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Questão de Português — Clareza e Correção — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsClareza e Correção
Código
ce414629
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE CE
Ano
2025
Cargo
Ana Min ( )

Em 2015, o professor Robert Waldinger participou de uma conferência apresentando uma palestra chamada “O que torna uma vida boa? Lições sobre o mais longo estudo sobre felicidade”. O tema se tornou, anos depois, um livro do palestrante sobre o assunto, que entrou na lista dos mais vendidos, segundo o jornal The New York Times.


Professor de psiquiatria em Harvard, Waldinger é o quarto pesquisador a dirigir o Estudo sobre Desenvolvimento Adulto, que existe na universidade desde 1938 e está em andamento até hoje. O trabalho é o maior já realizado sobre o tema e monitora questões relativas a bem-estar, desenvolvimento e felicidade.Atualmente, a pesquisa está na segunda geração e dela participam os filhos dos primeiros participantes.


O principal achado da pesquisa chama a atenção: a chave para uma vida mais feliz e saudável são os relacionamentos que cultivamos. Boas relações ajudam a reduzir os níveis de estresse e também influenciam a maneira como lidamos com dificuldades e situações desafiadoras.


Waldinger afirma que cultivar relacionamentos recíprocos, que contam com apoio mútuo e espaço para crescimento, é o que traz mais felicidade. Por outro lado, passar muito tempo no trabalho é um constante arrependimento dos participantes do estudo.


Além desses, há outros fatores que interferem na saúde mental e na sensação de felicidade — e um deles pode ser dinheiro.


O pesquisador ressalta que ter muito dinheiro ou fama não tem relação direta com a felicidade. Contudo, a pobreza impacta a satisfação com a vida. Waldinger aponta que, enquanto não se tem as necessidades básicas garantidas, sentir-se feliz e pleno é uma tarefa difícil.


Por outro lado, a partir do momento em que necessidades como alimentação, moradia e educação estão garantidas, ganhar mais dinheiro não significa sentir felicidade. É aí que está a importância de cultivar bons relacionamentos.


Internet: <folha.uol.com.br> (com adaptações).

Texto CG1A1

 

Em relação aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto CG1A1, julgue o item a seguir.


A correção gramatical do texto seria mantida caso o verbo “cultivar” fosse substituído por se cultivarem.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “cultivar” por “se cultivarem” — correção gramatical

Gabarito: Certo (C). A substituição do verbo “cultivar” por “se cultivarem” mantém a correção gramatical do texto, pois transforma a oração em voz passiva sintética, com o pronome “se” atuando como partícula apassivadora e o verbo concordando com o sujeito paciente plural “relacionamentos recíprocos”. A passagem que autoriza essa leitura está no 4º parágrafo: “cultivar relacionamentos recíprocos, que contam com apoio mútuo e espaço para crescimento”.

O comando da questão

O enunciado pede que se julgue a correção gramatical de uma reescritura: trocar o infinitivo “cultivar” por “se cultivarem”. Isso não é uma questão de interpretação de sentido, mas de análise sintática e morfológica: é preciso verificar se a nova construção respeita as regras de voz verbal, concordância e regência. O foco está na gramática normativa, não no conteúdo do texto.

O trecho original e a reescritura

No texto, lê-se:

“Waldinger afirma que cultivar relacionamentos recíprocos, que contam com apoio mútuo e espaço para crescimento, é o que traz mais felicidade.”

A oração sublinhada é “cultivar relacionamentos recíprocos”, em que “cultivar” é um infinitivo impessoal (não flexionado) e “relacionamentos recíprocos” é o objeto direto. Ao substituir por “se cultivarem”, obtém-se:

“...que se cultivarem relacionamentos recíprocos...”

Aqui, o “se” é partícula apassivadora (não é índice de indeterminação do sujeito), e o verbo “cultivarem” concorda com o sujeito paciente “relacionamentos recíprocos” (3ª pessoa do plural). A construção é equivalente a “que relacionamentos recíprocos sejam cultivados”.

A regra que decide

A voz passiva sintética (ou pronominal) é formada por verbo transitivo direto + pronome “se” apassivador. O verbo concorda com o sujeito paciente. Exemplos:

  • “Vendem-se casas” (casas são vendidas) — verbo no plural porque “casas” é plural.

  • “Vende-se casa” (casa é vendida) — verbo no singular.

No caso, “relacionamentos recíprocos” é plural, então o verbo deve ficar no plural: “se cultivarem”. A substituição está gramaticalmente correta.

Por que as alternativas erradas falham

Como a questão é de Certo/Errado, não há alternativas múltiplas, mas a opção “Errado” seria incorreta, pois a reescritura é válida. Quem marca “Errado” provavelmente confunde a partícula “se” com índice de indeterminação do sujeito (caso em que o verbo ficaria no singular: “cultiva-se”), ou não percebe que o sujeito é plural. Essa é a pegadinha da banca: testar o reconhecimento da voz passiva sintética.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “se” apassivador e “se” indeterminador. No primeiro, o verbo concorda com o sujeito; no segundo, fica na 3ª pessoa do singular. Aqui, o sujeito é plural, então “se cultivarem” está correto.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever com “se”, pergunte: o verbo tem objeto direto? Se sim, é passiva sintética e o verbo concorda com o sujeito. Se não, é indeterminação e o verbo fica no singular.

Conclusão

A substituição mantém a correção gramatical, pois respeita a concordância e a voz passiva. Portanto, o item está Certo.

Gabarito: Certo (C).

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