporção inversa”, o que fecha a questão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “ao passo que” (proporcional) e “enquanto” (temporal). Em muitos contextos, “enquanto” tem valor temporal, mas quando indica correspondência entre grandezas, aproxima-se do proporcional. A alternativa E (tempo) é a mais sedutora, pois “ao passo que” pode, em outros usos, ter matiz temporal — mas aqui o texto fala em “proporção inversa”, o que desloca o sentido para a proporcionalidade.

  1. 1Localize o par de ideias
  2. 2Veja se há correspondência entre grandezas
  3. 3Proporcional: uma cresce, outra diminui
  4. 4Causa: uma é consequência da outra
  5. 5Condição: uma é hipótese da outra
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A noção de causa exige que uma oração exprima o motivo da outra (ex.: “não saiu porque chovia”). No trecho, “ao passo que” não introduz a razão de nada; ele articula duas ações simultâneas e proporcionais. O texto não diz que evitar o desprazer é a causa de promover prazer, mas que ambos ocorrem em paralelo e em proporção inversa. A alternativa extrapola um valor semântico que a locução não tem no contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A noção de igualdade não se sustenta: o texto fala em “proporção inversa”, ou seja, uma grandeza aumenta enquanto a outra diminui. Não há igualdade entre prazer e sofrimento, mas correspondência inversa. A alternativa contradiz o texto, que afirma explicitamente que a maximização de um significa a minimização do outro.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A noção de condição exige que uma oração apresente uma hipótese para a realização da outra (ex.: “se chover, não saio”). No trecho, não há hipótese nem condição: as duas ações são apresentadas como fatos simultâneos. A alternativa troca o conceito, atribuindo à locução um valor condicional que ela não possui.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A noção de proporcionalidade é a única que se sustenta no contexto. O texto afirma que “há um paralelismo entre o prazer e o sofrimento” e que “a maximização de um significa proporcionalmente a minimização de outro”. A locução “ao passo que” articula exatamente essa correspondência: enquanto se promove prazer, evita-se desprazer, em proporção inversa. A alternativa parafraseia o sentido expresso no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A noção de tempo é a mais próxima, pois “ao passo que” pode, em outros contextos, ter matiz temporal (equivalendo a “enquanto”). No entanto, o texto não marca uma relação cronológica entre as ações, mas uma relação de correspondência proporcional. A presença de “em uma proporção inversa” e “proporcionalmente” desloca o sentido para a proporcionalidade. A alternativa restringe o valor da locução, ignorando o contexto que a define.

Gabarito: letra D. A regra de ouro: conectivos como “ao passo que”, “à medida que” e “à proporção que” são proporcionais por definição; quando a banca perguntar o sentido, confira se o texto fala em correspondência entre grandezas — se sim, a resposta é proporcionalidade.

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