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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce414686
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Cargo
Tec ( )

Texto CG1A1        


        Duas ideias recentes que considerei fantásticas fizeram-me refletir sobre o conceito de sustentabilidade. A primeira foi de uma entrevista com Don Tapscott, um dos mais respeitados estudiosos do impacto das tecnologias nas empresas e na sociedade, autor e coautor de 14 livros. Na entrevista, ele afirma que a Internet não muda o que aprendemos, mas o modo como aprendemos — e o impacto dessa revolução terá a mesma intensidade que a invenção dos tipos móveis de Gutenberg: “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada”.


        A segunda ideia é da empresária americana Lisa Ganski, fundadora de várias empresas na Internet. Em sua ousada teoria, ela defende que o futuro dos negócios é o compartilhamento de produtos e serviços. Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas, vão apenas ter acesso a elas. Para que comprar um carro, gastar com seguro e manutenção se você pode alugar o do vizinho? Para que investir em roupas caras para o seu bebê (que espicha rápido) se você pode trocar peças com mamães de filhos já grandinhos? Lisa aposta que, com a ajuda das mídias sociais e da tecnologia, pessoas, serviços e empresas vão encontrar-se com mais facilidade para trocar ou compartilhar.


        A ideia do consumo compartilhado dirige-se aos bens de consumo de maior ociosidade. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, a média de utilização de um automóvel é de 8%. Os 92% restantes são de ociosidade nos estacionamentos. Então, por que não alugar o carro em vez de comprar? Ganski sugere que sejam, cada vez mais, criados sistemas de locação para alguns bens de consumo de maior ociosidade.


        Na produção compartilhada, além da redução dos custos de produção por menores encargos trabalhistas, maior eficiência da mão de obra e menor consumo de energia, há em tese uma redução dos impactos ambientais pela redução de resíduos e dispersão destes em áreas distantes umas das outras. Logicamente há também uma maior geração de empregos e melhor distribuição de renda.


        Segundo esses pensadores, esta pode ser uma nova opção para o empresariado e para a sociedade segundo o moderno conceito de sustentabilidade. O meio ambiente agradece.


Raimundo Nonato Brabo Alves.

Compartilhar a produção e o consumo de bens em busca da sustentabilidade.

In: Crônicas ambientais ecos da floresta. Brasília, DF: Embrapa, 2015. p. 62-64 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos do texto CG1A1.

 

O trecho “Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas, vão apenas ter acesso a elas.” (terceiro período do segundo parágrafo) poderia ser reescrito, sem prejuízo do sentido original e da correção gramatical do texto, da seguinte forma: De acordo com sua teoria, as pessoas vão ter acesso apenas às coisas e não mais possuí-las.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: o deslocamento do advérbio "apenas"

Gabarito: letra E (ERRADO). A reescrita proposta altera o sentido original porque desloca o advérbio "apenas" de "ter acesso" para "às coisas". No texto, "vão apenas ter acesso a elas" significa que as pessoas só terão acesso (e não possuirão); na reescrita, "vão ter acesso apenas às coisas" significa que o acesso se restringe às coisas (e não a outra coisa qualquer). A mudança de posição do advérbio muda o escopo e, portanto, o sentido.

O comando

A questão pede que se julgue se a reescrita mantém o sentido original e a correção gramatical. Isso é típico de questões de reescritura/paráfrase: a banca oferece uma versão alternativa e o candidato deve verificar se há equivalência semântica. Aqui, a correção gramatical está preservada (a frase é bem formada), mas o sentido não é mantido.

O texto e a passagem decisiva

No segundo parágrafo, lê-se:

"Segundo sua tese, as pessoas não vão mais possuir coisas, vão apenas ter acesso a elas."

A expressão "vão apenas ter acesso a elas" tem o advérbio "apenas" incidindo sobre o verbo "ter": a ideia é que o acesso é exclusivo — as pessoas só terão acesso, não possuirão. O advérbio restringe o modo de relação com as coisas: apenas acesso, nada mais.

Na reescrita proposta:

"De acordo com sua teoria, as pessoas vão ter acesso apenas às coisas e não mais possuí-las."

Aqui, "apenas" passou a modificar "às coisas": o acesso é restrito às coisas (e não a outras entidades). O sentido original de "apenas ter acesso" (exclusividade do acesso) se perde; agora a frase diz que o acesso é limitado às coisas — o que é uma informação diferente.

A técnica: escopo do advérbio

Advérbios como "apenas", "somente", "só" têm escopo — eles modificam o termo que está mais próximo. Deslocar o advérbio muda o que ele restringe. Compare:

Frase

Escopo de "apenas"

Sentido

"vão apenas ter acesso a elas"

sobre "ter acesso"

acesso exclusivo (não posse)

"vão ter acesso apenas às coisas"

sobre "às coisas"

acesso limitado às coisas

No primeiro caso, a oposição é acesso × posse; no segundo, a oposição é coisas × outras coisas. O texto quer dizer que as pessoas não possuirão, apenas acessarão; a reescrita diz que elas acessarão somente as coisas (e não, por exemplo, serviços) — o que não é o que o texto afirma.

Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a reescrita está certa (mantém sentido e correção). Isso é falso: embora a correção gramatical seja mantida, o sentido é alterado pelo deslocamento do advérbio. Portanto, a assertiva C está errada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que a reescrita está errada (não mantém o sentido). Isso é exatamente o que ocorre: a mudança de posição de "apenas" altera o escopo e, consequentemente, o sentido. Portanto, a assertiva E está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca desloca o advérbio "apenas" de "ter acesso" para "às coisas", fazendo parecer que a reescrita é equivalente. O candidato desatento não percebe que o escopo mudou e marca "Certo".

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, sempre identifique o escopo de advérbios como "apenas", "somente", "só". Pergunte: o que o advérbio está restringindo? Se a reescrita mudar o termo modificado, o sentido mudou.

Conclusão: a reescrita não preserva o sentido original porque "apenas" passa a modificar "às coisas" em vez de "ter acesso". Logo, o item está ERRADO.

Gabarito: letra E

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