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Questão de Português — Advérbio — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsAdvérbio
Código
ce414650
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE CE
Ano
2025
Cargo
Tec Min ( )

Um dos principais benefícios da comunicação não violenta (CNV) é a promoção da empatia e da compaixão entre as pessoas. Ao reconhecer as necessidades e os sentimentos dos outros, somos capazes de nos colocar em seus lugares e compreender suas perspectivas, o que facilita a resolução de conflitos e a construção de relações mais saudáveis. Como afirma Marshall Bertram Rosenberg, em sua obra Comunicação não violenta, “a CNV nos guia na reformulação do nosso modo de expressão e escuta dos outros, pela concentração em quatro áreas: o que observamos, o que sentimos, do que necessitamos e o que pedimos para nos enriquecer a vida”. A CNV promove uma escuta, um respeito e uma empatia profundos. Algumas pessoas usam a CNV para reagir compassivamente a si mesmas; outras, para estabelecer maior profundidade em suas relações pessoais, e outras, ainda, para gerar relacionamentos eficazes no trabalho ou na política. No mundo inteiro, utiliza-se a CNV para mediar disputas e conflitos em todos os níveis.


Particularmente no que se refere à função ministerial, é preciso que se evite o que o autor chama de comunicação alienante da vida, isto é, “os juízos morais, que atribuem erro ou ruindade às pessoas que não agem conforme certos valores”. Com efeito, um órgão acusatório inevitavelmente terá que formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos (uma denúncia criminal narrará a prática de uma conduta que se amolda a um tipo penal), o que não significa, contudo, que os agentes públicos que integram a instituição estejam autorizados a proferir julgamentos morais. No modelo de um Ministério Público dialógico, ou seja, aquele que efetivamente se abre à interlocução com a sociedade, a CNV é fator que transforma o discurso em prática, pois propicia o diálogo face a face com os mais diferentes e antagônicos setores e, a partir disso, a construção de confiança e o desenvolvimento do compromisso e da compreensão comuns entre os atores envolvidos.


Pedro Abi-Eçab e Walter Otsuka. Comunicação não violenta como ferramenta para a resolutividade do Ministério Público. In: Revista Jurídica –
Corregedoria Nacional do Ministério Público, v. 8, 2023, p. 392-3 (com adaptações).

Texto CG2A1

 

Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CG2A1.

 

No penúltimo período do primeiro parágrafo, o termo “ainda” expressa circunstância de tempo.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor do “ainda” no texto

Gabarito: ERRADO. No penúltimo período do primeiro parágrafo, o termo “ainda” não expressa circunstância de tempo, mas sim ideia de adição/acréscimo, equivalendo a “também”, “além disso”. A banca explora a polissemia do advérbio: “ainda” pode indicar tempo em outros contextos, mas aqui o sentido é claramente aditivo, como se vê na passagem:

“outras, para estabelecer maior profundidade em suas relações pessoais, e outras, ainda, para gerar relacionamentos eficazes no trabalho ou na política.”

O “ainda” retoma a enumeração de usos da CNV, acrescentando mais um item à lista — não marca momento temporal.

O comando

A questão pede um julgamento sobre aspectos linguísticos do texto, especificamente o valor semântico do advérbio “ainda” em determinado trecho. Trata-se de uma questão de interpretação de texto aplicada à gramática: não basta saber a classe gramatical; é preciso analisar o sentido contextual.

O texto

O primeiro parágrafo apresenta os benefícios da comunicação não violenta (CNV) e, no penúltimo período, enumera diferentes usos da CNV por diferentes pessoas:

“Algumas pessoas usam a CNV para reagir compassivamente a si mesmas; outras, para estabelecer maior profundidade em suas relações pessoais, e outras, ainda, para gerar relacionamentos eficazes no trabalho ou na política.”

A estrutura é uma enumeração aditiva: “algumas... outras... e outras, ainda...”. O “ainda” funciona como conectivo de adição, somando mais um grupo de usuários da CNV. Se fosse advérbio de tempo, indicaria “até agora”, “até o presente momento”, o que não se encaixa no contexto.

A técnica

Para identificar o valor de um advérbio, o caminho é substituí-lo por sinônimos e verificar se o sentido se mantém:

  • Adição: “e outras, também, para gerar relacionamentos eficazes...” → sentido preservado.

  • Tempo: “e outras, até agora, para gerar relacionamentos eficazes...” → sentido incoerente.

A substituição por “também” confirma o valor aditivo. O “ainda” aqui é um operador argumentativo de inclusão, não um marcador temporal.

Análise do item

Valor do "ainda"
  • 1Adição (no texto)
    • Equivale a "também"
    • Enumeração: "algumas... outras... e outras, ainda"
  • 2Tempo (outros contextos)
    • "Ainda não cheguei"
    • "Até agora"
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Item — ❌ ERRADO

A afirmação de que “ainda” expressa circunstância de tempo está incorreta. No trecho, o advérbio tem valor aditivo, equivalente a “também”, “além disso”. A banca tenta confundir com o uso temporal de “ainda” (ex.: “ainda não cheguei”), mas o contexto de enumeração desfaz a ambiguidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na polissemia do “ainda” — em outros contextos ele é advérbio de tempo, mas aqui o sentido é de acréscimo. Sempre teste com sinônimos.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar o valor de um advérbio, substitua por sinônimos e veja qual mantém o sentido. “Ainda” = “também” (adição) ou “até agora” (tempo)? O contexto decide.

Conclusão: o item está ERRADO, pois o “ainda” no penúltimo período do primeiro parágrafo expressa adição, não tempo.

Gabarito: E (Errado)

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