Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce414711
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ana ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque as formas verbais “dormirás, amarás, sonharás, morrerás” estão flexionadas no modo indicativo (futuro do presente), que denota certeza, fato, probabilidade — e não no modo subjuntivo, que é o modo da dúvida e da incerteza. O advérbio “talvez” realmente reforça a ideia de incerteza, mas isso não muda o modo verbal: o modo é uma propriedade morfológica do verbo, não o efeito de sentido produzido por um adjunto adverbial. A banca mistura plano semântico (o que a frase expressa) com plano morfológico (a flexão do verbo).
O enunciado pede para julgar (certo/errado) uma afirmação sobre aspectos linguísticos do texto. A tarefa é de análise gramatical — especificamente, reconhecer o modo verbal das formas destacadas e avaliar se o advérbio “talvez” tem relação com esse modo. Não se trata de interpretação de sentido global, mas de conhecimento metalinguístico aplicado ao trecho. Por isso, a resposta não depende do conteúdo do texto, mas da classificação morfológica das formas verbais.
“Ali está a cama nua; ali, homem, em breve tu dormirás, amarás, sonharás, morrerás talvez, quem sabe?”
As formas dormirás, amarás, sonharás, morrerás são todas do futuro do presente do indicativo, 2ª pessoa do singular. O modo indicativo é o modo da certeza, da realidade, do fato — mesmo quando o fato é futuro e incerto, como aqui. O advérbio “talvez” introduz a dúvida, mas isso é um recurso semântico, não uma flexão de modo. Se o autor quisesse expressar dúvida pelo modo verbal, teria usado o subjuntivo (ex.: “talvez durmas, ames, sonhes, morras”).
Para resolver questões desse tipo, separe dois planos:
Plano morfológico: o modo verbal é uma categoria gramatical marcada na desinência do verbo. No trecho, as desinências -ás indicam futuro do presente do indicativo.
Plano semântico: a dúvida pode ser expressa por outros recursos, como o advérbio “talvez”, o modo subjuntivo, ou até o contexto. Mas a presença de “talvez” não altera a flexão do verbo.
A pegadinha da banca é exatamente essa: o candidato vê “talvez” e associa automaticamente a “subjuntivo”, esquecendo que o modo é uma propriedade do verbo, não do advérbio. O modo subjuntivo teria formas como “durmas”, “ames”, “sonhes”, “morras” — que não aparecem no texto.
A afirmação diz que as formas verbais “estão flexionadas em modo verbal que denota ideia de incerteza”. Isso é falso por dois motivos:
O modo é indicativo, não subjuntivo. O indicativo denota certeza, fato, realidade — mesmo que o fato seja futuro e hipotético.
A incerteza é expressa pelo advérbio “talvez”, não pelo modo verbal. O modo indicativo não “denota incerteza”; ele denota certeza. A incerteza é um efeito de sentido criado pelo advérbio, que poderia ser retirado sem alterar a flexão verbal.
Portanto, a afirmação contradiz a classificação morfológica das formas verbais. O item é ERRADO.
A questão ensina uma distinção fundamental: modo verbal é uma categoria morfológica (indicativo, subjuntivo, imperativo), enquanto dúvida/incerteza é um valor semântico que pode ser expresso por vários recursos. Não confunda o efeito de sentido com a flexão. Sempre que a banca misturar “talvez” com “modo subjuntivo”, desconfie: o advérbio não muda o modo do verbo.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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