Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce414709
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação de que predominam sequências tipológicas narrativas no texto é incorreta, pois o que predomina é a sequência descritiva, com forte carga subjetiva e reflexiva, enquanto os traços narrativos são secundários e servem de moldura para a descrição e a divagação lírica. Como se lê já na abertura: "São dois pinheiros altos, e atrás deles o mar. Na linha do horizonte, as linhas parecem estar boiando, nessa luz indecisa da manhã de inverno" — um retrato estático, sem progressão de ações, típico da descrição.
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre a tipologia predominante. Isso é uma questão de compreensão (o que o texto efetivamente faz) e de conhecimento de tipologia textual (o que caracteriza cada sequência). Não se trata de inferir nada além do texto: basta observar a intenção predominante do autor e os recursos linguísticos usados. O comando "predominam sequências tipológicas narrativas" é uma afirmação categórica — basta encontrar um único trecho que a desminta para marcar ERRADO.
O texto de Rubem Braga não conta uma história com enredo, conflito e clímax. Ele descreve uma cena — dois pinheiros, o mar, a luz da manhã — e, a partir dela, desenvolve uma reflexão lírica sobre a vida, a morte e a beleza do mar. Veja os elementos:
Abertura descritiva: "São dois pinheiros altos, e atrás deles o mar. Na linha do horizonte, as linhas parecem estar boiando, nessa luz indecisa da manhã de inverno." — aqui não há ação, apenas caracterização do cenário.
Descrição subjetiva do mar: "Que planura terrena, que montanha imponente, que paisagem no mundo vale o mar? Não o mar do alto-mar, mas esse mar de costa e ilhas, sempre investindo sobre as pedras e sobre as terras, esse que leva homens e coisas dos homens, que recebe plantas que descem os rios boiando, esse mar humano e vivo, e entretanto batendo aos nossos pés a canção do eterno, chamando para o desconhecido, anunciando ao nosso mundo que este mundo não tem fim." — o autor caracteriza o mar com adjetivos e impressões, não narra um fato.
Reflexão existencial: "ali, homem, em breve tu dormirás, amarás, sonharás, morrerás talvez, quem sabe?" — é uma divagação, não um acontecimento narrado.
Os únicos traços narrativos são mínimos: "O homem lança um olhar apressado", "Chega o porteiro", "O homem desce lentamente". Mas essas ações são pontuais e servem de pretexto para a descrição e a reflexão. O texto não tem enredo, conflito, clímax ou desfecho — elementos essenciais da narração.
Para identificar a tipologia predominante, pergunte: qual é a intenção principal do autor? Se ele quer contar uma história (com personagens, tempo, espaço, sequência de eventos), é narrativo. Se ele quer caracterizar, retratar, pintar com palavras um cenário, uma pessoa ou um objeto, é descritivo. Aqui, a intenção é descrever e refletir, não narrar. O texto é uma crônica, gênero que frequentemente mistura tipos, mas o predomínio é descritivo-reflexivo.
Em questões de tipologia, desconfie de afirmações que confundem gênero (crônica, conto, romance) com tipo (narrativo, descritivo, dissertativo). A crônica pode ser narrativa, mas também pode ser descritiva, reflexiva ou argumentativa. Leia o texto e pergunte: "o que o autor está fazendo: contando ou descrevendo?"
A alternativa C afirma que "predominam sequências tipológicas narrativas". Isso é falso frente ao texto. O texto não apresenta uma sucessão de eventos com enredo, conflito e clímax. As poucas ações (olhar, descer, encontrar um amigo) são secundárias e não estruturam o texto. O que predomina é a descrição do cenário e a reflexão lírica sobre o mar e a vida. A alternativa generaliza indevidamente: pega um traço periférico (a presença de algumas ações) e o transforma em predominante. O erro é de generalização indevida.
A alternativa E nega a afirmação, e está correta. O texto é uma crônica, mas a tipologia predominante é a descritiva, com forte carga subjetiva e reflexiva. A abertura e o terceiro parágrafo são exemplos claros de descrição: o autor caracteriza os pinheiros, o mar, a luz, as ilhas, usando adjetivos e verbos de estado ("são", "parecem", "estão"). Não há progressão temporal significativa; o tempo é quase estático, como numa fotografia. Portanto, a afirmação de que predominam sequências narrativas é incorreta.
A banca explora a confusão entre gênero (crônica, que costuma ter traços narrativos) e tipologia predominante (descrição). Ao marcar ERRADO, você reconhece que o texto de Rubem Braga é essencialmente descritivo-reflexivo, não narrativo. Lembre-se: em tipologia, o que importa é a intenção predominante, não a presença de alguns elementos de outro tipo.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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