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Questão de Português — Colocação Pronominal — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsColocação Pronominal
Código
ce414649
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE CE
Ano
2025
Cargo
Tec Min ( )

Um dos principais benefícios da comunicação não violenta (CNV) é a promoção da empatia e da compaixão entre as pessoas. Ao reconhecer as necessidades e os sentimentos dos outros, somos capazes de nos colocar em seus lugares e compreender suas perspectivas, o que facilita a resolução de conflitos e a construção de relações mais saudáveis. Como afirma Marshall Bertram Rosenberg, em sua obra Comunicação não violenta, “a CNV nos guia na reformulação do nosso modo de expressão e escuta dos outros, pela concentração em quatro áreas: o que observamos, o que sentimos, do que necessitamos e o que pedimos para nos enriquecer a vida”. A CNV promove uma escuta, um respeito e uma empatia profundos. Algumas pessoas usam a CNV para reagir compassivamente a si mesmas; outras, para estabelecer maior profundidade em suas relações pessoais, e outras, ainda, para gerar relacionamentos eficazes no trabalho ou na política. No mundo inteiro, utiliza-se a CNV para mediar disputas e conflitos em todos os níveis.


Particularmente no que se refere à função ministerial, é preciso que se evite o que o autor chama de comunicação alienante da vida, isto é, “os juízos morais, que atribuem erro ou ruindade às pessoas que não agem conforme certos valores”. Com efeito, um órgão acusatório inevitavelmente terá que formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos (uma denúncia criminal narrará a prática de uma conduta que se amolda a um tipo penal), o que não significa, contudo, que os agentes públicos que integram a instituição estejam autorizados a proferir julgamentos morais. No modelo de um Ministério Público dialógico, ou seja, aquele que efetivamente se abre à interlocução com a sociedade, a CNV é fator que transforma o discurso em prática, pois propicia o diálogo face a face com os mais diferentes e antagônicos setores e, a partir disso, a construção de confiança e o desenvolvimento do compromisso e da compreensão comuns entre os atores envolvidos.


Pedro Abi-Eçab e Walter Otsuka. Comunicação não violenta como ferramenta para a resolutividade do Ministério Público. In: Revista Jurídica –
Corregedoria Nacional do Ministério Público, v. 8, 2023, p. 392-3 (com adaptações).

Texto CG2A1

 

Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CG2A1.


No segmento “que efetivamente se abre” (último período do texto), o deslocamento do pronome “se” para a posição enclítica — que efetivamente abre-se — manteria a correção gramatical do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: próclise obrigatória após pronome relativo

Gabarito: letra E (ERRADO). O deslocamento do pronome "se" para a posição enclítica — "que efetivamente abre-se" — não manteria a correção gramatical, pois a presença do pronome relativo "que" imediatamente antes do verbo obriga a próclise. A regra é clara: pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde) são palavras atrativas que exigem o pronome oblíquo átono antes do verbo, como ocorre no trecho original "que efetivamente se abre".

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento sobre a correção gramatical de uma reescritura. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação de uma regra sintática — a colocação pronominal — sobre um trecho específico. A pergunta é objetiva: a troca da próclise pela ênclise mantém a frase correta? Para responder, é preciso identificar o fator que determina a posição do pronome no trecho original.

O trecho analisado

No texto, lê-se:

"No modelo de um Ministério Público dialógico, ou seja, aquele que efetivamente se abre à interlocução com a sociedade..."

A oração adjetiva "que efetivamente se abre" é introduzida pelo pronome relativo "que", que retoma "aquele". É exatamente esse "que" que atrai o pronome "se" para antes do verbo. A palavra "efetivamente" (advérbio) também é atrativa, mas o fator decisivo é o relativo.

A regra que decide a questão

A colocação pronominal no português segue o princípio das palavras atrativas: certas palavras, quando aparecem antes do verbo, obrigam o pronome oblíquo átono a ficar em posição proclítica (antes do verbo). Entre elas estão:

  • Conjunções subordinativas (que, se, embora, quando, como)

  • Pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde)

  • Palavras negativas (não, nunca, jamais, ninguém)

  • Advérbios (aqui, agora, talvez, já, apenas)

  • Pronomes indefinidos e interrogativos (nada, tudo, quem, qual)

No trecho, o pronome relativo "que" é o gatilho. A construção "que se abre" é a única correta; "que abre-se" viola a regra, pois o relativo exige próclise. A ênclise só seria aceitável se não houvesse palavra atrativa antes do verbo (ex.: "abre-se a porta") ou se o verbo estivesse no infinitivo (ex.: "para abrir-se"), o que não é o caso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato reconhece o pronome relativo "que" como palavra atrativa. Muitos confundem com o "que" conjunção integrante ou com casos em que a ênclise é facultativa (como no infinitivo), e acabam marcando "Certo".

Análise da alternativa

1Conjunções subordinativas
que, se, embora, quando
2Pronomes relativos
que, o qual, cujo, onde
3Palavras negativas
não, nunca, jamais
4Advérbios
aqui, agora, talvez
5Pronomes indefinidos/interrogativos
nada, tudo, quem
Palavras atrativas (próclise obrigatória)
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Palavras atrativas (próclise obrigatória): Conjunções subordinativas (que, se, embora, quando); Pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde); Palavras negativas (não, nunca, jamais); Advérbios (aqui, agora, talvez); Pronomes indefinidos/interrogativos (nada, tudo, quem)

Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação do item é falsa. O deslocamento do pronome "se" para depois do verbo — "que efetivamente abre-se" — quebraria a correção gramatical, porque o pronome relativo "que" é palavra atrativa que impõe a próclise. A forma original "que efetivamente se abre" é a única gramaticalmente aceitável nesse contexto. Portanto, o item está ERRADO.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o deslocamento "manteria a correção gramatical do texto". Isso contradiz a regra de colocação pronominal: com pronome relativo antes do verbo, a ênclise é proibida. A frase "que abre-se" é um desvio da norma culta. Logo, a alternativa C está incorreta.

Conclusão

A questão se resolve com uma única pergunta: há palavra atrativa antes do verbo? Sim — o pronome relativo "que". Logo, próclise obrigatória. A reescritura proposta pelo item é gramaticalmente inválida.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens de colocação pronominal, sublinhe a palavra que antecede o verbo. Se for pronome relativo, conjunção subordinativa, advérbio ou palavra negativa, a próclise é obrigatória — a ênclise estará sempre errada.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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