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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce414642
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE CE
Ano
2025
Cargo
Tec Min ( )

Um dos principais benefícios da comunicação não violenta (CNV) é a promoção da empatia e da compaixão entre as pessoas. Ao reconhecer as necessidades e os sentimentos dos outros, somos capazes de nos colocar em seus lugares e compreender suas perspectivas, o que facilita a resolução de conflitos e a construção de relações mais saudáveis. Como afirma Marshall Bertram Rosenberg, em sua obra Comunicação não violenta, “a CNV nos guia na reformulação do nosso modo de expressão e escuta dos outros, pela concentração em quatro áreas: o que observamos, o que sentimos, do que necessitamos e o que pedimos para nos enriquecer a vida”. A CNV promove uma escuta, um respeito e uma empatia profundos. Algumas pessoas usam a CNV para reagir compassivamente a si mesmas; outras, para estabelecer maior profundidade em suas relações pessoais, e outras, ainda, para gerar relacionamentos eficazes no trabalho ou na política. No mundo inteiro, utiliza-se a CNV para mediar disputas e conflitos em todos os níveis.


Particularmente no que se refere à função ministerial, é preciso que se evite o que o autor chama de comunicação alienante da vida, isto é, “os juízos morais, que atribuem erro ou ruindade às pessoas que não agem conforme certos valores”. Com efeito, um órgão acusatório inevitavelmente terá que formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos (uma denúncia criminal narrará a prática de uma conduta que se amolda a um tipo penal), o que não significa, contudo, que os agentes públicos que integram a instituição estejam autorizados a proferir julgamentos morais. No modelo de um Ministério Público dialógico, ou seja, aquele que efetivamente se abre à interlocução com a sociedade, a CNV é fator que transforma o discurso em prática, pois propicia o diálogo face a face com os mais diferentes e antagônicos setores e, a partir disso, a construção de confiança e o desenvolvimento do compromisso e da compreensão comuns entre os atores envolvidos.


Pedro Abi-Eçab e Walter Otsuka. Comunicação não violenta como ferramenta para a resolutividade do Ministério Público. In: Revista Jurídica –
Corregedoria Nacional do Ministério Público, v. 8, 2023, p. 392-3 (com adaptações).

Texto CG2A1

 

De acordo com as ideias veiculadas no texto CG2A1, julgue o seguinte item.


Infere-se do segundo parágrafo do texto que a relevância da CNV no contexto do Ministério Público reside em impedir que acusações formuladas por seus agentes sejam influenciadas por divergências axiológicas entre as partes.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre a CNV no Ministério Público

Gabarito: Errado. A afirmação de que a relevância da CNV no contexto do MP reside em impedir que acusações sejam influenciadas por divergências axiológicas extrapola o texto. O segundo parágrafo diz apenas que os agentes do MP não estão autorizados a proferir julgamentos morais, mas não afirma que a CNV tenha o papel de impedir que as acusações sejam influenciadas por divergências de valores. A inferência legítima é que a CNV ajuda a evitar julgamentos morais, não que ela impeça a influência de divergências axiológicas nas acusações.

O comando pede uma inferência ("Infere-se"), ou seja, uma dedução ancorada em pistas do texto. Não se trata de localizar uma informação explícita, mas de extrair uma conclusão que o texto obriga a fazer. A inferência válida deve partir de um pressuposto — uma pista linguística deixada pelo autor — e não de uma suposição solta.

No segundo parágrafo, o autor afirma que o MP, como órgão acusatório, inevitavelmente formulará imputações técnicas sobre ilícitos, mas que isso não significa que os agentes estejam autorizados a proferir julgamentos morais. A CNV é apresentada como fator que transforma o discurso em prática, promovendo diálogo e construção de confiança. O texto não diz que a CNV impede que as acusações sejam influenciadas por divergências axiológicas; diz apenas que os agentes não devem fazer julgamentos morais. A palavra "impedir" é mais forte do que "evitar" ou "não autorizar", e essa diferença é crucial.

A técnica para resolver esta questão é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta conclusão, ou exige acrescentar algo de fora? A alternativa correta deve ser uma inferência que o texto obriga a fazer, não uma que apenas "soa plausível". No caso, a inferência de que a CNV "impede" a influência de divergências axiológicas é uma extrapolação: o texto fala em evitar julgamentos morais, mas não em impedir que as acusações sejam influenciadas por valores.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o verbo "evitar" (presente no texto) por "impedir" (mais forte), e acrescenta a ideia de "divergências axiológicas" que não está no texto. A alternativa parece fiel, mas extrapola o alcance do que o autor disse.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "Infere-se" pede inferência com pista, não o que está escrito. Desconfie de palavras absolutas como "impedir", "sempre", "apenas" — elas quase sempre restringem ou ampliam indevidamente o sentido do texto.

Item — ❌ Errado

A assertiva afirma que a relevância da CNV no MP reside em impedir que acusações sejam influenciadas por divergências axiológicas. O texto, no segundo parágrafo, diz:

"um órgão acusatório inevitavelmente terá que formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos ... o que não significa, contudo, que os agentes públicos que integram a instituição estejam autorizados a proferir julgamentos morais"

O texto diz que os agentes não estão autorizados a proferir julgamentos morais, mas não diz que a CNV impede que as acusações sejam influenciadas por divergências axiológicas. A palavra "impedir" é mais forte do que "não autorizar" ou "evitar". Além disso, o texto não menciona "divergências axiológicas" — essa é uma ideia acrescentada pelo examinador. A inferência legítima seria: a CNV ajuda a evitar julgamentos morais, promovendo diálogo e compreensão. Mas a assertiva vai além, dizendo que a CNV impede a influência de valores nas acusações — isso é extrapolação.

Conclusão: como a banca pediu para julgar o item, e a afirmação extrapola o texto, o gabarito é Errado. A regra de ouro: inferência válida se ancora em pista do texto; extrapolação é erro, ainda que a alternativa soe verdadeira no mundo real.

Gabarito: Errado

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