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Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsQuestões Variadas de Classe de Palavras
Código
ce414700
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Cargo
Ana ( )
Texto CG2AI

   Presumivelmente, o processo de criatividade, seja ele qual for, é essencialmente o mesmo em todos os seus ramos, de modo que a evolução de uma nova forma artística, um novo mecanismo ou um novo princípio científico envolve fatores comuns.

   Uma maneira de investigar o problema é considerar as grandes ideias do passado e ver como elas foram geradas. Infelizmente, o método de geração não é claro nem mesmo para os próprios “geradores”.

   Mas e se a mesma ideia revolucionária ocorrer a dois homens, simultânea e independentemente? Talvez os fatores comuns envolvidos sejam esclarecedores. Considere a teoria da evolução pela seleção natural, criada independentemente tanto por Charles Darwin quanto por Alfred Wallace.

   Nesse caso, existem muitos pontos em comum. Ambos viajaram para lugares distantes, tendo observado espécies estranhas de animais e plantas e a maneira como variavam de lugar para lugar. Ambos estavam profundamente interessados em encontrar uma explicação para isso e falharam até cada um deles ler o Ensaio sobre o princípio da população, de Malthus.

   Ambos, então, viram como a noção de superpopulação e esgotamento (que Malthus havia aplicado aos seres humanos) se encaixaria na doutrina da evolução pela seleção natural (se aplicada às espécies em geral).

   Obviamente, portanto, o que é necessário não são apenas pessoas com uma boa formação em uma área específica, mas também pessoas capazes de estabelecer uma conexão entre itens que podem não parecer usualmente conectados.

   Sem dúvida, na primeira metade do século XIX, muitos naturalistas estudaram a maneira pela qual as espécies se diferenciavam entre si. Muitas pessoas leram Malthus. Talvez algumas tenham estudado as espécies e lido Malthus. Mas o que era preciso era alguém que estudasse espécies, lesse Malthus e tivesse a capacidade de fazer uma conexão cruzada.

   O ponto crucial é a rara característica que deve ser encontrada. Uma vez que a conexão cruzada é feita, ela se torna óbvia. Thomas H. Huxley teria exclamado depois de ler A Origem das Espécies: “Que estúpido da minha parte não ter pensado nisso!”.  

   Mas por que ele não pensou nisso? A história do pensamento humano poderia fazer parecer que há dificuldade em pensar em uma ideia, mesmo quando todos os fatos estão sobre a mesa. Fazer a conexão cruzada requer certa ousadia — porque qualquer conexão cruzada realizada de uma só vez por muitos se desenvolve não como uma nova ideia, mas como um mero corolário de uma velha ideia.

   É somente mais tarde que uma nova ideia parece razoável. De início, ela normalmente parece sem sentido. Parecia a máxima insensatez supor que a Terra se movia em vez do Sol, ou que os objetos exigiam uma força para detê-los quando em movimento, em vez de uma força para mantê-los em movimento, e assim por diante.

   Uma pessoa disposta a seguir em frente enfrentando a razão, a autoridade e o bom senso deve ser uma pessoa de considerável autoconfiança. Como ela aparece apenas raramente, deve parecer excêntrica (pelo menos nesse aspecto) para o resto de nós. Uma pessoa excêntrica em um aspecto frequentemente o é em outros. Consequentemente, a pessoa com maior probabilidade de obter novas ideias é uma pessoa de boa formação na área de interesse e alguém que não é convencional em seus hábitos.


Isaac Asimov. Sobre criatividade: como as pessoas têm novas ideias? In: MIT Technology Review, jul./2020 [originalmente escrito em 1959]. Internet: <mittechreview.com.br>  (com adaptações).  
Julgue o item a seguir, relativo aos aspectos linguísticos do texto CG2A1.   No último período do nono parágrafo, o deslocamento do vocábulo “certa” para logo após “ousadia” alteraria o sentido do termo deslocado, bem como a classe de palavras a que ele pertence.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Deslocamento de "certa" e mudança de classe gramatical

Gabarito: CERTO. O deslocamento do vocábulo "certa" de antes para depois do substantivo "ousadia" altera tanto o sentido quanto a classe gramatical: no texto, "certa ousadia" significa "uma ousadia específica/particular" (pronome indefinido), enquanto "ousadia certa" significaria "ousadia correta/exata" (adjetivo). A passagem que ancora a análise é o trecho do nono parágrafo: "Fazer a conexão cruzada requer certa ousadia".

O comando pede um julgamento sobre aspectos linguísticos — especificamente, sobre o efeito da mudança de posição de uma palavra na frase. Isso é uma questão de semântica e morfologia contextual: não se trata de decorar regra, mas de observar como a posição altera o valor da palavra no enunciado. A banca testa se o candidato percebe que "certa" anteposto ao substantivo tem valor de pronome indefinido (equivale a "alguma", "determinada"), ao passo que posposto assume valor de adjetivo (equivale a "correta", "exata", "precisa").

No texto, o autor afirma que fazer a conexão cruzada exige "certa ousadia" — ou seja, uma dose de ousadia, uma ousadia qualquer, não especificada. Se deslocássemos o termo para "ousadia certa", passaríamos a ideia de uma ousadia exata, infalível, o que mudaria completamente o sentido pretendido. Além disso, a classe gramatical mudaria: de pronome indefinido (quando anteposto) para adjetivo (quando posposto). Essa é uma característica típica de palavras como "certo", "pobre", "simples", "novo", que mudam de sentido e, por vezes, de classe conforme a posição em relação ao substantivo.

A técnica para resolver: teste a substituição. No texto, "certa ousadia" pode ser substituído por "uma ousadia" ou "alguma ousadia" — isso confirma o valor de pronome indefinido. Já "ousadia certa" seria substituível por "ousadia correta" — valor de adjetivo. Como a substituição muda o sentido e a classe, a afirmação do item está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o valor de "certo" como pronome indefinido (anteposto) e como adjetivo (posposto). O candidato que não conhece essa distinção tende a marcar "errado", achando que a palavra mantém a mesma classe em qualquer posição.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que a questão falar em "deslocamento" ou "mudança de posição", pergunte-se: a palavra tem o mesmo sentido nas duas posições? Palavras como "certo", "pobre", "simples", "novo", "grande" mudam de sentido conforme a posição — e isso pode mudar também a classe gramatical.

1Pronome indefinido
2Sentido: "alguma", "determinada"
3Ex.: certa ousadia
4"Certa" posposto
Adjetivo
Sentido: "correta", "exata"
Ex.: ousadia certa
"Certa" anteposto
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"Certa" anteposto: Pronome indefinido; Sentido: "alguma", "determinada"; Ex.: certa ousadia; "Certa" posposto (Adjetivo, Sentido: "correta", "exata", Ex.: ousadia certa)

Item — ✅ CERTO

A afirmação está correta. No trecho "Fazer a conexão cruzada requer certa ousadia", o vocábulo "certa" antecede o substantivo e funciona como pronome indefinido, equivalente a "alguma" ou "determinada". Se deslocado para depois — "ousadia certa" —, passaria a funcionar como adjetivo, com sentido de "correta", "exata", "precisa".

Essa mudança de posição altera tanto o sentido (de "uma ousadia qualquer" para "ousadia correta") quanto a classe de palavras (de pronome indefinido para adjetivo). Portanto, o item está certo.

Conclusão: a questão ensina que a posição da palavra na frase pode alterar seu valor semântico e morfológico. O deslocamento de "certa" para depois de "ousadia" muda o sentido e a classe — logo, o item é CERTO.

Gabarito: CERTO

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