Questão de Português — Sujeito — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce414705
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A sequência “Que estúpido da minha parte” não funciona como sujeito da oração “não ter pensado nisso”. Na verdade, o sujeito dessa oração é desinencial (implícito), referindo-se a “eu” (Huxley), e a expressão “Que estúpido da minha parte” exerce a função de predicativo do sujeito (ou aposto exclamativo), atribuindo uma qualidade ao sujeito oculto. A flexão de “ter” na 3ª pessoa do singular se justifica porque o infinitivo impessoal não varia, independentemente de qualquer sujeito explícito.
1. O comando da questão: O item pede uma análise sintática de um trecho específico do texto. Não se trata de interpretação ou compreensão global, mas de identificar a função sintática de um termo dentro de uma oração. A banca afirma que “Que estúpido da minha parte” é o sujeito de “não ter pensado nisso”. Nosso trabalho é verificar se essa afirmação procede, analisando a estrutura da oração.
2. O trecho no texto: No oitavo parágrafo, lemos:
“Thomas H. Huxley teria exclamado depois de ler A Origem das Espécies: ‘Que estúpido da minha parte não ter pensado nisso!’”
A fala de Huxley é uma exclamação. Para analisá-la, precisamos reestruturá-la mentalmente em uma ordem direta e identificar os termos. A oração principal é “não ter pensado nisso”. Quem não pensou? Huxley, ou seja, “eu”. O sujeito é oculto/desinencial (eu), pois está implícito na desinência verbal e no contexto. A expressão “Que estúpido da minha parte” não é o agente da ação de “pensar”; ela qualifica o sujeito “eu”. Portanto, exerce função de predicativo do sujeito (ou, em uma leitura mais específica, de aposto exclamativo).
3. A regra que decide: sujeito × predicativo. O sujeito é o termo sobre o qual se declara algo; é o agente da ação verbal. O predicativo do sujeito é o termo que atribui qualidade, estado ou característica ao sujeito, sempre por meio de um verbo de ligação (explícito ou implícito). Na fala de Huxley, há um verbo de ligação implícito: “(Eu) sou que estúpido da minha parte por não ter pensado nisso”. Assim, “que estúpido” é o predicativo, e “eu” é o sujeito.
4. A flexão de “ter”: A forma “ter” está no infinitivo impessoal. O infinitivo impessoal é uma forma nominal que não se flexiona em pessoa ou número, pois não possui sujeito determinado. Ele é usado em diversas construções, como em locuções verbais (“vai chover”) ou em orações reduzidas de infinitivo com sujeito genérico ou indeterminado. No trecho, “não ter pensado” é uma oração reduzida de infinitivo, e o “ter” permanece invariável justamente por ser infinitivo impessoal. A justificativa dada no item — de que a flexão se deve ao sujeito “Que estúpido da minha parte” — é incorreta, pois esse termo não é o sujeito.
A afirmação de que “Que estúpido da minha parte” é o sujeito de “não ter pensado nisso” está errada. O sujeito é desinencial (“eu”, referindo-se a Huxley). A expressão “Que estúpido da minha parte” funciona como predicativo do sujeito, pois atribui uma qualidade (“estúpido”) ao sujeito oculto. Além disso, a flexão de “ter” na 3ª pessoa do singular não se justifica por um sujeito explícito, mas sim pelo fato de o verbo estar no infinitivo impessoal, que é invariável. A banca tenta confundir o candidato ao apresentar uma análise sintática incorreta, misturando a função de predicativo com a de sujeito.
A banca explora a confusão entre predicativo do sujeito e sujeito. Em frases exclamativas como “Que estúpido da minha parte!”, o termo destacado parece ser o sujeito, mas, na verdade, ele qualifica um sujeito oculto. A dica é sempre buscar o verbo e perguntar “quem?” para identificar o verdadeiro agente da ação.
Em orações com verbo de ligação implícito, como “Que estúpido (eu sou)!”, o termo que aparece antes do verbo pode ser o predicativo, e não o sujeito. Reestruture a frase na ordem direta (Sujeito + Verbo + Complemento) para evitar erros.
Conclusão: O item está errado porque a análise sintática proposta é incorreta. A sequência “Que estúpido da minha parte” exerce a função de predicativo do sujeito, e não de sujeito. O sujeito da oração “não ter pensado nisso” é desinencial (“eu”), e a forma “ter” está no infinitivo impessoal, que não se flexiona. Portanto, a justificativa apresentada para a flexão verbal é falsa.
Gabarito: letra E
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