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Questão de Português — Adjunto adnominal x Complemento Nominal — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsAdjunto adnominal x Complemento Nominal
Código
ce414653
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE CE
Ano
2025
Cargo
Tec Min ( )

Um dos principais benefícios da comunicação não violenta (CNV) é a promoção da empatia e da compaixão entre as pessoas. Ao reconhecer as necessidades e os sentimentos dos outros, somos capazes de nos colocar em seus lugares e compreender suas perspectivas, o que facilita a resolução de conflitos e a construção de relações mais saudáveis. Como afirma Marshall Bertram Rosenberg, em sua obra Comunicação não violenta, “a CNV nos guia na reformulação do nosso modo de expressão e escuta dos outros, pela concentração em quatro áreas: o que observamos, o que sentimos, do que necessitamos e o que pedimos para nos enriquecer a vida”. A CNV promove uma escuta, um respeito e uma empatia profundos. Algumas pessoas usam a CNV para reagir compassivamente a si mesmas; outras, para estabelecer maior profundidade em suas relações pessoais, e outras, ainda, para gerar relacionamentos eficazes no trabalho ou na política. No mundo inteiro, utiliza-se a CNV para mediar disputas e conflitos em todos os níveis.


Particularmente no que se refere à função ministerial, é preciso que se evite o que o autor chama de comunicação alienante da vida, isto é, “os juízos morais, que atribuem erro ou ruindade às pessoas que não agem conforme certos valores”. Com efeito, um órgão acusatório inevitavelmente terá que formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos (uma denúncia criminal narrará a prática de uma conduta que se amolda a um tipo penal), o que não significa, contudo, que os agentes públicos que integram a instituição estejam autorizados a proferir julgamentos morais. No modelo de um Ministério Público dialógico, ou seja, aquele que efetivamente se abre à interlocução com a sociedade, a CNV é fator que transforma o discurso em prática, pois propicia o diálogo face a face com os mais diferentes e antagônicos setores e, a partir disso, a construção de confiança e o desenvolvimento do compromisso e da compreensão comuns entre os atores envolvidos.


Pedro Abi-Eçab e Walter Otsuka. Comunicação não violenta como ferramenta para a resolutividade do Ministério Público. In: Revista Jurídica –
Corregedoria Nacional do Ministério Público, v. 8, 2023, p. 392-3 (com adaptações).

Texto CG2A1

 

Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CG2A1.

 

Na citação apresentada no terceiro período do primeiro parágrafo, o segmento ‘dos outros’ complementa o sentido dos substantivos ‘expressão’ e ‘escuta’.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática: complemento nominal × adjunto adnominal

Gabarito: ERRADO (E). O segmento “dos outros” não complementa o sentido dos substantivos “expressão” e “escuta” — ele complementa apenas o substantivo “escuta”. Na citação de Rosenberg, a estrutura é: “a CNV nos guia na reformulação do nosso modo de expressão e escuta dos outros”. O termo “dos outros” liga-se exclusivamente a “escuta”, pois “expressão” já está determinada por “do nosso modo”. A banca tenta fazer o candidato acreditar que o termo preposicionado se refere aos dois núcleos, mas a leitura atenta do trecho desmente isso.

O comando da questão

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto linguístico do texto: a função sintática do segmento “dos outros”. Isso exige análise sintática — identificar a que termo o segmento se liga e qual função exerce. Não é uma questão de interpretação de sentido, mas de estrutura gramatical.

O trecho em análise

No terceiro período do primeiro parágrafo, lê-se:

“a CNV nos guia na reformulação do nosso modo de expressão e escuta dos outros

Observe a estrutura: “do nosso modo de expressão e escuta dos outros”. O núcleo do sintagma é “modo”, que recebe o adjunto adnominal “nosso”. Depois, “de expressão e escuta dos outros” forma uma locução que especifica “modo”. Dentro dessa locução, “expressão” e “escuta” são dois substantivos coordenados pela conjunção “e”. O termo “dos outros” aparece depois de “escuta”, sem vírgula ou outro elemento que o estenda a “expressão”.

A função de “dos outros”

“Escuta” é um substantivo abstrato (ação de escutar). O termo “dos outros” é preposicionado e tem valor passivo: os outros são escutados (sofrem a ação de escutar). Portanto, “dos outros” é complemento nominal de “escuta”. Já “expressão” não recebe esse complemento; ela está ligada a “do nosso modo”, que funciona como adjunto adnominal (indica posse/origem).

Por que a alternativa está errada

A afirmativa diz que “dos outros” complementa os dois substantivos. Isso é falso: o termo se liga somente a “escuta”. Se o autor quisesse que “dos outros” valesse para ambos, escreveria algo como “expressão e escuta dos outros” — mas aí “expressão” ficaria sem complemento, o que não ocorre, pois “expressão” já tem seu determinante (“do nosso modo”). A leitura correta é:

  • “do nosso modo” → adjunto adnominal de “expressão” (e também de “escuta”, por coordenação? Não: “do nosso modo” determina “expressão”, e “escuta” recebe “dos outros”).

Na verdade, a estrutura é: “o nosso modo de expressão” + “escuta dos outros”. São dois sintagmas coordenados: “de expressão” e “de escuta dos outros”. O segundo tem o complemento “dos outros”.

A pegadinha da banca

A banca explora a coordenação de dois substantivos (“expressão e escuta”) para induzir o candidato a achar que o termo preposicionado se aplica a ambos. Mas a proximidade sintática e a ausência de paralelismo mostram que “dos outros” só se liga a “escuta”.

1Liga-se a
Apenas “escuta”
Não a “expressão”
2Função
Complemento nominal (valor passivo)
3Por quê?
Proximidade sintática
Ausência de paralelismo
“Expressão” já tem “do nosso modo”
“dos outros” (termo preposicionado)
LEVELsoulevel.com.br
“dos outros” (termo preposicionado): Liga-se a (Apenas “escuta”, Não a “expressão”); Função (Complemento nominal (valor passivo)); Por quê? (Proximidade sintática, Ausência de paralelismo, “Expressão” já tem “do nosso modo”)
NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que “dos outros” complementa os dois substantivos coordenados, mas a leitura atenta mostra que ele se liga apenas a “escuta”.

Como resolver na prova

Sempre que houver dois núcleos coordenados e um termo preposicionado no final, pergunte: a que exatamente ele se liga? Verifique se há algum elemento que o estenda ao primeiro núcleo (como “e ... dos outros” com vírgula ou repetição). Se não houver, o termo se liga apenas ao núcleo mais próximo.

PEGA ESSA DICA!

Sublinhe os núcleos e o termo preposicionado; teste se ele faz sentido com cada um separadamente. “Expressão dos outros” faria sentido? Sim, mas não é o que o texto diz — o texto diz “expressão e escuta dos outros”, e a leitura natural é “escuta dos outros”.

Conclusão

A afirmativa está errada porque “dos outros” complementa apenas “escuta”, não “expressão”. A banca tentou confundir com a coordenação, mas a estrutura sintática é clara.

Gabarito: E (Errado).

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