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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce414648
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE CE
Ano
2025
Cargo
Tec Min ( )

Um dos principais benefícios da comunicação não violenta (CNV) é a promoção da empatia e da compaixão entre as pessoas. Ao reconhecer as necessidades e os sentimentos dos outros, somos capazes de nos colocar em seus lugares e compreender suas perspectivas, o que facilita a resolução de conflitos e a construção de relações mais saudáveis. Como afirma Marshall Bertram Rosenberg, em sua obra Comunicação não violenta, “a CNV nos guia na reformulação do nosso modo de expressão e escuta dos outros, pela concentração em quatro áreas: o que observamos, o que sentimos, do que necessitamos e o que pedimos para nos enriquecer a vida”. A CNV promove uma escuta, um respeito e uma empatia profundos. Algumas pessoas usam a CNV para reagir compassivamente a si mesmas; outras, para estabelecer maior profundidade em suas relações pessoais, e outras, ainda, para gerar relacionamentos eficazes no trabalho ou na política. No mundo inteiro, utiliza-se a CNV para mediar disputas e conflitos em todos os níveis.


Particularmente no que se refere à função ministerial, é preciso que se evite o que o autor chama de comunicação alienante da vida, isto é, “os juízos morais, que atribuem erro ou ruindade às pessoas que não agem conforme certos valores”. Com efeito, um órgão acusatório inevitavelmente terá que formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos (uma denúncia criminal narrará a prática de uma conduta que se amolda a um tipo penal), o que não significa, contudo, que os agentes públicos que integram a instituição estejam autorizados a proferir julgamentos morais. No modelo de um Ministério Público dialógico, ou seja, aquele que efetivamente se abre à interlocução com a sociedade, a CNV é fator que transforma o discurso em prática, pois propicia o diálogo face a face com os mais diferentes e antagônicos setores e, a partir disso, a construção de confiança e o desenvolvimento do compromisso e da compreensão comuns entre os atores envolvidos.


Pedro Abi-Eçab e Walter Otsuka. Comunicação não violenta como ferramenta para a resolutividade do Ministério Público. In: Revista Jurídica –
Corregedoria Nacional do Ministério Público, v. 8, 2023, p. 392-3 (com adaptações).

Texto CG2A1

 

Em relação a mecanismos de coesão empregados no texto CG2A1, julgue o próximo item.

 

No último período do texto, o pronome presente na forma contraída “disso”, em “a partir disso”, retoma “fator que transforma o discurso em prática”.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o referente de “disso” no último período

Gabarito: Errado. O pronome “disso”, em “a partir disso”, não retoma “fator que transforma o discurso em prática”, mas sim a ideia de “diálogo face a face” — é o que se prova pela leitura do trecho final do texto. A banca explora a troca do referente (armadilha clássica de coesão): o candidato vê uma expressão nominal próxima e assume que é ela o antecedente, sem verificar a estrutura sintática e semântica do período.

O comando

A questão pede que se julgue a afirmação sobre o mecanismo de coesão. Isso é uma tarefa de compreensão (localizar e identificar o referente), não de inferência. Você não precisa deduzir nada além do que está escrito: basta rastrear a que termo o pronome se liga. Em questões de coesão, o método é sempre o mesmo: isolar o pronome, voltar no texto e testar cada candidato a antecedente, verificando se a substituição mantém o sentido.

O texto e o trecho decisivo

No último período, o autor afirma que, no modelo de Ministério Público dialógico, a CNV “propicia o diálogo face a face com os mais diferentes e antagônicos setores e, a partir disso, a construção de confiança”. Observe a estrutura:

“...a CNV é fator que transforma o discurso em prática, pois propicia o diálogo face a face com os mais diferentes e antagônicos setores e, a partir disso, a construção de confiança e o desenvolvimento do compromisso e da compreensão comuns entre os atores envolvidos.”

O pronome “disso” está inserido na locução “a partir disso”, que indica ponto de partida para a construção de confiança. O que é o ponto de partida? O diálogo face a face — é dele que se parte para construir confiança. A expressão “fator que transforma o discurso em prática” é uma qualificação da CNV, não o elemento do qual se parte. Se substituíssemos “disso” por “fator que transforma o discurso em prática”, o sentido ficaria estranho: “a partir do fator que transforma o discurso em prática, a construção de confiança” — não é isso que o texto diz.

A técnica que decide

Em coesão referencial, o pronome demonstrativo “disso” (contração de “de” + “isso”) retoma, via de regra, uma ideia ou oração anterior, não um substantivo isolado. Aqui, o antecedente é a oração “propicia o diálogo face a face...” — mais especificamente, a ação de propiciar o diálogo. A banca tenta fazer você acreditar que o referente é a expressão nominal “fator que transforma o discurso em prática”, que está antes do pronome, mas a lógica semântica aponta para o diálogo. Sempre que houver dúvida, substitua o pronome pelo candidato e veja se a frase continua coerente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que “disso” retoma “fator que transforma o discurso em prática” está errada. O texto mostra que o ponto de partida para a construção de confiança é o diálogo face a face, não o fator em si. A alternativa troca o referente (erro do catálogo: troca de vocábulo/ideia), pois desloca o antecedente para uma expressão que, embora próxima, não é a que o pronome retoma.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação é falsa, logo o item está errado. O pronome “disso” retoma a ideia de diálogo face a face, como se depreende da leitura do trecho: “propicia o diálogo face a face com os mais diferentes e antagônicos setores e, a partir disso, a construção de confiança”. A banca pede que você julgue a afirmação; como ela está incorreta, o gabarito é Errado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca do referente — coloca uma expressão nominal atraente (“fator que transforma o discurso em prática”) antes do pronome e espera que você não perceba que o antecedente lógico é outro. Sempre teste a substituição.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão, isole o pronome e pergunte: “a partir de quê?” — a resposta é o referente. Não se deixe levar pela proximidade.

Gabarito: Errado (letra E).

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