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Questão de Português — Vocábulo "Que" — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
ce414654
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE CE
Ano
2025
Cargo
Tec Min ( )

Um dos principais benefícios da comunicação não violenta (CNV) é a promoção da empatia e da compaixão entre as pessoas. Ao reconhecer as necessidades e os sentimentos dos outros, somos capazes de nos colocar em seus lugares e compreender suas perspectivas, o que facilita a resolução de conflitos e a construção de relações mais saudáveis. Como afirma Marshall Bertram Rosenberg, em sua obra Comunicação não violenta, “a CNV nos guia na reformulação do nosso modo de expressão e escuta dos outros, pela concentração em quatro áreas: o que observamos, o que sentimos, do que necessitamos e o que pedimos para nos enriquecer a vida”. A CNV promove uma escuta, um respeito e uma empatia profundos. Algumas pessoas usam a CNV para reagir compassivamente a si mesmas; outras, para estabelecer maior profundidade em suas relações pessoais, e outras, ainda, para gerar relacionamentos eficazes no trabalho ou na política. No mundo inteiro, utiliza-se a CNV para mediar disputas e conflitos em todos os níveis.


Particularmente no que se refere à função ministerial, é preciso que se evite o que o autor chama de comunicação alienante da vida, isto é, “os juízos morais, que atribuem erro ou ruindade às pessoas que não agem conforme certos valores”. Com efeito, um órgão acusatório inevitavelmente terá que formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos (uma denúncia criminal narrará a prática de uma conduta que se amolda a um tipo penal), o que não significa, contudo, que os agentes públicos que integram a instituição estejam autorizados a proferir julgamentos morais. No modelo de um Ministério Público dialógico, ou seja, aquele que efetivamente se abre à interlocução com a sociedade, a CNV é fator que transforma o discurso em prática, pois propicia o diálogo face a face com os mais diferentes e antagônicos setores e, a partir disso, a construção de confiança e o desenvolvimento do compromisso e da compreensão comuns entre os atores envolvidos.


Pedro Abi-Eçab e Walter Otsuka. Comunicação não violenta como ferramenta para a resolutividade do Ministério Público. In: Revista Jurídica –
Corregedoria Nacional do Ministério Público, v. 8, 2023, p. 392-3 (com adaptações).

Texto CG2A1

 

Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CG2A1.

 

No segmento “terá que formular” (segundo período do segundo parágrafo), a substituição do vocábulo “que” por de comprometeria a correção gramatical do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "que" por "de" em "terá que formular"

Gabarito: letra E (Errado). A substituição do vocábulo "que" por "de" em "terá que formular" não compromete a correção gramatical do texto, pois ambas as construções — "ter que" e "ter de" — são formas legítimas e equivalentes da locução verbal de obrigação. A norma culta aceita tanto "ter que" quanto "ter de" com o mesmo sentido de necessidade ou obrigação, como se lê no trecho do texto: "um órgão acusatório inevitavelmente terá que formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos".

O comando da questão

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto linguístico específico: a substituição de "que" por "de" no segmento "terá que formular". O foco não é interpretação de texto, mas gramática normativa aplicada ao contexto — mais precisamente, a análise da locução verbal "ter que/ter de" + infinitivo. O verbo da assertiva é "comprometeria", o que exige verificar se a troca geraria erro gramatical. Como a banca afirma que "comprometeria a correção gramatical", precisamos testar se essa afirmação é verdadeira ou falsa.

A regra que decide a questão

A locução verbal formada por "ter" + preposição + infinitivo admite duas preposições equivalentes: "que" e "de". Assim, "ter que fazer" e "ter de fazer" são igualmente corretas e expressam a mesma ideia de obrigação, necessidade ou compromisso. Não há, na norma culta, qualquer distinção semântica ou sintática relevante entre as duas formas — ambas são aceitas por gramáticos e pela tradição escrita.

No texto, a construção é:

"um órgão acusatório inevitavelmente terá que formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos"

Se substituirmos "que" por "de", obtemos:

"um órgão acusatório inevitavelmente terá de formular, de modo técnico, imputações acerca da prática de ilícitos"

A frase permanece gramaticalmente correta, com o mesmo sentido de obrigação. A troca não altera a regência, a concordância ou a clareza do período. Portanto, a afirmação de que a substituição "comprometeria a correção gramatical" é falsa.

Por que a alternativa C está incorreta

A alternativa C (Certo) afirma que a substituição comprometeria a correção gramatical. Esse julgamento é equivocado porque parte de uma premissa falsa: a de que "ter que" seria a única forma correta e "ter de" seria um erro. Na verdade, ambas as construções são consagradas pela norma culta. A banca explora aqui uma falsa restrição — o candidato que acredita que apenas "ter de" é aceito (ou que apenas "ter que" é aceito) marca C, mas a gramática normativa acolhe as duas formas.

A pegadinha da banca

1"Ter que" + verbo
Correta na norma culta
2"Ter de" + verbo
Correta na norma culta
3Sentido
Obrigação
Necessidade
Locução "ter + preposição + infinitivo"
LEVELsoulevel.com.br
Locução "ter + preposição + infinitivo": "Ter que" + verbo (Correta na norma culta); "Ter de" + verbo (Correta na norma culta); Sentido (Obrigação, Necessidade)
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a crença equivocada de que "ter que" seria informal ou incorreto, levando o candidato a achar que a troca por "ter de" seria uma correção (ou vice-versa). Na verdade, ambas as formas são igualmente corretas — a substituição não gera erro algum.

Conclusão

A questão testa o conhecimento da equivalência entre "ter que" e "ter de" na locução verbal. Como ambas são aceitas pela norma culta, a substituição não compromete a correção gramatical. Portanto, a assertiva está errada.

Gabarito: letra E (Errado).

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